# QUANDO A FESTA VIRA NEGÓCIO E O NEGÓCIO VIRA CRIME

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- Published: 2026-05-21T07:19:25+00:00
- Author: assessoriabrowbrow

## Ministério Público e Polícia Federal investigam esquemas de rachadinha e superfaturamento em contratos de festas juninas que movimentaram R$ 7,4 bilhões em 2025

### O dinheiro público que deveria financiar a celebração da cultura popular nordestina está sendo desviado por uma engrenaria sofisticada que articula prefeitos, parlamentares, produtoras e artistas. As investigações revelam não apenas corrupção, mas a captura privada de um patrimônio coletivo.

A festa acabou antes de começar em dezenas de prefeituras brasileiras. Enquanto 
milhões de pessoas se preparavam para o São João de 2025, o Ministério Público e
a Polícia Federal intensificavam investigações sobre um dos esquemas de desvio de
recursos públicos mais ramificados do país. O alvo: contratos milionários de festas
municipais. O método: triangulação de pagamentos, superfaturamento e a velha conhecida
rachadinha, agora aplicada em escala industrial ao mercado de eventos culturais.
O resultado: BILHÕES DE REAIS desviados de cofres públicos enquanto a população 
dança ao som de uma ilusão coletiva de abundância.

> Os números são eloquentes. Em 2025, as festas juninas movimentaram R$ 7,4 BILHÕES
> no Brasil, segundo projeções do Ministério do Turismo. Só no estado de Pernambuco,
> foram investidos R$ 306,3 MILHÕES na contratação de 3.498 ARTISTAS para a realização
> de 6.215 APRESENTAÇÕES em 179 municípios. Um salto expressivo em relação aos R
> $ 203,5 MILHÕES de 2024. No mesmo período, investigadores federais e estaduais
> identificaram indícios de que entre 30% E 50% DO VALOR DE ALGUNS CONTRATOS retornavam
> de forma irregular aos cofres privados de agentes públicos e intermediários.

O esquema funciona assim. Prefeituras contratam produtoras para realização dos eventos.
Os valores são superfaturados desde a origem. Parte do dinheiro público retorna 
como caixa 2 para os gestores municipais. Outra parte é dividida com parlamentares
que destinaram emendas para os eventos. Artistas e promotores emitem recibos com
valores inflados. A diferença entre o que foi declarado e o que foi efetivamente
pago circula por meio de empresas de fachada, contas laranjas e transações em espécie.
O ciclo se fecha com a utilização das festas como palanque político, onde prefeitos
sobem ao palco, discursam e posam ao lado dos artistas contratados com dinheiro 
público. A celebração da cultura popular se transmuta em marketing eleitoral financiado
pelo erário.

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A operação mais emblemática em curso ocorre no Paraná. Conduzida pelo Gaeco e pela
Polícia Federal, a investigação apura o envolvimento de 89 PREFEITOS em esquema 
de rachadinha de emendas parlamentares. O modelo identificado pelos investigadores
é simples e devastador. Deputados indicam emendas cujos valores hoje superam os 
investimentos federal e estadual em muitos municípios. Negociam com os prefeitos
o retorno de uma comissão de até 25% DO VALOR transferido às prefeituras. Para consolidar
o esquema, artistas e promotores de eventos emitem recibos em valores maiores do
que de fato recebem. A diferença financia a propina. As apurações tramitam em sigilo
na Procuradoria Geral da República e no Tribunal de Contas da União.

O caso de Malhador, pequena cidade sergipana com 11.712 HABITANTES, ilustra a dimensão
do problema. Em março de 2025, a prefeitura contratou Wesley Safadão por R$ 900 
MIL. O cachê foi integralmente custeado por emenda de transferência especial, a 
chamada emenda Pix, do deputado Rodrigo Valadares. Se cada habitante do município
tivesse desembolsado R$ 75 pelo ingresso, ainda não seria suficiente para pagar 
a estrela do forró. O prefeito Assisinho subiu ao palco, tocou bateria, foi elogiado
por Safadão e, posteriormente, foi ao gabinete de Valadares em Brasília agradecer.
Publicou vídeo nas redes dizendo: este é o meu deputado. A frase sintetiza a lógica
do sistema. O recurso público deixa de ser direito coletivo e passa a funcionar 
como moeda de troca na economia política local.

Em Tucano, Bahia, outro episódio paradigmático. A prefeitura contratou Safadão por
R$ 1 MILHÃO para o Arraiá das Águas Quentes em 2024. Metade do valor foi custeada
por emenda do deputado Ricardo Maia, pai do prefeito. O negócio entrou na mira da
Controladoria Geral da União, que realiza pente fino nas emendas por determinação
do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A sobreposição entre vínculos
familiares, destinação de emendas e contratações milionárias sinaliza a captura 
privada do recurso público por redes de parentesco e fidelidade política.

> Os cachês praticados no mercado de festas municipais seguem uma lógica própria,
> descolada de qualquer parâmetro de razoabilidade orçamentária. Em vários municípios
> pernambucanos, artistas chegaram a receber MAIS DE R$ 1 MILHÃO POR ÚNICA APRESENTAÇÃO
> durante o São João de 2025. Wesley Safadão acumulou R$ 7,96 MILHÕES em contratos
> relacionados a festas juninas apenas em Pernambuco. Em Caruaru, foi contratado
> por R$ 1,1 MILHÃO para apresentação no Pátio de Eventos Luiz Gonzaga. Em Arcoverde,
> o cachê chegou a R$ 1,2 MILHÃO. Em Petrolina e Surubim, R$ 1,1 MILHÃO. Em Araripina,
> R$ 1,11 MILHÃO. Simone Mendes acumulou 8 CONTRATAÇÕES DE R$ 800 MIL cada uma. 
> O padrão de valores praticamente idênticos em municípios diferentes chamou a atenção
> dos investigadores. A suspeita é de que haja padronização artificial de contratos
> para dificultar auditorias e comparações técnicas.

A inflação dos cachês não é fenômeno recente, mas ganhou escala industrial com o
aumento do volume de emendas parlamentares. Em 2025, parlamentares enviaram R$ 61
MILHÕES em emendas para bancar espetáculos musicais em municípios brasileiros. A
Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, sozinha, destinou R$ 11,5 MILHÕES. 
Para festas de carnaval, foram R$ 47,7 MILHÕES, com a Bahia concentrando 73% do 
total. O mecanismo é sempre o mesmo. O parlamentar indica a emenda. O prefeito contrata
o artista. O prefeito sobe ao palco. O parlamentar recebe o agradecimento público.
A população comemora. E o dinheiro circula por fora dos registros oficiais.

A resposta institucional começou a se organizar. Ministérios Públicos estaduais,
Tribunais de Contas e órgãos de controle assinaram notas técnicas conjuntas estabelecendo
tetos e critérios para contratações artísticas. No Rio Grande do Norte, municípios
maiores ficaram limitados a R$ 700 MIL por contratação. Cidades menores, a R$ 300
MIL. Os valores máximos foram definidos com base no coeficiente do Fundo de Participação
dos Municípios, indicador da capacidade financeira de cada prefeitura. Na Bahia,
Paraíba e Pernambuco, as recomendações seguiram caminho semelhante. Os gastos devem
tomar como referência a média dos valores dos cachês de 2025 atualizada pelo IPCA.
A medida teve impacto imediato. Artistas que costumavam se apresentar em dezenas
de municípios ficaram de fora do circuito. Xand Avião, um dos principais nomes do
forró nacional, anunciou que pela primeira vez em 24 ANOS DE CARREIRA não realizaria
nenhum show de São João na Bahia em 2026. A ausência não é por escolha artística.
É consequência direta da limitação de gastos públicos.

O Ministério Público de Pernambuco, em parceria com o Tribunal de Contas do Estado,
lançou o Painel de Transparência dos Festejos Juninos. A plataforma reúne dados 
por município sobre número de apresentações, lista de artistas contratados, valores
dos cachês pagos e origem do recurso empregado. Gestores que repassam voluntariamente
as informações recebem o Selo Transparência São João. O certificado não atesta a
legalidade dos contratos, mas reconhece a participação espontânea em alimentar a
plataforma. Em 2024, 179 DAS 184 PREFEITURAS de Pernambuco informaram seus gastos.
Em 2025, o número subiu. A transparência, no entanto, não impede o desvio. Apenas
o torna mais visível.

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A dimensão psicológica do fenômeno é tão relevante quanto a dimensão criminal. Há
um gozo coletivo na festa paga com dinheiro público. O município pequeno, historicamente
relegado à invisibilidade, ganha projeção nacional ao contratar um artista de prestígio.
A população celebra. O prefeito se fortalece. O artista recebe. O parlamentar acumula
capital político. A lógica do narcisismo está posta. O que importa não é a viabilidade
financeira da contratação, mas a imagem projetada. A festa funciona como operação
de negação da escassez. Durante alguns dias, o município pobre se veste de abundância.
A precariedade estrutural desaparece do campo de visibilidade. O que se vê são luzes,
som, multidão e artistas consagrados. A celebração da cultura popular, que deveria
ser manifestação de pertencimento e memória coletiva, se transmuta em espetáculo
de consumo conspícuo financiado pelo Estado.

> Freud já demonstrou que o gozo não se confunde com prazer. O gozo é a insistência
> numa satisfação que, paradoxalmente, produz sofrimento. A população que aplaude
> o show milionário é a mesma que convive com serviços essenciais precarizados. 
> A festa dura três dias. A dívida pública permanece. O gozo está em sustentar a
> ilusão de grandeza mesmo quando ela compromete a sobrevivência futura. Christian
> Dunker observa que sociedades marcadas por desigualdade extrema desenvolvem estratégias
> de negação coletiva da própria condição. A festa municipal milionária é uma dessas
> estratégias. Ela permite que o município pobre se reconheça, ainda que momentaneamente,
> como espaço de relevância nacional. O custo dessa operação psíquica é altíssimo.
> E quem paga é sempre o mais vulnerável.

Vladimir Safatle argumenta que o cinismo é a forma hegemônica de subjetivação nas
sociedades neoliberais. O cínico sabe que o sistema é corrupto, mas age como se 
não soubesse. A população sabe que os cachês são superfaturados. Sabe que há desvio
de dinheiro público. Sabe que os serviços essenciais estão precarizados. Mas aplaude
o show. E reelege o prefeito. O cinismo não é ignorância. É a aceitação pragmática
de que a corrupção faz parte do jogo. E que a festa, ainda que financiada por dinheiro
desviado, é melhor do que nada. Essa racionalidade cínica é funcional ao sistema.
Ela desarma a revolta e naturaliza o absurdo.

A dimensão filosófica da questão remete diretamente à biopolítica foucaultiana. 
Foucault demonstrou que o poder moderno não se exerce prioritariamente pela repressão,
mas pela gestão da vida. O Estado neoliberal não proíbe a festa. Ao contrário. Ele
a financia. Mas o faz de modo a capturar o desejo coletivo e convertê lo em dispositivo
de controle. A festa municipal milionária é biopolítica porque organiza o corpo 
social em torno de um evento que o pacifica e o distrai. Enquanto a população está
no arraial, não está nas ruas cobrando saúde, educação, saneamento. A festa funciona
como válvula de escape. Ela oferece compensação simbólica pela ausência de direitos
materiais.

Byung Chul Han argumenta que as sociedades contemporâneas não operam mais pela disciplina,
mas pelo imperativo do desempenho e da positividade. O sujeito neoliberal não é 
reprimido. Ele é convocado a produzir, consumir, celebrar. A festa municipal milionária
é a tradução perfeita dessa lógica. Ela convoca a população não para a contestação,
mas para a celebração. E ao celebrar, o sujeito performa sua adesão ao sistema que
o explora. A festa não é interrupção da ordem. É sua continuidade por outros meios.

Achille Mbembe expande o conceito de biopolítica para o de necropolítica. O poder
contemporâneo não apenas gesta a vida. Ele decide quem vive e quem morre. Quem tem
acesso a serviços essenciais e quem é abandonado à própria sorte. A contratação 
de um show de R$ 1 MILHÃO em município com saúde pública colapsada é necropolítica.
Ela opera a escolha de quem merece investimento e quem pode ser deixado morrer. 
A festa é para todos. Mas o atendimento médico adequado não é. A escola equipada
não é. O saneamento básico não é. A escolha de onde investir o recurso público é
sempre uma decisão sobre quem importa e quem não importa.

> A dimensão sociológica do fenômeno articula classe, território, capital simbólico
> e estrutura institucional. Pierre Bourdieu demonstrou que o capital simbólico 
> é forma de dominação tão eficaz quanto o capital econômico. O prefeito que contrata
> o artista consagrado acumula capital simbólico. Ele se distingue dos demais gestores.
> Projeta imagem de eficiência e poder. O artista, por sua vez, legitima o prefeito
> ao aceitar o convite e ao posar ao seu lado no palco. A fotografia do prefeito
> com o artista circula nas redes sociais e nos materiais de campanha. Ela funciona
> como prova de prestígio. E prestígio, em contextos de escassez, é recurso político
> decisivo.

Jessé Souza demonstrou que a desigualdade brasileira não é apenas econômica. Ela
é também simbólica e afetiva. As classes populares são sistematicamente desqualificadas
como incapazes, preguiçosas, ignorantes. A festa municipal milionária oferece compensação
simbólica a essa desqualificação. Durante alguns dias, o município pobre é reconhecido
nacionalmente. Aparece na mídia. Recebe artistas que normalmente só se apresentam
em capitais. A população experimenta, ainda que fugazmente, o sentimento de importância.
Mas essa compensação simbólica não altera a estrutura material da desigualdade. 
Ao contrário. Ela a reproduz ao drenar recursos que poderiam ser investidos em políticas
estruturantes.

Florestan Fernandes argumentou que o capitalismo brasileiro se constitui pela combinação
entre modernização econômica e manutenção de estruturas arcaicas de poder. A festa
municipal milionária financiada por emendas parlamentares é expressão perfeita dessa
combinação. O dinheiro circula por mecanismos formais, contratos, licitações, pregões.
Mas a lógica que organiza sua distribuição é a do clientelismo, do favor, da lealdade
pessoal. O arcaico e o moderno não se opõem. Eles se articulam. E essa articulação
sustenta a reprodução da desigualdade.

Lélia Gonzalez e Carlos Hasenbalg demonstraram que a desigualdade brasileira tem
cor e tem território. Os municípios mais afetados pelos esquemas de desvio estão
concentrados no Nordeste, região historicamente marginalizada na distribuição de
recursos federais. A festa junina, manifestação cultural de matriz afro indígena
europeia, é capturada por uma lógica de mercado que a esvazia de sentido político.
O que deveria ser celebração de identidade coletiva vira negócio. E negócio, no 
capitalismo periférico, é sempre extração de renda à custa do trabalho alheio.

> As vozes dos operadores do sistema são eloquentes. O forrozeiro paraibano Flávio
> José, em entrevista à imprensa baiana, declarou que a limitação de cachês beneficia
> os artistas de forró raiz, cujos valores oscilam entre R$ 100 MIL E R$ 400 MIL.
> Afirmou que a medida tende a reacender o propósito das festas juninas, que é a
> sanfona e o forró. A frase revela a disputa em curso. De um lado, artistas consolidados
> nacionalmente que cobram cachês milionários. De outro, artistas regionais que 
> veem na limitação uma oportunidade de retomar espaço. A questão não é apenas econômica.
> É também estética e identitária. O forró eletrônico, vertente comercial do gênero,
> dominou o mercado de festas municipais nas últimas décadas. O forró de raiz, ligado
> à tradição nordestina, foi progressivamente marginalizado. A limitação de cachês
> pode alterar essa correlação de forças. Mas não sem conflito.

Promotores e procuradores que atuam nos casos reforçam que a realização de grandes
eventos não representa, por si só, qualquer irregularidade. O alerta é para que 
a população acompanhe a transparência dos gastos públicos e cobre fiscalização sobre
contratos milionários ligados ao entretenimento. A promotora Rita Tourinho, do Ministério
Público da Bahia, afirmou que a cartilha produzida pelos órgãos de controle ajuda
a explicar que não foi estabelecido um valor máximo proibitivo, mas sim um critério
de exceção. Pontuou que a medida é importante para a economicidade do município,
para que a festividade aconteça sem perder seu brilho, mas sabendo que há limites
de recursos públicos.

O procurador geral de Justiça do Ministério Público da Paraíba, Leonardo Quintans,
destacou que o Ministério Público reconhece a importância cultural e econômica das
festas juninas para os paraibanos. Afirmou que não se trata de tentar inviabilizar
essas manifestações populares, mas que é preciso aplicar critérios para os gastos.
O presidente do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, conselheiro Fábio Nogueira,
lembrou que a questão é enfrentada há muito pelo TCE, que a esse respeito editou
sua primeira Resolução em 2009. Segundo ele, a Nota Técnica visa à uniformização
de parâmetros úteis à análise preventiva, à avaliação de riscos e ao exame da capacidade
fiscal de cada ente público responsável por essas contratações. Comentou que não
parece razoável a quem quer que seja que um município em dificuldade financeira 
realize gastos excessivos com festividades.

As investigações seguem em andamento. Novos desdobramentos são esperados nos próximos
meses conforme o avanço das auditorias e da análise de documentos apreendidos. A
Controladoria Geral da União intensificou a fiscalização sobre emendas destinadas
a eventos culturais. O Tribunal de Contas da União incluiu o tema na agenda de auditorias
para o segundo semestre de 2026. Ministérios Públicos estaduais abriram dezenas 
de procedimentos preparatórios para verificar gastos desarrazoados em municípios
de todo o país. A Polícia Federal, por sua vez, aprofunda as investigações sobre
a triangulação de pagamentos e o envolvimento de parlamentares federais.

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O deputado Félix Mendonça Júnior, do PDT da Bahia, foi alvo em janeiro de 2026 de
mais uma fase da Operação Overclean. Agentes da Polícia Federal cumpriram nove mandados
de busca e apreensão para apuração de desvios no uso de emendas parlamentares, corrupção
e lavagem de dinheiro. O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, determinou
o bloqueio de R$ 24 MILHÕES em contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas.
Segundo a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa,
corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos,
além de lavagem de dinheiro. Não é a primeira vez que o deputado é alvo da operação.
Em junho de 2025, o ministro Nunes Marques havia autorizado a quebra do sigilo telefônico
do parlamentar. Félix Mendonça é de Itabuna e deputado federal desde 2011. Declarou
à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 3 MILHÕES em 2022. Afirmou, em nota, que recebeu
com surpresa a ação da PF.

A festa continua. Mas o preço está sendo cobrado. E não é apenas financeiro. É político,
institucional, simbólico. A captura privada de um patrimônio cultural coletivo corrói
a própria possibilidade de celebração comunitária. Quando a festa vira negócio, 
ela deixa de ser festa. Vira mercadoria. E mercadoria, no capitalismo, sempre tem
dono. O problema não é a festa em si. É o modo como ela está sendo financiada, organizada
e instrumentalizada. A questão que permanece é se ainda há tempo de recuperar o 
sentido público da celebração. Ou se a lógica do mercado já capturou de forma irreversível
aquilo que deveria pertencer a todos.
