# Vorcaro está preso por desafiar os grandes bancos, não pelas fraudes, diz presidente do PCO

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- Published: 2026-09-22T00:07:52+00:00
- Author: assessoriabrowbrow

Rui Costa Pimenta afirma que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, virou alvo
após desafiar o domínio dos grandes bancos sobre o mercado financeiro. Para o presidente
do Partido da Causa Operária, mesmo diante das fraudes atribuídas ao empresário,
a prisão teria outra motivação: o choque com os interesses do oligopólio financeiro.

“Por mais que Daniel Vorcaro tenha cometido todo tipo de fraude, ele não está preso
por causa dessas fraudes. Ele está preso porque desafiou o controle dos grandes 
bancos sobre o mercado financeiro. Daniel Vorcaro, por incrível que pareça, é uma
vítima dos bancos”, afirmou Pimenta.

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A trajetória de Daniel Vorcaro ajuda a dimensionar o tamanho do caso. Aos 42 anos,
o empresário mineiro assumiu o antigo Banco Máxima, rebatizou a instituição como
Banco Master e adotou uma estratégia agressiva para ampliar sua presença no mercado:
CDBs com remuneração que chegou a 130% e 140% do CDI. A oferta de retornos elevados
atraiu investidores institucionais, fundos de pensão e regimes próprios de previdência.
Entre as cifras que passaram a integrar as apurações estão cerca de R$ 970 milhões
da Rioprevidência, além de recursos de instituições como Oncoclínicas e Cedae. O
crescimento, porém, terminou em uma ruptura. Em **18 de novembro de 2025**, o Banco
Central decretou a liquidação extrajudicial do Master e de outras instituições do
conglomerado. O episódio acionou o mecanismo de proteção do Fundo Garantidor de 
Créditos e se transformou em uma das maiores operações de ressarcimento da história
do sistema. No centro da investigação está uma suspeita ainda mais grave: segundo
a Polícia Federal, o grupo teria emitido e negociado títulos e carteiras de crédito
sem lastro, em operações que também envolveram o Banco de Brasília. O caso levou
o Ministério Público Federal a apontar que o BRB movimentou aproximadamente **R$
16,7 bilhões** com o Master entre 2024 e 2025, sendo cerca de **R$ 12,2 bilhões**
relacionados a papéis considerados irregulares nas apurações. A queda do banco foi
acompanhada pela queda do próprio banqueiro. Vorcaro foi preso em **17 de novembro
de 2025**, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar
em um jato particular. Posteriormente, voltou a ser preso por determinação do ministro
André Mendonça, do STF, em **4 de março de 2026**. Segundo a decisão, a medida cautelar
foi fundamentada, entre outros pontos, em risco de interferência nas investigações.

É nesse ponto que o caso ganha uma segunda narrativa. Enquanto as autoridades investigam
possíveis fraudes bilionárias, Vorcaro sustenta uma versão completamente diferente
sobre a própria queda. Em depoimento à Polícia Federal, afirmou ter sido alvo de
uma ofensiva de grandes bancos e de setores do Banco Central. Segundo ele, o Master
operava dentro das regras então vigentes do FGC e a mudança desse ambiente regulatório
teria ocorrido sob pressão de concorrentes. A versão do banqueiro também passa pela
tentativa de venda do Master ao BRB, operação que chegou a ser apresentada como 
alternativa para o futuro da instituição, mas acabou vetada pelo Banco Central. 
O próprio Vorcaro já havia levado suas críticas à concentração bancária ao Palácio
do Planalto: em 2024, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para 
tratar do tema. De um lado, as investigações descrevem um possível esquema de fraude
financeira em escala bilionária. Do outro, Vorcaro apresenta sua trajetória como
o resultado de uma disputa pelo espaço ocupado no sistema bancário.

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Entre essas duas versões está a pergunta que mantém o caso no centro do debate: **
o Banco Master caiu exclusivamente pelo peso das irregularidades investigadas ou
também se tornou o campo de uma disputa maior pelo controle do mercado financeiro?**
Pimenta já havia dito, em entrevistas ao Brasil 247, que Vorcaro fez uma investida
ilegal no terreno dos grandes bancos e que a perseguição relatada pelo próprio empresário“
era verdade”. Na mesma linha, o dirigente aponta o Banco Central como instrumento
do oligopólio ao barrar a saída via BRB. A CVM, em setembro de 2026, multou Vorcaro
em R$ 20 milhões e o Master em R$ 12,5 milhões por fraude em fundo imobiliário, 
com laudos que inflaram ativos. As multas do processo somam cerca de R$ 201 milhões.
O caso permanece sob sigilo parcial no STF. Vorcaro e o pai têm depoimento marcado
para 30 de setembro no inquérito sobre o grupo chamado de A Turma. A investigação
e a defesa seguem em curso.
