# A CASA QUE NÃO TEM PATRÃO

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- Published: 2026-06-17T13:49:28+00:00
- Author: assessoriabrowbrow

Em menos de dois meses no comando da Casa do Patrão, Leandro Hassum confundiu o 
próprio programa com o concorrente, errou o nome do patrocinador oficial e precisou
ser corrigido ao vivo pela Disney. por trás do riso fácil e da simpatia ensaiada,
o que se vê é um homem tentando atuar um papel que ainda não decifrou, e a televisão,
implacável, não perdoa hesitação.

A estreia foi em 27 DE ABRIL, criação de Boninho, transmissão simultânea pela Record
e pelo Disney mais, dezoito participantes, promessa de prêmio milionário. Hassum
entrou sorrindo, como sempre entrou em tudo na carreira, com a confiança de quem
já decorou o roteiro da própria simpatia. Mas em menos de uma semana o roteiro virou
armadilha. ao encerrar o episódio de estreia, ele anunciou o programa errado na 
sequência da grade. DESCULPE, NÃO É O JORNAL DA RECORD, VOCÊ VAI FICAR COM CHICAGO
FIRE, disse, visivelmente constrangido, enquanto a prova daquela noite nem havia
sido concluída no ar. O segundo deslize veio do vocabulário, não da memória. Hassum
chamou o cargo central do jogo de LÍDER, termo que pertence ao Big Brother Brasil,
da Globo, concorrente direto da atração que ele apresenta. na Casa do Patrão a função
se chama PATRÃO. a confusão se repetiu mais de uma vez nas semanas seguintes, e 
cada repetição funcionou como um lapso freudiano transmitido em rede nacional, a
língua entregando o que a vontade talvez já soubesse, que o lugar ainda não era 
inteiramente seu.

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O terceiro episódio é o que mais expõe a engrenagem comercial da televisão. Hassum
se referiu à plataforma de streaming que exibe o programa vinte e quatro horas como
DISNEY PLAY. o erro se repetiu por dias até a própria Disney enviar um direito de
resposta, lido por ele ao vivo na noite de 8 DE MAIO. antes de ler o texto, tentou
disfarçar o desconforto no tom de quem transforma punição em piada, como se a bronca
do patrocinador fosse prova de audiência e não de descuido. A crítica especializada
não foi mais gentil que o patrocinador. a colunista Anna Luiza Santiago, do jornal
O Globo, deu NOTA ZERO ao desempenho do apresentador, apontando falta de jogo de
cintura, de energia e de emoção na condução das eliminações, justamente o que se
espera de quem precisa decidir o destino de pessoas confinadas diante de milhões
de telespectadores. A pressão produziu, em 18 DE MAIO, o quinto e mais revelador
momento. Hassum quebrou o roteiro para agradecer publicamente a Boninho, dizendo
que não adiantava reclamar com ele e que o criador havia ensinado o Brasil a gostar
de reality. o discurso, espontâneo ou não, funcionou como confissão. quem precisa
declarar lealdade ao vivo geralmente já sente o chão se mover sob os próprios pés.
dias depois, nas redes, o nome de Dudu Camargo, que participou de uma dinâmica como
convidado, passou a circular como sugestão de substituto, o tipo de comentário que
normalmente não nasce do nada. Há algo de estrutural nesse desconforto que ultrapassa
o talento individual de Hassum. comediante de carreira sólida, ele construiu seu
nome na liberdade da improvisação, onde o erro pode ser transformado em piada sem
custo. a apresentação de um reality ao vivo exige o oposto, precisão cronométrica,
memória de roteiro, autoridade sobre o jogo. é a diferença entre comandar uma plateia
que perdoa e comandar uma audiência que vota, julga e cancela em tempo real. o Brasil
já viu esse choque antes, em outros nomes que vieram do humor para a condução de
realities e que precisaram aprender, sob holofote e sem ensaio, que rir do próprio
erro só funciona até a segunda ou terceira vez. O que fica, passada a sequência 
de gafes, não é apenas o constrangimento episódico, mas a pergunta que a própria
audiência já começou a fazer em voz alta, sobre quem, de fato, manda na Casa do 
Patrão quando o homem que deveria comandar o jogo ainda está, ele mesmo, tentando
descobrir as regras.
