Sasha Meneghel homenageia dona Alda com a coleção de inverno 2026 da sua marca, num desfile que misturou alfaiataria de alto nível, memória afetiva e uma gravação antiga que ninguém esperava ouvir.




Quando moda e memória se encontram numa passarela, o que desfila não é roupa. É herança.
Os modelos atravessaram a passarela com a precisão de quem carrega algo frágil. Lapelas bem desenhadas, ombreiras estruturadas, calças com volume e gravatas reinventadas como jabôs. A paleta ia do marrom profundo ao preto, cortada por um vermelho queimado que aparecia no momento exato. Era a Mondepars em seu estado mais maduro até aqui. A Mondepars é a grife fundada por Sasha Meneghel, filha de Xuxa, em 2024. O nome não foi escolhido por acidente: une “monde”, mundo em francês, e “pars”, parte em latim. PARTE DO MUNDO. Um lembrete de que existimos dentro de um ecossistema. Sasha chegou à marca com quatro anos de pesquisa, formação na Parsons School of Design em Nova York e um estágio com Lenny Niemeyer. O segredo da grife, segundo ela mesma, está onde ninguém olha: acabamentos internos, costuras, a finalização que separa roupa de peça.
Em apenas um ano, o cantor Shawn Mendes foi visto usando peças da marca depois de um show. O portal norte-americano Culted a nomeou potência brasileira. Lojas abertas no JK Iguatemi em São Paulo e no Shopping Leblon no Rio de Janeiro. A Mondepars cresceu sem precisar gritar.
Mas nada disso preparou o público para o que aconteceu no dia 27 de maio de 2026, em São Paulo.
A COLEÇÃO SE CHAMA ALDA. E Alda foi uma mulher real.
Dona Alda Meneghel nasceu em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. Perdeu o pai ainda criança e encontrou abrigo com um grupo cigano, onde aprendeu a ler mãos e desenvolveu uma sensibilidade artística que nunca mais a deixou. Foi levada para um convento para se tornar freira. Abandonou tudo ao se apaixonar por Luiz Floriano Meneghel, um jovem soldado. Costureira, pintora, ceramista, figurinista. Foi ela quem fez OS PRIMEIROS FIGURINOS DE XUXA COMO A RAINHA DOS BAIXINHOS. Foi ela quem colocou tecido e tinta nas mãos da neta Sasha, ainda menina. A Mondepars não começa em 2024. Começa no ateliê de Alda.



Sasha reconstruiu a trajetória da avó peça por peça: as brincadeiras de circo com o pai ator, o convento, o casamento com o soldado. Fotos e relatos trazidos por Xuxa viraram referência criativa. A trilha sonora foi criada por Carlos Bezerra e dirigida por João Lucas, filho de Xuxa, com tecnologia Dolby Atmos, USADA PELA PRIMEIRA VEZ EM UM DESFILE DE MODA BRASILEIRO, com mais de 40 caixas de som.
No encerramento, todos os modelos atravessaram juntos a passarela. Sasha entrou depois deles.
E então a voz soou.
Era dona Alda cantando “Estrela do Mar (Um Pequenino Grão de Areia)”, de Edson Cordeiro. A música que ela cantava para os filhos quando chovia muito. Uma gravação antiga que Sasha encontrou e que a fez parar, porque ERA A PRIMEIRA VEZ EM MUITO TEMPO QUE OUVIA A VOZ DA AVÓ.
Na plateia, Xuxa foi às lágrimas.
Três gerações de mulheres atravessaram aquela passarela naquele dia. Alda não estava lá em pessoa. Mas a voz dela sim. E quando ela soou, o que o público ouviu não foi moda.
Foi o som de tudo que uma família guarda sem saber que um dia vai virar arte.

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