# Jardyel Alencar: o deputado que matou no trânsito, fugiu da responsabilidade civil e agora ataca Silas Freire chamando a morte de uma mulher de “fake news”

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- Published: 2026-08-18T01:45:40+00:00
- Author: assessoriabrowbrow

> É esse o deputado que você quer que te represente? Matou no trânsito, deixou três
> filhos órfãos, arquivou o inquérito e agora trata a morte de uma mãe de família
> como “fake news” enquanto tenta calar o jornalista que ousou cobrar

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No dia 11 de setembro de 2020, na Avenida Henry Wall de Carvalho, perto da Chesf,
em Teresina, um Audi conduzido por Jadyel Alencar colidiu com uma Honda Titan 125.
A motociclista era Francimeire Almeida Mendes. Segundo testemunhas ouvidas no inquérito,
o motorista iniciou uma conversão para a direita sem dar seta, falando ao celular,
e de repente retornou o veículo para a esquerda. A colisão foi lateral. A mulher
caiu. O pneu traseiro do Audi passou por cima da cabeça dela. Ele seguiu. Só parou
quando outros motoristas fecharam a via e gritaram. A vítima ficou cerca de quarenta
minutos deitada no asfalto, consciente, sangrando, pedindo que ligassem para a família.
Quando o SAMU chegou, Jadyel se retirou. Não chamou a perícia. Cinco dias depois,
Francimeire morreu no Hospital de Urgência de Teresina. Deixou três filhos. Era 
a responsável pelo sustento da casa.

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O inquérito policial foi instaurado. A Polícia Civil concluiu sem indiciar. O Ministério
Público concordou. O procedimento criminal foi arquivado. Na esfera cível, porém,
a família ajuizou ação de indenização por danos materiais, morais e pensionamento.
O processo continua. Em decisão recente o juiz já saneou a ação e determinou que
as partes indiquem provas. A Justiça ainda vai analisar a dinâmica, o nexo causal
e os prejuízos. Não há decisão final. Mesmo assim, o parlamentar passou a afirmar
publicamente que o caso foi arquivado e que informações sobre o episódio seriam 
fake news. Alguns portais menores ecoaram a versão. A morte de uma mãe de três filhos
virou, na boca de quem estava ao volante, uma invenção a ser desmentida. E o jornalista
que cobrou o assunto passou a ser atacado. A diferença entre inquérito arquivado
e processo cível em tramitação não é detalhe técnico. É a distância entre o silêncio
institucional e a dor que ainda respira. Arquivar a investigação criminal encerra
uma fase. Não apaga o sangue no asfalto. Não devolve a mãe. Não fecha a conta dos
três filhos que ficaram sem o sustento e sem o colo. Chamar essa morte de fake news
não é defesa. É tentativa de transformar o corpo em relato descartável.

Há uma psicologia particular nesse gesto. Quem está no volante de um Audi, em avenida
movimentada, sem seta, ao celular, e depois oferece seis mil cento e sessenta e 
três reais à família como “mera liberalidade”, opera em um registro em que a vida
do outro parece negociável. A sociedade que normaliza esse registro cria um tipo
específico de impunidade: a que não precisa de absolvição formal. Basta o arquivamento
e o slogan de desinformação. O caso de Francimeire não é isolado. Em várias cidades
brasileiras, acidentes fatais envolvendo figuras públicas seguem o mesmo roteiro:
investigação lenta, arquivamento criminal, processo cível arrastado, e a narrativa
oficial tentando reduzir a vítima a um mal-entendido. A diferença aqui é a ousadia
de rotular a própria morte como fake news e de atacar quem se recusa a engolir a
versão.

## A pergunta que fica não é jurídica. É cultural. Quantas mães de família precisam ficar quarenta minutos no chão, sangrando, pedindo para ligarem para os filhos, para que o discurso de “foi arquivado” deixe de funcionar como escudo? Quantas vezes o pneu precisa passar pela cabeça para que a sociedade pare de aceitar que a dor seja reclassificada como mentira?

A Justiça ainda não julgou a indenização. A família ainda espera. O processo civil
segue. E enquanto isso, a frase “o caso foi arquivado” continua sendo repetida como
se o arquivamento do inquérito fosse o arquivamento da própria existência de Francimeire.

## Não é.
