quarta-feira, 28 de outubro de 2026
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Órfãos da Combustão, Donos do Futuro: A saída da Land Rover e o novo atestado de status nas metrópoles

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Foto · @obrowbrow | REVISTA The BrOW Brasil

O encerramento da produção da Jaguar Land Rover em Itatiaia não representa apenas a despedida de uma fábrica. É um retrato da transformação silenciosa do poder industrial global e da ascensão de um novo protagonista no mercado brasileiro. Durante uma década, a planta fluminense simbolizou a aposta de uma das mais tradicionais fabricantes britânicas no Brasil. Agora, A MUDANÇA DE COMANDO REVELA QUE A COMPETIÇÃO GLOBAL JÁ NÃO SEGUE AS REGRAS DE ONTEM.

A cena é simbólica. Portões fechados. Linhas de montagem silenciosas. Uma fábrica construída para representar o futuro da indústria premium brasileira encerra um ciclo que começou com entusiasmo, investimento bilionário e expectativas elevadas. Mas a história não termina quando as máquinas param. Na verdade, É NESSE MOMENTO QUE ELA COMEÇA. Após aproximadamente dez anos de operação, a Jaguar Land Rover decidiu encerrar a produção nacional dos modelos Discovery Sport e Range Rover Evoque na unidade de Itatiaia, no sul do estado do Rio de Janeiro. Inaugurada em 2016, a fábrica recebeu investimentos superiores a R$ 1 bilhão e marcou um feito histórico: tornou-se a primeira unidade produtiva da marca britânica instalada fora do Reino Unido. A aposta parecia sólida. O Brasil despontava como um mercado promissor para veículos de luxo, e produzir localmente significava reduzir custos, ampliar competitividade e fortalecer a presença da marca na América Latina. O cenário, entretanto, mudou. Nos últimos anos, o mercado premium brasileiro encolheu para a produção nacional desses modelos. As vendas passaram a operar em volumes insuficientes para justificar uma estrutura industrial desse porte. Em 2025, os dois utilitários esportivos somaram apenas 757 unidades comercializadas no país.

OS NÚMEROS DEIXARAM DE SUSTENTAR O PROJETO ?

Entretanto, interpretar esse episódio apenas como o fechamento de uma fábrica seria reduzir uma transformação muito maior. A indústria automobilística vive uma redistribuição global de forças. Durante décadas, fabricantes europeias, norte-americanas e japonesas ocuparam praticamente todo o protagonismo tecnológico e industrial. Hoje, o eixo de inovação se desloca rapidamente para a Ásia, especialmente para a China, que deixou de ser apenas a fábrica do mundo para se tornar também um dos principais centros mundiais de desenvolvimento em eletrificação, baterias, softwares embarcados e inteligência automotiva. É justamente nesse contexto que surge um novo capítulo. Tudo indica que o complexo industrial de Itatiaia será assumido pelo Grupo Chery, por meio das marcas Omoda & Jaecoo. O plano prevê ampliar significativamente a produção nacional, com foco em SUVs híbridos e elétricos, elevando gradualmente a capacidade da planta para até 100 mil veículos por ano.

A IMAGEM É PODEROSA. Onde antes eram montados utilitários britânicos de luxo, poderão sair veículos desenvolvidos dentro da nova estratégia tecnológica chinesa. Não se trata apenas de trocar uma marca por outra. TRATA-SE DA SUBSTITUIÇÃO DE UM MODELO INDUSTRIAL POR OUTRO. A Jaguar Land Rover apostava em produção de baixo volume voltada ao segmento premium. A estratégia chinesa, ao contrário, combina escala, eletrificação, integração tecnológica e expansão regional, utilizando o Brasil como plataforma para abastecer mercados da América Latina. Sob a perspectiva econômica, a mudança pode representar novos empregos, reativação da cadeia de fornecedores e aumento da utilização de uma estrutura industrial que vinha operando muito abaixo de sua capacidade. Sob a perspectiva geopolítica, porém, o significado é ainda maior. A CHINA AVANÇA ONDE MUITAS MONTADORAS TRADICIONAIS DECIDIRAM RECUAR. Isso não acontece por acaso. A indústria automotiva deixou de disputar apenas motores, potência e design. A nova corrida envolve inteligência artificial, softwares, conectividade, eletrificação, cadeias globais de minerais estratégicos e capacidade de inovação em larga escala. Quem compreender essa mudança primeiro definirá o mercado das próximas décadas. O fechamento da produção da Land Rover em Itatiaia não simboliza apenas o fim de uma fábrica. SIMBOLIZA O FIM DE UMA LÓGICA INDUSTRIAL QUE DOMINOU O SÉCULO XX.Enquanto um portão se fecha no interior do Rio de Janeiro, outro se abre para uma disputa muito maior: aquela que decidirá quais países produzirão a tecnologia do futuro e quais apenas a consumirão. No silêncio deixado pelas linhas de montagem, talvez a pergunta mais importante não seja por que uma fábrica encerrou suas atividades.

A verdadeira questão é outra. O BRASIL ESTÁ PREPARADO PARA SER PROTAGONISTA DA NOVA INDÚSTRIA AUTOMOTIVA OU APENAS O PALCO ONDE ESSA TRANSFORMAÇÃO ACONTECE?

RB

Redação The Brow Brasil

Redação The Brow Brasil, jornalismo, investigação e cultura.

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