# “Cajuína aqui foi doce e fresca” Gyselle Cajuína movimentou R$ 895 mil do Progressistas, concentrou R$ 393 mil num fornecedor e saiu da urna 12 dias antes do voto no Piauí

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- Published: 2026-09-23T12:00:40+00:00
- Author: assessoriabrowbrow

A campanha a deputada federal recebeu 97,82% do dinheiro da direção nacional do 
PP, declarou R$ 519 mil em despesas e foi homologada como inapta pelo TRE-PI. O 
caso recoloca sob a mesa o Fundo Eleitoral de R$ 4,9 bilhões, as cotas de R$ 20 
mil e os partidos que enchem chapa sem eleger ninguém no Estado. Gyselle Soares 
Estevão, nome de urna Gyselle Cajuína, número 1112, pediu à Justiça Eleitoral a 
renúncia da candidatura a deputada federal pelo Progressistas no dia 21 de setembro
de 2026. O Tribunal Regional Eleitoral do Piauí homologou o pedido no dia seguinte.
Faltavam 12 dias para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

Até ali, a campanha já havia declarado R$ 895.175,67 em receitas e R$ 519.629,04
em despesas. Da receita, R$ 875.675,67 vieram da Direção Nacional do Progressistas.
São 97,82% do total. O TRE atualizou o registro para inapto. Inapto, neste caso,
não é cassação, não é indeferimento e não é condenação. É a sequência jurídica da
própria desistência: deferida, renúncia, homologação, inapta. A homologação impede
que ela dispute o mesmo cargo nesta eleição. A saída não apaga a prestação de contas.
Recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha que sobrarem não viram sobra
de partido. O TSE determina o recolhimento integral ao Tesouro Nacional, por GRU,
no momento das contas. Recursos do Fundo Partidário não usados voltam à conta da
legenda. São dois bolsos diferentes. Misturá-los é o primeiro erro de quem lê só
o total. Dos R$ 875.675,67 do PP nacional, o detalhamento publicado pelo 180graus
aponta R$ 500 mil do FEFC, R$ 300 mil do Fundo Partidário e R$ 75.675,67 em recursos
estimáveis em dinheiro, ligados a equipe de acompanhamento e produção audiovisual.
Os R$ 800 mil em dinheiro saíram do caixa público e do caixa partidário abastecido,
em grande parte, pelo mesmo Estado. Doações de pessoas físicas pesaram pouco. Joselia
Soares Martins Estevão aparece com R$ 8 mil. A própria candidata, com R$ 3,5 mil.
Danielle de Sousa Ferreira, Enaille de Sousa Holanda, Francijane Sousa Ferreira 
e Jefferson Alves de Oliveira, com R$ 2 mil cada. Sete doadores no total. O partido
pagou a campanha. Nas despesas, o ponto que a Justiça Eleitoral não pode tratar 
como detalhe contábil é a concentração. Jeová da Silva Moraes aparece com R$ 393
mil em três lançamentos. Isso equivale a cerca de 75,6% de tudo o que a campanha
declarou ter gasto. O cadastro consultado descreve o fornecedor como pessoa jurídica
ligada a obras de instalações em construções não especificadas. Na prestação eleitoral,
o gasto foi agrupado em “diversas a especificar”.

A pergunta que interessa ao eleitor e ao Ministério Público Eleitoral é objetiva.
Qual serviço, em qual data, com qual nota, qual contrato e qual comprovante bancário
justifica R$ 393 mil?

Os demais fornecedores publicados não fecham o buraco da categoria. Ilmar Teixeira
Linard Junior, R$ 45 mil em serviço contábil. Editora Gráfica Aliança Ltda., R$ 
42.220 em material impresso. Romullo Silva Lima, R$ 20 mil em atividades fotográficas.
Danilo Marques Sociedade Individual de Advocacia, R$ 10 mil. Jefferson Marques Costa,
R$ 6,5 mil. Agência Pragma Ltda., R$ 1,5 mil. Igor Feitosa de Sousa Dantas, R$ 1
mil. Há ainda valores menores de publicidade digital, hospedagem de site e encargos.
A base detalhada mostra cerca de R$ 421.041,99 em “diversas a especificar”, R$ 45
mil em contabilidade, R$ 42.220 em material impresso, R$ 10 mil em advocacia, R$
1 mil em jingles, R$ 349,95 em impulsionamento e R$ 17,10 em encargos. Quase 81%
da classificação por categoria cai numa rubrica que, pelo nome, ainda precisa ser
decomposta lançamento a lançamento. A diferença matemática entre receita e despesa
é de R$ 375.546,63. Esse número não prova que o saldo esteja na conta da candidata
e não prova que o dinheiro tenha sumido. Prova apenas que a conta final ainda não
foi julgada. Extrato, datas de transferência, origem de cada parcela e destinação
do FEFC não usado são documentos, não opinião. A última agenda pública divulgada
nas redes da campanha foi em 19 de setembro, no sul do Estado. Nos dias seguintes,
veículos registraram a queda de publicações eleitorais. Em 21 de setembro veio o
pedido formal. No documento, segundo a cobertura que teve acesso à decisão, a candidata
declarou que a manifestação era voluntária e definitiva, sem coação, e reconheceu
o efeito da homologação. No primeiro momento, Portal R10, O Dia e GP1 escreveram
que procuraram a candidata ou a assessoria e não obtiveram resposta. Depois, o Lupa1
publicou que ela divulgou comunicado atribuindo a saída a uma batalha pessoal, citando
depressão e pedindo respeito ao recolhimento. A declaração responde ao motivo pessoal.
Não responde à origem dos R$ 875 mil, ao destino dos R$ 393 mil nem ao conteúdo 
dos R$ 421 mil “a especificar”. Gyselle Cajuína integrou a Federação União Progressista,
União Brasil e Progressistas, que havia registrado 11 nomes à Câmara pelo Piauí.
Escolaridade declarada: ensino médio completo. Bens: cerca de R$ 460,7 mil. Limite
legal de gastos: R$ 3.176.572,53. A campanha ficou muito abaixo do teto e muito 
acima do que a maioria dos eleitores verá de material na rua.

Não há, nas fontes públicas até 23 de setembro, decisão judicial que afirme fraude,
desvio, caixa dois, empresa fantasma, superfaturamento comprovado ou denúncia criminal
do Ministério Público Eleitoral contra a candidata por esses valores. Concentração
de gasto e origem partidária do recurso, sozinhas, não bastam para condenar. Bastam
para fiscalizar. A prestação de contas ainda será examinada. O Progressistas nacional
recebeu R$ 417.067.738,40 do FEFC para 2026. O partido decide internamente os critérios
de rateio, com a ressalva legal das cotas de gênero e raça. Cabe à direção explicar
por que uma candidatura que sairia 12 dias antes da urna recebeu R$ 875,6 mil. Cabe
à Justiça conferir se o que foi pago corresponde ao que foi feito. O problema não
começa nem termina nesse nome. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha das
eleições gerais de 2026 é de R$ 4.961.519.777,00. Quase cinco bilhões de reais públicos.
O Fundo Partidário de 2026 está na casa de R$ 1,43 bilhão no Orçamento. Somados,
passam de R$ 6,3 bilhões no ano do pleito, sem contar o horário gratuito de rádio
e televisão. A fatia não é igualitária. O PL ficou com cerca de R$ 881,6 milhões
do FEFC. O PT, com R$ 615,3 milhões. O União Brasil, com R$ 526,2 milhões. As três
siglas concentram cerca de 40% do fundo. PSD, R$ 421 milhões. Progressistas, R$ 
417 milhões. MDB, R$ 400 milhões. Seis partidos levam cerca de 65% do bolo. Dez 
legendas ficam só com a cota mínima de R$ 3,3 milhões cada. A regra está na Lei 
das Eleições. Dois por cento iguais para todo partido registrado. Trinta e cinco
por cento pelos votos na última eleição para a Câmara. Quarenta e oito por cento
pelas cadeiras na Câmara. Quinze por cento pelas cadeiras no Senado. Quem elege 
mais, recebe mais. Quem recebe mais, elege mais. O ciclo se alimenta com dinheiro
do contribuinte.

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No Piauí, o padrão das cotas pequenas já está documentado em eleição anterior. Em
2022, o GP1 publicou a distribuição do PL no Estado com dados do TSE. Vários candidatos
a deputado federal receberam exatamente R$ 20 mil da direção: Dra. Hélida Milanez,
Major Costa Araújo, Pastora Deisy, Raimundo Viana, Toni Boson e Weslley Demes. Mara
Denise e Teresina de Jesus apareciam com zero naquele levantamento.No fim de setembro
daquele ano, o mesmo veículo mostrou os gastos. Pastora Deisy, R$ 20.020. Dra. Hélida
Milanez, R$ 19.976. Wesley Demes, R$ 18.775,66. Major Costa Araújo, R$ 13.421,42.
Toni Boson, R$ 13.176. Coronel Viana, R$ 9 mil. Teresina de Jesus, R$ 5 mil. Mara
Denise, R$ 4 mil. Leonardo Eulálio, o nome pesado da chapa, havia gasto R$ 943.458,20.
A chapa proporcional precisa de nomes. O fundo precisa de destinatário. O eleitor
precisa saber se o destinatário fez campanha ou só abriu conta.

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**Em 2024, o secretário Fábio Abreu, liderança informal do Podemos no Estado, admitiu
à reportagem do O Dia o outro lado da mesma engrenagem. Dois candidatos do partido
no Piauí não tiveram nenhum voto. Pelo menos outros quatro tiveram um voto. Ele 
atribuiu o desempenho à falta de Fundo Eleitoral em vários diretórios e afastou 
a tese de laranja, mas reconheceu que candidatos ficaram invisíveis. Zero voto e
um voto são dados do TSE. A explicação política não apaga o número. A Justiça Eleitoral
do Piauí já julgou o que acontece quando a chapa é enchida para cumprir tabela. 
Em 2016, duas coligações de Valença do Piauí lançaram candidatas que, segundo o 
processo, sequer fizeram campanha. Uma não foi votar. Outra zerou. O TRE-PI cassou
os beneficiados. Em 17 de setembro de 2019, o TSE manteve a cassação de seis vereadores
eleitos e declarou inelegíveis por oito anos os envolvidos, inclusive um candidato
não eleito. Os ministros fixaram o entendimento de que fraude na cota de gênero 
contamina a coligação inteira. Os nomes cassados foram Raimundo Nonato Soares, Benoni
José de Souza, Ariana Maria Rosa, Fátima Bezerra Caetano, Stenio Rommel da Cruz 
e Leonardo Nogueira Pereira. Antônio Gomes da Rocha, não eleito, também ficou inelegível.
O precedente nasceu no interior do Piauí e vale para o país. Fora do Estado, o dossiê
público é maior. Levantamento do Jornal Nacional sobre 2018 apontou ao menos 51 
candidatos a deputado federal e estadual que receberam muito recurso público e obtiveram
votação ínfima. Juntos, mais de R$ 8 milhões. Quarenta e cinco eram mulheres, no
ano em que o TSE passou a exigir 30% do fundo para candidaturas femininas. O cruzamento
do UOL, na mesma eleição, identificou 284 nomes com indícios de candidatura de fachada
em 24 partidos. Movimentação: R$ 62 milhões. O caso mais citado do PSL em Pernambuco
envolveu Maria de Lourdes Paixão: R$ 400 mil do fundo e 274 votos. A Polícia Federal
apontou gasto concentrado em gráfica cujo endereço na Receita pertencia a café e
papelaria no Recife. Em Roraima, a Operação Títeres investigou o uso de candidatas
com custo por voto muitas vezes acima da média. Uma delas teria recebido quase R
$ 105 mil e obtido nove votos. Em 2024, a Polícia Federal deflagrou em São Luís 
a Operação Malversador. Segundo a PF, um esquema de candidaturas fictícias de mulheres
desviou R$ 1 milhão do FEFC. Uma das candidatas citadas recebeu R$ 300 mil e teve
18 votos. Custo médio: R$ 16.666,67 por voto. A polícia descreveu empresas de fachada,
contratos fictícios e notas superfaturadas. Mandados de busca e pedido de cassação
de vereadores eleitos pelo Podemos na capital maranhense constam da operação. Esses
processos não autorizam copiar a acusação para Gyselle Cajuína. Autorizam a pergunta
que a Justiça Eleitoral deveria fazer em toda prestação: quem recebeu, quem gastou,
quem prestou o serviço, quem votou e quem desapareceu.**

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set.-de-2026-08_58_18-1024x683.webp)

O Avante, número 70, entra nessa conta por outra porta. Em 2026, a sigla recebeu
cerca de R$ 72,5 milhões do FEFC. No primeiro semestre, ainda acessou Fundo Partidário
na casa de R$ 14 milhões. Nacionalmente, o Avante elegeu bancada pequena na Câmara
em ciclos recentes. Sete deputados federais em 2022, na série histórica que vem 
do antigo PT do B. No Piauí, a sigla não elegeu deputado federal em 2018 nem em 
2022. Joninha, em 2018, teve 24.078 votos e ficou fora. Em 2022, a bancada federal
do Estado saiu de PT, PSD, PP e PV. Mesmo sem cadeira federal piauiense, o Avante
lançou 27 candidaturas no Estado em 2026, segundo o Plural. Patrimônio mediano declarado:
R$ 0. A chapa a vereador de 2024 na capital teve 30 nomes. A chapa majoritária de
2026 virou processo. Gustavo Henrique registrou candidatura ao governo. A direção
estadual e a nacional contestaram a convenção. O TRE-PI restabeleceu registros da
chapa até julgamento definitivo. Há candidatos do 70 com situação “aguardando julgamento”,“
indeferido em prazo recursal” e até renúncia já na lista proporcional. O Avante 
nacional lançou 980 candidaturas em 2026 e, até 13 de setembro, havia repassado 
R$ 65,3 milhões a 488 nomes. Quase metade da chapa nacional ainda não aparecia como
destinatária daquele corte. A conta não prova, por si, candidatura de fachada. Prova
que o partido multiplica nome para cumprir lei, preencher urna e justificar fundo.
O eleitor da capital e do interior não vê a maioria desses nomes na rua, no palanque
nem no horário. A cláusula de desempenho existe exatamente para enxugar sigla sem
voto. Em 2026, o partido precisa de 2,5% dos votos válidos para a Câmara, com 1,5%
em nove unidades da Federação, ou 13 deputados federais espalhados por nove unidades.
Em 2030, sobe para 3% ou 15 deputados. O Estadão projetou que, se repetir 2022, 
o Avante fica de fora do Fundo Partidário e do tempo de rádio e TV. Em 2022, a legenda
teve 2% dos votos nacionais e passou de 1,5% em apenas sete Estados. Dez partidos
já ficam só com a cota mínima do FEFC. Agir, DC, PCB, PCO, PSTU, UP, Mobiliza, Missão,
PRTB e equivalentes da faixa de R$ 3,3 milhões não sustentam máquina nacional com
esse valor. Ainda assim registram candidato em dezena de Estados. O custo de manter
a sigla no papel é pago, em parte, pelo mesmo Fundo que falta no posto de saúde.
A distribuição interna do FEFC é decisão do diretório nacional. O TSE não julga 
o mérito político do critério, salvo as cotas legais. Isso cria um ponto cego. O
partido pode injetar R$ 875 mil numa candidatura de cobertura nacional e R$ 20 mil
numa lista de nomes que mal saem de casa. Os dois movimentos cabem na lei atual.
Os dois deveriam caber numa auditoria. O que a Justiça Eleitoral precisa abrir, 
com documento e não com discurso, é lista curta. Data de cada transferência do PP
para a conta de Gyselle Cajuína. CNPJ, contrato, nota e comprovante dos R$ 393 mil
de Jeová da Silva Moraes. Discriminação item a item dos R$ 421 mil em “diversas 
a especificar”. Comprovação dos R$ 75.675,67 em estimáveis. Saldo bancário na data
da renúncia. GRU de devolução do FEFC não usado. Relação prévia entre fornecedores,
candidata e partido.

> No Avante 70 do Piauí, a cobrança é a mesma e ainda mais simples. Quem recebeu
> recurso público? Quem apresentou gasto? Quem fez ato de campanha depois do registro?
> Quem está inapto, indeferido ou em renúncia depois de movimentar conta? A prestação
> no DivulgaCand é pública. Não depende de vazamento. A lei hoje premia o tamanho
> da bancada e o volume de voto passado. Não exige prova prévia de campanha real
> para liberar a cota. Não corta automaticamente partido que passa década sem eleger
> federal no Estado. Não impede o registro em série de candidatos que recebem o 
> piso e somem. A cláusula de barreira ataca o Fundo Partidário permanente. O FEFC,
> no ano da eleição, ainda pinga a cota mínima em quem não elegeu ninguém.

Mudar a regra é matéria do Congresso e, no limite, de interpretação do TSE e do 
Supremo quando a fraude está provada. Cassar chapa, como em Valença do Piauí, já
é jurisprudência. Devolver FEFC sem comprovação já é resolução. Desaprovar conta
já é rotina possível. Falta aplicar o conjunto com a mesma energia com que se homologa
registro. O eleitor piauiense paga o fundo duas vezes. Paga na tributação. Paga 
de novo quando a urna oferece nome que não fez campanha, partido que não elegeu 
e prestador que aparece como “diversas a especificar”. Gyselle Cajuína deu uma explicação
de saúde para sair. A campanha dela, o Progressistas, o Avante 70 e todas as legendas
que repetem o modelo ainda devem a explicação do dinheiro. A votação é em 4 de outubro.
A prestação de contas vem depois. O DJE do TRE-PI já registrou a homologação da 
renúncia. O que não pode ficar para depois do diploma é a conferência dos R$ 895
mil que entraram, dos R$ 519 mil que saíram e dos R$ 375 mil que a matemática deixou
no meio do caminho.
