# Por que a direita piauiense olha para Tiago Junqueira e CANCELA Ciro Nogueira

- Link: https://thebrowbrasil.com.br/por-que-a-direita-piauiense-olha-para-tiago-junqueira-e-cancela-ciro-nogueira/
- Published: 2026-09-26T14:59:05+00:00
- Author: assessoriabrowbrow

![](https://thebrowbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-
09-26-at-11.41.55-1024x683.webp)

![](https://thebrowbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-
09-26-at-11.40.22-1024x683.webp)

No Piauí, a disputa pelo Senado deixa de ser só nome de urna e vira teste de lealdade:
quem produz no campo contra quem vive há três décadas no Congresso. O eleitor de
direita no Piauí entra em 2026 com um problema concreto. Há duas vagas no Senado.
No campo da oposição ao governo estadual petista, o PL e o Progressistas fecharam
aliança e colocaram na mesma chapa o empresário Tiago Junqueira e o senador Ciro
Nogueira. Na prática, o voto útil da direita deixa de ser automático. Um nome chegou
ao cargo pela primeira vez. O outro está em Brasília desde 1995. Um construiu patrimônio
no agronegócio de Regeneração. O outro acumula mais de três décadas de mandato, 
passagem pela Casa Civil de Jair Bolsonaro e, agora, o peso de uma investigação 
da Polícia Federal no caso do Banco Master. Ciro Nogueira nega as acusações. A PF,
o STF e a imprensa nacional não deixaram o tema sair da pauta. O recorte que interessa
ao eleitor que se declara patriota e de direita não é o da bajulação. É o da conta.
Quem votou em Bolsonaro em 2018 e 2022, quem acompanha o agro, quem cobra oposição
sem volta ao centrão precisa saber o que cada um fez, o que cada um defende e o 
que cada um carrega nas costas.

![](https://thebrowbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-
09-26-at-11.44.43.webp)

A origem de Tiago Maximiano Junqueira não é o gabinete. Nasceu em 29 de abril de
1976, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. É o caçula de seis irmãos, filho
do advogado e produtor rural Manoel Junqueira e da professora Maria Lília. Formou-
se engenheiro agrônomo na Unesp de Jaboticabal. Em 2004, aos 28 anos, veio para 
o Piauí com a família para abrir uma fronteira agrícola no Médio Parnaíba. Comprou
terra em Regeneração quando o município ainda não tinha tradição de soja em larga
escala. A Fazenda Chapada Grande, da empresa REAL – Regeneração Agropecuária Ltda.,
hoje soma cerca de 20 mil hectares. O projeto original previa 12 mil hectares de
grãos. Houve desvio para eucalipto depois da chegada da Suzano ao Estado. A família
voltou ao plano agrícola e concluiu a área de grãos na safra de 2022. A fazenda 
emprega cerca de 90 pessoas no quadro fixo e chega a 140 na safra. Declara preservação
de mais de 30% da área e opera com mecanização, agricultura de precisão e avião 
agrícola. O site da propriedade fala em mais de um milhão de sacas de grãos na produção
anual do grupo e atuação também em São Paulo, Paraná e Goiás. Tiago vive no Piauí
há 22 anos. Casou-se em 2010 com a piauiense Jhamya Junqueira, hoje primeira suplente
da chapa 222. Recebeu título de cidadão de Regeneração em 2007, de cidadão piauiense
em 2022 e de cidadão teresinense em 2025.

Esse currículo não o transforma em santo. Em 2005, a Fazenda Chapada Grande foi 
autuada pelo Ibama por receber 898 toneladas de madeira sem licença. A multa, que
partiu de R$ 14,1 milhões, chegou a R$ 42,4 milhões em 2012. Reportagens de 2022
mostraram que o débito prescreveu no governo Bolsonaro. Em 2018, Tiago circulou 
com o chamado mitomóvel em apoio a Bolsonaro e chegou a receber vídeo gravado do
então candidato. Em 2023, um avião de sua empresa fez pouso forçado em Teresina.
O piloto e um passageiro tiveram ferimentos leves. Nada disso apaga o fato de que
o patrimônio declarado ao TSE nesta eleição, de R$ 18,28 milhões, está ligado a 
terra, quotas de empresas agropecuárias, imóveis e veículos. É patrimônio de quem
planta, não de quem só transita no Orçamento. Ciro Nogueira Lima Filho é outra história.
Piauiense, advogado formado pela PUC do Rio, chegou à Câmara em 1995 pelo antigo
PFL. Cumpriu quatro mandatos de deputado federal. Foi eleito senador em 2010 e reeleito
em 2018. Preside o Progressistas desde 2013. Entre agosto de 2021 e dezembro de 
2022, foi ministro-chefe da Casa Civil de Bolsonaro. Nunca ficou fora de Brasília
por mais de 30 anos, salvo o período no ministério. O currículo parlamentar é longo.
A fidelidade ideológica, não. Ciro apoiou governos de sinais opostos. Esteve na 
base de FHC. Aproximou-se do PT nos anos Lula. Em 2014, o PP de Ciro integrou a 
coligação que reelegeu Dilma Rousseff. Depois votou pelo impeachment. Em 2022, ajudou
a articular a reeleição de Bolsonaro e conduziu parte da transição. Depois da derrota,
passou à oposição a Lula. Em 2026, o Progressistas ficou neutro na disputa presidencial.
Tiago Junqueira, no mesmo campo estadual, declara voto em Flávio Bolsonaro e diz
que quer o Piauí fora da lanterninha da votação de esquerda. A diferença não é de
estilo. É de âncora. O peso que mudou o tabuleiro veio em 7 de maio de 2026. A Operação
Compliance Zero, da Polícia Federal, cumpriu busca e apreensão contra Ciro no inquérito
do Banco Master, de Daniel Vorcaro. A PF investiga se o senador recebeu pagamentos
mensais, entre R$ 300 mil e R$ 500 mil, além de viagens, hospedagens e outras vantagens,
em troca de atuação legislativa favorável ao banco. Relatos da investigação falam
em cerca de R$ 18 milhões em depósitos. Documentos teriam sido encontrados até na
churrasqueira da residência. A PF aponta ainda participação societária com deságio
e uso de empresa familiar. O irmão Raimundo Nogueira, primeiro suplente da chapa
de Ciro, também é investigado. Ciro classifica o caso como ataque fabricado e nega
ilícito. Presunção de inocência vale. O eleitor de direita, porém, não é obrigado
a fingir que a operação não existe.

A Folha mostrou o senador intensificando agenda no interior depois da busca. Visitou
seis municípios num único dia. Evita atrelar a imagem a bolsonaristas, segundo a
mesma reportagem, embora tenha sido ministro de Bolsonaro. Lula, em comício no Piauí,
chamou-o de vira-lata e disse que seus candidatos ao Senado são Marcelo Castro e
Júlio César. A frase do presidente não decide voto da direita. O histórico de Ciro
no centrão, sim. Patrimônio também entra na conta. Ciro declarou R$ 34,61 milhões
ao TSE em 2026, o maior entre os candidatos ao Senado no Estado. Em 2018, eram R
$ 23,31 milhões. O salto em oito anos é de 48%. A fatia maior agora está em aplicação
de renda fixa de R$ 13,48 milhões e em lucros de empresa superiores a R$ 15 milhões.
A PF apreendeu dinheiro em reais, dólares, euros e lira turca, relógios de luxo 
e veículos. A defesa tentou reaver jatinho e BMW oferecendo imóvel em Teresina. 
A PGR contestou a avaliação do bem. Tudo isso está nos autos e na imprensa. Não 
precisa de adjetivo. As pesquisas explicam por que a direita organizada olha o segundo
voto com lupa. Em junho, o Instituto Amostragem apontou Ciro como o mais rejeitado
da disputa: 18,21% dos eleitores disseram que não votariam nele de jeito nenhum.
Tiago aparecia com 4,93% de rejeição. No Datafolha de meados de setembro, Ciro, 
Marcelo Castro e Júlio César empatavam na casa dos 15% a 17%. Tiago oscilava entre
4% e 5%. Na Datamax da mesma semana, Ciro caía para terceiro e seguia com rejeição
de 17,42%. Número alto de rejeição trava crescimento. Número baixo de conhecimento,
no caso de Tiago, ainda deixa espaço. A direita que quer mudar o mapa precisa decidir
se prefere o nome conhecido e desgastado ou o nome novo e alinhado.

![](https://thebrowbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-
09-26-at-11.46.21-1024x687.webp)

**O que Tiago apresenta como pauta não é programa de gabinete. É o recorte de quem
planta no Estado desde 2004. No programa Conectando, chamou o Piauí de diamante 
bruto e disse que chegou a hora de retribuir o que o Estado lhe deu: a fazenda e
a mulher. Defendeu que o agro não é só do grande produtor do sul do Estado. Citou
os Tabuleiros Litorâneos, no litoral, e o perímetro irrigado de Guadalupe. A frase
que repetiu em entrevistas é direta. Não entende como Guadalupe ainda não virou 
uma Petrolina. Os canais de irrigação existem. Há banana plantada. Há barragens 
subutilizadas. O governo estadual já publicou estudos de PPP para os dois perímetros:
6.017 hectares irrigáveis nos Tabuleiros, com estimativa de 6 mil empregos e R$ 
853 milhões em infraestrutura, e 10.238 hectares em Guadalupe, com estimativa de
10 mil empregos e R$ 1,76 bilhão. O atraso de décadas é o ponto que o candidato 
do PL transforma em acusação política. Falta vontade, diz ele, não falta água potencial.
No debate do g1, Tiago afirmou que senadores do Estado não enfrentaram a seca com
a urgência devida. Criticou imposto sobre placa solar, hidrômetro no campo e a taxa
FDI cobrada do produtor sob o pretexto de estrada no sul. Falou em turismo de negócios
em Teresina e em investimento nos cânions, no litoral e na Serra da Capivara. Distinguiu
quem vive da máquina pública de quem já teve folha para pagar no privado. É o tipo
de fala que a direita produtiva reconhece. Não resolve sozinha a seca. Mas coloca
o Senado no eixo de irrigação, energia e carga tributária, em vez do eixo de emenda
e articulação de partido. A caravana Acorda Piauí – Rota 222 + 2 foi o instrumento
de apresentação. O próprio candidato admitiu o problema: o eleitor de direita existe,
mas muitos ainda não o conhecem. A meta declarada em maio era visitar municípios,
falar com o patriota já decidido e com quem votou em Lula em 2022 e se diz arrependido.
Em 2022, o Piauí deu a Bolsonaro cerca de 23% contra 77% de Lula. Tiago apostou 
que o Estado pode deixar de ser a maior lanterninha proporcional da direita. A frase
é ambiciosa. O PL estadual, sob a presidência dele desde 2025, partiu de base pequena.
Em 2022, a votação federal da legenda no Piauí foi residual. A convenção de 1º de
agosto de 2026 oficializou Tiago ao Senado, Jhamya como suplente e o apoio a Joel
Rodrigues no governo. Ciro e Joel subiram no palco. A foto da aliança não apaga 
a diferença de origem. Há um ponto que o eleitor de direita precisa encarar sem 
romance. Tiago e Ciro estão na mesma coligação Juntos pelo Piauí, com PODE, PL e
a federação União Progressista. Votar nos dois é o desenho da chapa. Separar os 
dois é o desenho de quem mede caráter e risco. O Progressistas de Ciro tem máquina
de prefeitos. Reportagens falam em apoio de cerca de 200 gestores, inclusive de 
partidos da base petista. Essa é a força clássica do centrão no interior. Também
é o motivo pelo qual parte da direita desconfia. Quem articula com todo mundo o 
tempo todo raramente segura uma linha. Ciro já foi o fiador do PP em Brasília. Já
foi o homem da Casa Civil. Já foi o alvo da PF. Os três capítulos cabem no mesmo
currículo. A pergunta que o título desta cobertura levanta não pede culto à personalidade.
Pede critério. O patriota de direita que quer Flávio Bolsonaro no Planalto encontra
em Tiago um aliado explícito. Em Ciro, encontra um partido que optou pela neutralidade
presidencial. O produtor que cobra irrigação em Guadalupe e nos Tabuleiros encontra
no agrônomo de Regeneração alguém que visita o perímetro desde 2004 e cobra o atraso
em público. No senador reeleito, encontra o operador de emenda, de federação e de
governo. O eleitor que rejeita investigação de mesada de banqueiro encontra em Tiago
rejeição baixa e inquérito eleitoral inexistente no mesmo grau. Em Ciro, encontra
o centro da Operação Compliance Zero. De novo: ele nega. De novo: o fato policial
existe.**

A vida de Tiago no Piauí é a de um paulista que apostou em terra barata, sofreu 
atraso de projeto, plantou soja onde não havia escala e agora pede voto com o número
222. A vida de Ciro é a de um parlamentar que nunca saiu do eixo Brasília-Teresina
do poder formal. Um construiu fazenda. O outro construiu partido. Um fala em transformar
o Estado em praça de direita e de produção. O outro tenta renovar mandato sob busca
e apreensão. O eleitor que se diz de direita raiz não precisa xingar o aliado de
chapa. Precisa ler o prontuário. O Senado que o Piauí elege em 4 de outubro não 
é vitrine. São oito anos. Quem entra leva a conta da seca, do agro familiar, da 
fruticultura irrigada, da carga tributária e da posição do Estado no mapa nacional.
Guadalupe continua sem ser Petrolina. Os Tabuleiros Litorâneos seguem no papel de
PPP. O sul do Estado produz grão e reclama de pedágio e taxa. A capital discute 
turismo de negócio e emprego. Nada disso se resolve com discurso de palanque. Resolve,
em parte, com quem tem interesse direto em ver a lavoura andar. Esse é o argumento
que a campanha de Tiago Junqueira oferece sem precisar de ouro no pulso.

![](https://thebrowbrasil.com.br/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-
09-26-at-11.47.27.webp)

Ciro Nogueira ainda pode se reeleger. Tem nome, estrutura e o hábito de sobreviver
a ciclo político. Tiago Junqueira ainda pode ficar de fora. Tem fazenda, discurso
de direita e pouca penetração nas pesquisas. A conta da urna, no entanto, não é 
só intenção de voto de junho. É o que o eleitor de oposição faz com o segundo voto
quando olha o prontuário dos dois. Um chegou para retribuir o Estado que lhe deu
terra e família. O outro chegou para não perder o assento que ocupa desde 2011. 
Entre os dois, a direita que se leva a sério já sabe onde está o risco e onde está
o ineditismo. O resto é propaganda.
