Ancelotti convoca os 26 para a Copa do Mundo 2026. O camisa 10 está na lista. A nação inteira está na conta.

O BRASIL CHAMOU NEYMAR. E AGORA, O QUE NEYMAR FAZ COM O BRASIL?
Ancelotti convoca os 26 para a Copa do Mundo 2026. O camisa 10 está na lista. A nação inteira está na conta. Havia um silêncio específico quando o nome saiu. Não era surpresa. Era outra coisa: aquele tipo de alívio que carrega medo dentro.
Carlo Ancelotti anunciou nesta segunda-feira, 18 de maio, no Museu do Amanhã, os 26 nomes que vão tentar buscar o hexacampeonato do Brasil. O evento durou mais de 40 minutos. O nome de Neymar chegou com aplausos. Mas aplausos no Brasil, para Neymar, já foram maiores. Já foram outra coisa.

O atacante do Santos retorna ao elenco principal depois de dois anos e sete meses de ausência. Dois anos e sete meses em que o futebol brasileiro aprendeu, ou tentou aprender, a existir sem ele. Em que novos nomes cresceram, em que o vácuo foi preenchido com esperança em outros corpos. E então ele voltou. E a esperança voltou para o lugar antigo, com toda a sua fragilidade original. Neymar tem 34 anos. Tem um joelho que já foi aberto. Tem um histórico de Copas que oscila entre o sublime e o inaceitável, e o Brasil nunca conseguiu separar uma coisa da outra quando ele está em campo. A nação ou o adora além da razão ou o julga abaixo da compaixão. Não existe meio-termo para esse homem. E talvez seja exatamente isso que o torna insubstituível: ele é o único jogador brasileiro capaz de fazer 215 milhões de pessoas sentirem a mesma coisa ao mesmo tempo, mesmo que esse sentimento seja contradição.

Éder Militão, Estêvão e Rodrygo estão fora por lesão. O Brasil chega à Copa ferido onde mais dói: na espinha dorsal do time que Ancelotti estava construindo. O técnico que veio para organizar chegou ao torneio tendo que improvisar. E convocou um homem que, tecnicamente, deveria estar além do improviso, mas que, clinicamente, ainda precisa provar que está além da dúvida.
O Brasil enfrenta Marrocos, Haiti e Escócia no Grupo C, com a estreia marcada para 13 de junho em New Jersey. Nenhum adversário na fase de grupos deveria tirar o sono da seleção canarinho. O que tira o sono não está nos gramados de Nova Jersey nem da Filadélfia. Está na cabeça de quem joga e na cabeça de quem assiste. Está na pergunta que o Brasil inteiro vai carregar até junho e talvez responder apenas nas oitavas, ou nas quartas, ou no choro de uma eliminação que ninguém quis admitir que temia:
E se Neymar não aguentar?

A resposta, ninguém tem. E é exatamente esse vazio que faz essa Copa ser diferente das outras. O Brasil não entra no torneio com certeza. Entra com fé, e fé, como todo brasileiro sabe, é a forma mais corajosa de ter medo.
FONTES: CBF; Lance!; UmDoisEsportes; Metrópoles, 18/05/2026

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