# O APETITE QUE PODE ENTREGAR UMA CADEIRA DO SENADO A CIRO NOGUEIRA

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- Published: 2026-07-28T13:47:48+00:00
- Author: assessoriabrowbrow

## Como as investidas de Georgiano Neto sobre bases aliadas ameaçam justamente quem ele deveria proteger: o próprio pai

No tabuleiro da eleição piauiense de 2026, poucos nomes concentram tantas contradições
quanto o do deputado estadual GEORGIANO NETO (PSD). Filho do deputado federal Júlio
César, pré-candidato ao Senado, ele deveria ser o principal cabo eleitoral da candidatura
paterna. O que se vê na Assembleia Legislativa, porém, é o oposto: um parlamentar
que, movido pelo próprio projeto de poder, vem colecionando desafetos dentro da 
base governista e, com isso, empurrando aliados para os braços do maior adversário
da família, o senador CIRO NOGUEIRA. A conta é simples e cruel. São duas vagas em
disputa. Pesquisas recentes colocam Marcelo Castro (MDB) na liderança, com Ciro 
Nogueira e Júlio César empatados ou quase empatados na briga pela segunda cadeira,
todos competitivos. A candidatura de Júlio César cresce, mas depende de algo que
não se compra com estrutura nem com marketing: A LEALDADE DOS DEPUTADOS DA BASE,
que capilarizam votos no interior. E é exatamente aí que o filho vira problema.

## O INCÔMODO PÚBLICO E NOMADO

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O desconforto não é sussurro de bastidor. É público e tem nome. O deputado Fábio
Novo (PT) declarou que Georgiano acumula rejeição entre os colegas por avançar sobre
os colégios eleitorais alheios e afirmou que já foi vítima disso, perdendo base 
no interior. A frase que resume o clima foi dele: “TODOS OS DEPUTADOS ESTÃO ARMADOS,
ESPERANDO O MOMENTO CERTO DE DAR A PAULADA”. E citou até correligionários do próprio
PSD. O padrão se repete. Evaldo Gomes, outro governista, apontou como maior divergência
da base justamente a falta de alinhamento do líder do PSD com os demais deputados.
Relatos de membros do partido indicam que movimentações de Georgiano geraram desconforto
ao reduzir o poder de aliados como a deputada Simone Pereira, com queixas de que
ele teria minado lideranças e enfraquecido bases no interior. Some-se a concentração
de indicações e cargos sob seu controle, e o retrato é de um político que trata 
companheiros de chapa como concorrentes a serem neutralizados. Georgiano já assumiu
publicamente a pré-candidatura a deputado federal em 2026. A convenção do PSD homologou
seu nome. É essa ambição, sobreposta à campanha do pai, que acende o CONFLITO DE
INTERESSES. Quem precisa de palanque unido não pode ter, no comando da própria máquina,
alguém disputando voto com os aliados que deveria somar.

## O PARADOXO QUE BENEFICIA O ADVERSÁRIO

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Aqui mora o paradoxo. Cada liderança que se sente atropelada por Georgiano é um 
voto que não vai para Júlio César e que tende a migrar para quem oferece abrigo.
Do outro lado do tabuleiro está CIRO NOGUEIRA. O senador rega prefeituras com recursos
e articula apoios municipais mesmo sob o peso de uma investigação grave. Foi alvo
de busca e apreensão da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura suspeita
de propina e vantagens indevidas ligadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Ciro é, ao mesmo tempo, o pré-candidato com maior índice de rejeição no estado: 
um adversário vulnerável que só se fortalece se a base adversária se dividir. E 
é a base adversária que Georgiano vem dividindo. Ao transformar cada aliado em rival,
o deputado faz o serviço que Ciro não conseguiria fazer sozinho: FRAGILIZA A CHAPA
GOVERNISTA POR DENTRO. Não por ideologia. Não por estratégia coletiva. Por cálculo
pessoal.

## A IRONIA DO DESFECHO

Se o roteiro seguir como está, o desfecho é quase irônico. O filho que deveria eleger
o pai pode terminar como o mais eficiente, ainda que involuntário, CABO ELEITORAL
DE CIRO NOGUEIRA. A lealdade dos prefeitos e dos deputados estaduais no interior
não é abstrata: é o que decide eleições no Piauí. Quando essa lealdade é erodida
de dentro, o preço é pago por quem está no topo da chapa. A pergunta que ficará 
para o eleitor piauiense não é sobre siglas, nem sobre quem tem mais estrutura ou
mais dinheiro. É sobre prioridades. Quando o apetite de um sobrepõe o projeto de
todos, QUEM É, DE FATO, SACRIFICADO?

A frase que ressoar ;

> “QUEM TEM UM FILHO ASSIM, NEM PRECISA DE INIMIGOS POLÍTICOS.”
