segunda-feira, 29 de junho de 2026
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Brasil

A MÃE DE MC KEVIN VAI REABRIR O CASO

6 min de leitura Verificado

Foto · @obrowbrow | The BrOW Brasil

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Cinco anos após o arquivamento, Valquíria Nascimento, MC IG e MC PH anunciam pedido formal de reabertura do inquérito com perícia independente e detetive particular. O que a investigação original não perguntou pode mudar tudo.

Kevin Nascimento Bueno morreu em 16 de maio de 2021, aos 23 anos, ao cair do quinto andar do Hotel Brisa Barra, na Barra da Tijuca. Em fevereiro de 2022, o Ministério Público do Rio arquivou o inquérito. Conclusão oficial: acidente. Kevin, sob efeito de álcool e MDMA, teria tentado pular para o andar de baixo com medo de ser flagrado pela esposa, Deolane Bezerra, numa traição com a garota de programa Bianca Domingues. Ninguém foi indiciado. O caso foi enterrado.

Agora ele volta.

No dia 11 de maio de 2026, a mãe de Kevin, Valquíria Nascimento, se pronunciou ao lado de MC IG e MC PH: a família vai protocolar pedido formal de reabertura ao Ministério Público, com contratação de perícia independente e detetive particular. Valquíria foi direta: “Eu sou a pessoa mais interessada em saber o que aconteceu no dia da morte do meu filho. Estou disposta a fazer tudo o que for possível e o impossível. Na época, eu não tinha condições de fazer nada. Hoje as coisas mudaram.” MC PH reforçou o tom: “Vamos pagar uma perícia especializada, um bom detetive, para descobrir todas as verdades e não ficar alimentando teoria de internet.” MC IG completou: “A verdade não dói para quem não teme a verdade.”

A movimentação da família não surgiu do nada. Surgiu de um acúmulo.

Dois vetores chegaram ao mesmo ponto de forma simultânea e independente. O primeiro veio de dentro do funk paulista. Spinardi, rapper e CEO da Damassaclan, publicou um vídeo exibindo o que descreve como um documento de 400 páginas com denúncias formais feitas por Gugu ao Ministério Público. A acusação central: Gugu seria informante da polícia, responsável por caguetar artistas, e teria “levado o Kevin pra ideias”. No universo do funk, a expressão designa armação deliberada contra alguém. Não é uma metáfora vaga. É uma acusação de que as circunstâncias que levaram Kevin àquele quarto naquela noite foram construídas. O segundo veio de fora. Um homem identificado como Frank, descrito como ex-integrante do PCC, publicou vídeo afirmando que a morte não foi acidente e citando o mesmo nome. Dois relatos sem coordenação aparente. Um único alvo.

Gugu não é um nome periférico nessa história. É o empresário que atuou no funk paulista por mais de 18 anos. Descobriu MC Kevin, MC Pedrinho, MC IG e MC PH. Era sócio da GR6, maior produtora de funk da América Latina, e atualmente comanda a Os 4M, empresa cujos sócios declarados são MC Pedrinho, MC IG, MC PH e, nas próprias palavras de Gugu em entrevista pública, “o saudoso MC Kevin”. O conflito entre Kevin e Gugu era público e anterior à morte: Kevin acusou a produtora de não repassar valores do Spotify, chegou a queimar a placa da GR6 ao vivo e anunciou sua saída da empresa em abril de 2021, um mês antes de morrer. “Recebi R$ 50 mil do Spotify hoje e o Rodrigo ou o Gugu pegou tudo pra eles. Não me mandaram um real”, disse Kevin em declaração que circulou amplamente. Diante das acusações de Spinardi, Gugu não negou nada diretamente. Respondeu com uma frase: “A mesma polícia que você manda pros outros é a que vai bater aí.”

O que aconteceu dentro do quarto 502 nunca foi completamente esclarecido. Bianca Domingues, a garota de programa que estava com Kevin naquela noite, usava o codinome Andreza Albuquerque em plataformas de acompanhantes de luxo. Seus perfis foram deletados horas após a repercussão do caso. Ao longo da investigação, prestou depoimentos com versões que se complementavam de formas que geraram contradições suficientes para que o Ministério Público a convocasse formalmente de volta à delegacia. Em agosto de 2021, em entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, revelou um detalhe que não havia aparecido nos depoimentos anteriores: Kevin estava pendurado na sacada e pediu ajuda a MC VK, que estava no quarto. Segundo Bianca, não foi socorrido.

Essa versão tem um corroborador externo que a investigação original não incorporou com o peso que merecia. O músico português Fernando Dimmy Jr, de 31 anos, estava hospedado no prédio em frente ao hotel, no sexto andar, quando presenciou a queda. Seu relato ao Domingo Espetacular é o mais detalhado e o mais perturbador de todo o caso. Dimmy afirmou ter visto Jhonatas entrar no quarto pela terceira vez “de uma maneira muito brusca”, movimentando-se “como um louco”. Nesse momento, segundo ele, MC VK levantou da cama e “movimentou os braços de uma forma assustadora”. Em seguida, Kevin foi para a sacada e se pendurou no parapeito. “Deu a entender que o MC VK estava incentivando o Kevin a se pendurar naquele local”, disse Dimmy. Kevin ficou com apenas uma mão apoiada. Pediu socorro em voz alta. “Ele disse: ‘Me ajuda, me ajuda’. Então, mesmo assim, o VK parece que estava a incentivar ele para ir para o andar de baixo ou largar.” Quando Kevin já estava caindo, Dimmy viu MC VK dar “um chute, como se fosse um chute no parapeito”. Kevin foi se distanciando do edifício. Ninguém o ajudou. Dimmy tentou pegar o celular para filmar e pedir socorro. Não foi a tempo.

O advogado de Bianca Domingues, Danilo Garcia de Andrade, ouviu o mesmo relato de Dimmy em separado e declarou: “Ele nos parece uma pessoa idônea, do ponto de vista de suas alegações. Elas são calmas. Merece atenção.” A ressalva do advogado foi que Dimmy não enviou documentos comprovando sua presença no local naquele dia. MC VK nunca foi indiciado. A investigação classificou sua conduta como omissão sem tipificação penal. O chute no parapeito, se verdadeiro, é outra questão.

Em 2021, o inquérito teve um recorte estrito: alguém empurrou Kevin fisicamente? A resposta foi não. O que a família quer investigar agora é diferente. Se Kevin foi levado deliberadamente àquele quarto, se o aviso sobre a chegada de Deolane foi calculado para produzir aquela reação num homem em estado alterado, se houve incentivo ativo para que ele se pendurasse na sacada, e se houve omissão de socorro quando ele ainda podia ser salvo, a discussão jurídica muda completamente de natureza. Entra em cena induzimento, dolo eventual e omissão de socorro com resultado morte. São teses de alta complexidade probatória. Mas são perguntas que o inquérito de 2021 nunca fez.

Cinco anos de silêncio estão acabando. A investigação vai começar. O que ela vai encontrar, só o inquérito dirá.

A

assessoriabrowbrow

Redação The Brow Brasil — jornalismo, investigação e cultura.

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