# Reforma do Mercado Central abre esquema de quase R$ 23 milhões e leva o Gaeco ao Sul do Piauí

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- Published: 2026-09-10T16:52:46+00:00
- Author: assessoriabrowbrow

Justiça trava bens, corta contratos e suspende empresas após o MP apontar licitação
combinada, aditivo sem lei, obra terceirizada e indício de dinheiro vivo a agente
político. Floriano (PI) – A reforma do Mercado Público Central virou o fio de um
esquema que o Ministério Público descreve como organizado e voltado a sugar contrato
público no Sul do Piauí. Nesta quinta-feira (10), a Justiça autorizou o bloqueio
de até R$ 22,99 milhões em bens, valores e ativos de pessoas físicas e jurídicas
investigadas na Operação (DES)CONCRETAR. A ofensiva saiu da 1ª Promotoria de Justiça
local, com o GAECO, a Polícia Militar e a Polícia Civil. No mapa da ação estão 19
mandados de busca e apreensão na cidade e quatro mandados de prisão em Teresina.
O objetivo é congelar patrimônio, resguardar prova e impedir que o dinheiro escape.
O ponto de partida foi concreto. Vereadores representaram. Documentos da contratação
de uma construtora para reformar o mercado foram cruzados. Com sigilo bancário, 
telefônico e telemático quebrado, o MP diz ter encontrado certame direcionado, aditivo
sem amparo legal e movimentação incompatível com a renda declarada. O modus operandi,
segundo o GAECO, começa antes do edital. Integrantes do grupo se aproximavam de 
agentes políticos e prestavam favores para abrir caminho ao contrato seguinte.

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Na disputa, o resultado já nascia combinado. Empresas do mesmo grupo econômico entravam
juntas para fingir concorrência. Fechado o contrato, vinha o aditivo sem fundamento
legal, o objeto alterado e o valor inchado. Sem mão de obra nem estrutura para tocar
vários contratos ao mesmo tempo, a obra era subcontratada. Quem ganhava a licitação
não executava. O recurso público seguia outro rumo. Esse rumo, na tese do GAECO,
é lavagem. O dinheiro saía da prefeitura, passava de conta em conta e era picado
em saques em espécie, abaixo do limite que obriga comunicação aos órgãos de controle.
A investigação também aponta indícios de numerário vivo a um agente político do 
município e mensagens internas sobre a entrega pessoal dos valores. Além do bloqueio
de quase R$ 23 milhões, a Justiça suspendeu a atividade econômica das empresas do
grupo. Elas ficam proibidas de assinar novo contrato com o poder público. Os contratos
já em vigor com o município também foram suspensos. Um policial militar identificado
pelas iniciais W.M.C.J. estava na lista de alvos. Na busca em sua casa, agentes 
encontraram armas de fogo sem registro. Ele foi conduzido e depois liberado sob 
fiança, segundo a Corregedoria da PM. A corporação afirmou que os fatos ainda serão
apurados com contraditório, ampla defesa e presunção de inocência.

A Procuradoria-Geral do Município reagiu por nota. Disse que a prefeitura não foi
notificada, intimada ou formalmente procurada até a deflagração e que soube da operação
pela imprensa. Afirmou que colaborará se for oficialmente requisitada. Nenhum investigado
foi condenado. O que existe agora é um conjunto de medidas cautelares e a tese ministerial
de organização criminosa na engrenagem das licitações. O próximo capítulo depende
da prova que sair das buscas, das contas bloqueadas e das mensagens já sob os olhos
do GAECO.
