# POR ELAS, PELO PIAUÍ: SAMARA OLIVEIRA, DE BERTOLÍNIA, ENTRA NA DISPUTA EM FAMÍLIA E APOSTA EM UMA CAMPANHA DE LONGO PRAZO

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- Published: 2026-10-03T18:50:08+00:00
- Author: assessoriabrowbrow

Candidata a deputada federal pelo Avante, número 7099, divide a chapa 70 com os 
tios Professor Zenivan (7088) e Marcos Canguru (7011), é sobrinha da vereadora petista
Dalvina Trindade e apresenta projeto de mandato em sete eixos para proteger e dar
autonomia às mulheres do Piauí

Uma mulher denuncia o companheiro em um município piauiense sem delegacia especializada.
Ela percorre dezenas de quilômetros para registrar a queixa, volta para casa sem
proteção e, semanas depois, precisa contar tudo de novo a outro servidor. A cena
se repete em diferentes cidades do país, e é dela que parte o projeto de mandato“
Por Elas, Pelo Piauí”, de Samara Oliveira, natural de Bertolínia. Samara entra na
disputa com uma frase que resume o tom da candidatura. Segundo ela, esta é SÓ O 
COMEÇO DA SUA CAMINHADA POLÍTICA. Não é uma campanha desenhada apenas para a urna
deste ano. É uma campanha desenhada para ser vista. O raciocínio é declarado sem
rodeios. Muita gente diz que ela não ganha, e ela sabe disso. Mas a ideia de vitória
da candidata passa por APARECER, devagar e no momento certo. Em um estado onde a
política costuma ser herdada, aparecer já é um primeiro movimento de conquista. 
A herança, aliás, pesa a favor. Samara é sobrinha da vereadora Dalvina Trindade,
do PT, e carrega o sobrenome de uma família de peso na região. Os Trindade também
são parentes do advogado Marcelo Trindade, nome conhecido do meio jurídico local.
Ela vem, como se diz, com acervo. O contraste é curioso: a sobrinha de uma vereadora
petista disputa pelo Avante, que no cenário nacional caminha com a candidatura presidencial
de Augusto Cury, o número 70, tendo Júlio Delgado como vice. A chapa é, de fato,
um negócio de família. Os três nomes disputam uma vaga de deputado federal pelo 
mesmo partido. O Professor Zenivan, número 7088, vem como representante do grupo
e assina o slogan “A voz do Cerrado piauiense no Congresso Nacional”. Marcos Canguru,
número 7011, é irmão do professor e vem à frente da campanha, com o canguru como
símbolo e o lema “O pulo da mudança”. Em seu material, Canguru associa a candidatura
ao nome de Antônio Lira, candidato ao Senado pelo número 700. E Samara, número 7099,
é sobrinha dos dois. A divisão de papéis nas redes é outra. É ela quem toma a frente
do digital, enquanto Canguru ocupa a linha de frente do corpo a corpo e Zenivan 
carrega a representação institucional do grupo. A família entra com a estrutura,
e a candidata, com a imagem. Há uma lógica eleitoral por trás dessa arquitetura.
Na eleição proporcional, os votos de todos os candidatos de um partido se somam 
para definir quantas cadeiras a legenda conquista. Três nomes da mesma família, 
com números vizinhos, cobrem territórios e públicos diferentes e alimentam o mesmo
caixa de votos. O professor fala ao eleitor do Cerrado, o Canguru, ao eleitor do
pulo da mudança, e ela, às mulheres e ao público mais jovem das redes. É uma divisão
de trabalho, não uma competição entre parentes. A estratégia ensina algo sobre a
política do interior. Em cidades pequenas, a confiança nasce do nome, do parentesco
e da presença. Uma candidatura feminina e familiar combina os três elementos. E 
a campanha quer provar mais uma coisa: que ela NÃO TEM MEDO DA POLÍTICA. O gesto
importa porque a política ainda afasta mulheres por meio de ameaça, desgaste e ataque
pessoal. É nesse ponto que a plataforma ganha sentido. O projeto de mandato nasce
de uma tese simples: proteger a mulher e ampliar sua autonomia são a mesma tarefa.
Não existe empoderamento para quem vive sob ameaça. E não existe proteção duradoura
para quem depende financeiramente do agressor. O programa se organiza em sete eixos:
proteção e combate à violência, autonomia econômica, saúde e dignidade, representação
e educação, igualdade e diversidade, moradia e segurança no cotidiano, e cultura,
esporte e comunicação. São dezenas de ações que atravessam a capital, o interior
e o campo. No eixo da proteção, o texto prevê emendas para delegacias especializadas
com funcionamento 24 horas, Patrulha Maria da Penha nos polos regionais, casas-abrigo
com acolhimento sigiloso, botão do pânico e monitoramento de agressores. Prevê também
um protocolo de avaliação de risco no primeiro atendimento e atendimento itinerante
para municípios que nunca tiveram uma delegacia da mulher.

No eixo econômico, a aposta é na independência financeira como porta de saída. Microcrédito
orientado, qualificação em horários compatíveis com a rotina de quem cuida de filhos,
fiscalização da Lei de Igualdade Salarial e apoio às quebradeiras de coco, agricultoras
familiares e extrativistas. O projeto propõe ainda que parte da merenda escolar 
e das compras públicas venha de cooperativas de mulheres, e defende creche em tempo
integral como política de emprego feminino. O terceiro eixo trata do corpo e da 
mente, com exames preventivos por carretas e mutirões no interior, pré-natal de 
qualidade, atendimento psicológico para vítimas e mães atípicas e combate à pobreza
menstrual. O que diferencia o documento está na camada seguinte, a das desigualdades
que se sobrepõem. Mulheres negras, quilombolas, indígenas, idosas e com deficiência
enfrentam barreiras próprias para denunciar, se tratar e trabalhar. O texto prevê
intérprete de Libras, acessibilidade em abrigos e combate ao machismo e ao racismo
institucional nos atendimentos. É uma admissão incômoda: muitas vezes, o serviço
que deveria acolher é o primeiro obstáculo. Há ainda uma camada sociológica que 
costuma ficar fora dos programas de segurança. O projeto reconhece o trabalho de
cuidado não remunerado como parte do problema, defende uma política nacional de 
cuidados e propõe ampliar a licença-paternidade. Trata da violência política de 
gênero e da violência digital, com punição mais firme para vazamento de imagens 
íntimas e deepfakes. O ponto mais honesto do documento é uma limitação que ele mesmo
declara. UMA DEPUTADA FEDERAL NÃO EXECUTA POLÍTICAS PÚBLICAS. Quem constrói delegacias,
contrata policiais e mantém abrigos são o governo estadual e as prefeituras. Por
isso o mandato se apoia em quatro instrumentos: leis, emendas, fiscalização e articulação
institucional.

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No campo legislativo, são quinze propostas, entre elas prioridade de matrícula em
creche para filhos de mulheres sob medida protetiva, atendimento reservado que dispense
a vítima de repetir o relato e dados de violência desagregados por raça, idade, 
deficiência e município. Esse último item parece técnico, mas muda o debate. Sem
dado desagregado, o interior some das estatísticas, e o que não aparece nos números
dificilmente recebe recurso. Nas emendas, o mandato promete critérios técnicos, 
prioridade aos municípios com maior violência e menor estrutura, preferência por
serviços contínuos em vez de obras inauguráveis e publicação aberta de cada valor
aplicado. A régua de cobrança está no próprio texto: dez indicadores, entre eles
o número de municípios com serviço especializado, a queda nos feminicídios e o tempo
de resposta a pedidos de proteção. A comparação histórica dimensiona o desafio. 
A Lei Maria da Penha completou quase duas décadas e a Lei do Feminicídio, mais de
dez anos. O país tem leis robustas, mas a distância entre a norma e a porta da delegacia
do interior continua enorme. No Piauí, essa distância se mede em quilômetros e em
horas de estrada. Resta a pergunta que a campanha, por estratégia ou por convicção,
deixa no ar. Se vencer, para Samara, é aparecer no momento certo, o que acontece
quando o momento chega e as mulheres do interior ainda esperam por uma delegacia
aberta? A resposta não depende do resultado de outubro. Depende de quanto do projeto
sairá do papel.
