segunda-feira, 29 de junho de 2026
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Justiça

QUANDO A FESTA VIRA NEGÓCIO E O NEGÓCIO VIRA CRIME

17 min de leitura Verificado

Foto · @obrowbrow | The BrOW Brasil

Ministério Público e Polícia Federal investigam esquemas de rachadinha e superfaturamento em contratos de festas juninas que movimentaram R$ 7,4 bilhões em 2025

O dinheiro público que deveria financiar a celebração da cultura popular nordestina está sendo desviado por uma engrenaria sofisticada que articula prefeitos, parlamentares, produtoras e artistas. As investigações revelam não apenas corrupção, mas a captura privada de um patrimônio coletivo.

A festa acabou antes de começar em dezenas de prefeituras brasileiras. Enquanto milhões de pessoas se preparavam para o São João de 2025, o Ministério Público e a Polícia Federal intensificavam investigações sobre um dos esquemas de desvio de recursos públicos mais ramificados do país. O alvo: contratos milionários de festas municipais. O método: triangulação de pagamentos, superfaturamento e a velha conhecida rachadinha, agora aplicada em escala industrial ao mercado de eventos culturais. O resultado: BILHÕES DE REAIS desviados de cofres públicos enquanto a população dança ao som de uma ilusão coletiva de abundância.

Os números são eloquentes. Em 2025, as festas juninas movimentaram R$ 7,4 BILHÕES no Brasil, segundo projeções do Ministério do Turismo. Só no estado de Pernambuco, foram investidos R$ 306,3 MILHÕES na contratação de 3.498 ARTISTAS para a realização de 6.215 APRESENTAÇÕES em 179 municípios. Um salto expressivo em relação aos R$ 203,5 MILHÕES de 2024. No mesmo período, investigadores federais e estaduais identificaram indícios de que entre 30% E 50% DO VALOR DE ALGUNS CONTRATOS retornavam de forma irregular aos cofres privados de agentes públicos e intermediários.

O esquema funciona assim. Prefeituras contratam produtoras para realização dos eventos. Os valores são superfaturados desde a origem. Parte do dinheiro público retorna como caixa 2 para os gestores municipais. Outra parte é dividida com parlamentares que destinaram emendas para os eventos. Artistas e promotores emitem recibos com valores inflados. A diferença entre o que foi declarado e o que foi efetivamente pago circula por meio de empresas de fachada, contas laranjas e transações em espécie. O ciclo se fecha com a utilização das festas como palanque político, onde prefeitos sobem ao palco, discursam e posam ao lado dos artistas contratados com dinheiro público. A celebração da cultura popular se transmuta em marketing eleitoral financiado pelo erário.

A operação mais emblemática em curso ocorre no Paraná. Conduzida pelo Gaeco e pela Polícia Federal, a investigação apura o envolvimento de 89 PREFEITOS em esquema de rachadinha de emendas parlamentares. O modelo identificado pelos investigadores é simples e devastador. Deputados indicam emendas cujos valores hoje superam os investimentos federal e estadual em muitos municípios. Negociam com os prefeitos o retorno de uma comissão de até 25% DO VALOR transferido às prefeituras. Para consolidar o esquema, artistas e promotores de eventos emitem recibos em valores maiores do que de fato recebem. A diferença financia a propina. As apurações tramitam em sigilo na Procuradoria Geral da República e no Tribunal de Contas da União.

O caso de Malhador, pequena cidade sergipana com 11.712 HABITANTES, ilustra a dimensão do problema. Em março de 2025, a prefeitura contratou Wesley Safadão por R$ 900 MIL. O cachê foi integralmente custeado por emenda de transferência especial, a chamada emenda Pix, do deputado Rodrigo Valadares. Se cada habitante do município tivesse desembolsado R$ 75 pelo ingresso, ainda não seria suficiente para pagar a estrela do forró. O prefeito Assisinho subiu ao palco, tocou bateria, foi elogiado por Safadão e, posteriormente, foi ao gabinete de Valadares em Brasília agradecer. Publicou vídeo nas redes dizendo: este é o meu deputado. A frase sintetiza a lógica do sistema. O recurso público deixa de ser direito coletivo e passa a funcionar como moeda de troca na economia política local.

Em Tucano, Bahia, outro episódio paradigmático. A prefeitura contratou Safadão por R$ 1 MILHÃO para o Arraiá das Águas Quentes em 2024. Metade do valor foi custeada por emenda do deputado Ricardo Maia, pai do prefeito. O negócio entrou na mira da Controladoria Geral da União, que realiza pente fino nas emendas por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A sobreposição entre vínculos familiares, destinação de emendas e contratações milionárias sinaliza a captura privada do recurso público por redes de parentesco e fidelidade política.

Os cachês praticados no mercado de festas municipais seguem uma lógica própria, descolada de qualquer parâmetro de razoabilidade orçamentária. Em vários municípios pernambucanos, artistas chegaram a receber MAIS DE R$ 1 MILHÃO POR ÚNICA APRESENTAÇÃO durante o São João de 2025. Wesley Safadão acumulou R$ 7,96 MILHÕES em contratos relacionados a festas juninas apenas em Pernambuco. Em Caruaru, foi contratado por R$ 1,1 MILHÃO para apresentação no Pátio de Eventos Luiz Gonzaga. Em Arcoverde, o cachê chegou a R$ 1,2 MILHÃO. Em Petrolina e Surubim, R$ 1,1 MILHÃO. Em Araripina, R$ 1,11 MILHÃO. Simone Mendes acumulou 8 CONTRATAÇÕES DE R$ 800 MIL cada uma. O padrão de valores praticamente idênticos em municípios diferentes chamou a atenção dos investigadores. A suspeita é de que haja padronização artificial de contratos para dificultar auditorias e comparações técnicas.

A inflação dos cachês não é fenômeno recente, mas ganhou escala industrial com o aumento do volume de emendas parlamentares. Em 2025, parlamentares enviaram R$ 61 MILHÕES em emendas para bancar espetáculos musicais em municípios brasileiros. A Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, sozinha, destinou R$ 11,5 MILHÕES. Para festas de carnaval, foram R$ 47,7 MILHÕES, com a Bahia concentrando 73% do total. O mecanismo é sempre o mesmo. O parlamentar indica a emenda. O prefeito contrata o artista. O prefeito sobe ao palco. O parlamentar recebe o agradecimento público. A população comemora. E o dinheiro circula por fora dos registros oficiais.

A resposta institucional começou a se organizar. Ministérios Públicos estaduais, Tribunais de Contas e órgãos de controle assinaram notas técnicas conjuntas estabelecendo tetos e critérios para contratações artísticas. No Rio Grande do Norte, municípios maiores ficaram limitados a R$ 700 MIL por contratação. Cidades menores, a R$ 300 MIL. Os valores máximos foram definidos com base no coeficiente do Fundo de Participação dos Municípios, indicador da capacidade financeira de cada prefeitura. Na Bahia, Paraíba e Pernambuco, as recomendações seguiram caminho semelhante. Os gastos devem tomar como referência a média dos valores dos cachês de 2025 atualizada pelo IPCA. A medida teve impacto imediato. Artistas que costumavam se apresentar em dezenas de municípios ficaram de fora do circuito. Xand Avião, um dos principais nomes do forró nacional, anunciou que pela primeira vez em 24 ANOS DE CARREIRA não realizaria nenhum show de São João na Bahia em 2026. A ausência não é por escolha artística. É consequência direta da limitação de gastos públicos.

O Ministério Público de Pernambuco, em parceria com o Tribunal de Contas do Estado, lançou o Painel de Transparência dos Festejos Juninos. A plataforma reúne dados por município sobre número de apresentações, lista de artistas contratados, valores dos cachês pagos e origem do recurso empregado. Gestores que repassam voluntariamente as informações recebem o Selo Transparência São João. O certificado não atesta a legalidade dos contratos, mas reconhece a participação espontânea em alimentar a plataforma. Em 2024, 179 DAS 184 PREFEITURAS de Pernambuco informaram seus gastos. Em 2025, o número subiu. A transparência, no entanto, não impede o desvio. Apenas o torna mais visível.

A dimensão psicológica do fenômeno é tão relevante quanto a dimensão criminal. Há um gozo coletivo na festa paga com dinheiro público. O município pequeno, historicamente relegado à invisibilidade, ganha projeção nacional ao contratar um artista de prestígio. A população celebra. O prefeito se fortalece. O artista recebe. O parlamentar acumula capital político. A lógica do narcisismo está posta. O que importa não é a viabilidade financeira da contratação, mas a imagem projetada. A festa funciona como operação de negação da escassez. Durante alguns dias, o município pobre se veste de abundância. A precariedade estrutural desaparece do campo de visibilidade. O que se vê são luzes, som, multidão e artistas consagrados. A celebração da cultura popular, que deveria ser manifestação de pertencimento e memória coletiva, se transmuta em espetáculo de consumo conspícuo financiado pelo Estado.

Freud já demonstrou que o gozo não se confunde com prazer. O gozo é a insistência numa satisfação que, paradoxalmente, produz sofrimento. A população que aplaude o show milionário é a mesma que convive com serviços essenciais precarizados. A festa dura três dias. A dívida pública permanece. O gozo está em sustentar a ilusão de grandeza mesmo quando ela compromete a sobrevivência futura. Christian Dunker observa que sociedades marcadas por desigualdade extrema desenvolvem estratégias de negação coletiva da própria condição. A festa municipal milionária é uma dessas estratégias. Ela permite que o município pobre se reconheça, ainda que momentaneamente, como espaço de relevância nacional. O custo dessa operação psíquica é altíssimo. E quem paga é sempre o mais vulnerável.

Vladimir Safatle argumenta que o cinismo é a forma hegemônica de subjetivação nas sociedades neoliberais. O cínico sabe que o sistema é corrupto, mas age como se não soubesse. A população sabe que os cachês são superfaturados. Sabe que há desvio de dinheiro público. Sabe que os serviços essenciais estão precarizados. Mas aplaude o show. E reelege o prefeito. O cinismo não é ignorância. É a aceitação pragmática de que a corrupção faz parte do jogo. E que a festa, ainda que financiada por dinheiro desviado, é melhor do que nada. Essa racionalidade cínica é funcional ao sistema. Ela desarma a revolta e naturaliza o absurdo.

A dimensão filosófica da questão remete diretamente à biopolítica foucaultiana. Foucault demonstrou que o poder moderno não se exerce prioritariamente pela repressão, mas pela gestão da vida. O Estado neoliberal não proíbe a festa. Ao contrário. Ele a financia. Mas o faz de modo a capturar o desejo coletivo e convertê lo em dispositivo de controle. A festa municipal milionária é biopolítica porque organiza o corpo social em torno de um evento que o pacifica e o distrai. Enquanto a população está no arraial, não está nas ruas cobrando saúde, educação, saneamento. A festa funciona como válvula de escape. Ela oferece compensação simbólica pela ausência de direitos materiais.

Byung Chul Han argumenta que as sociedades contemporâneas não operam mais pela disciplina, mas pelo imperativo do desempenho e da positividade. O sujeito neoliberal não é reprimido. Ele é convocado a produzir, consumir, celebrar. A festa municipal milionária é a tradução perfeita dessa lógica. Ela convoca a população não para a contestação, mas para a celebração. E ao celebrar, o sujeito performa sua adesão ao sistema que o explora. A festa não é interrupção da ordem. É sua continuidade por outros meios.

Achille Mbembe expande o conceito de biopolítica para o de necropolítica. O poder contemporâneo não apenas gesta a vida. Ele decide quem vive e quem morre. Quem tem acesso a serviços essenciais e quem é abandonado à própria sorte. A contratação de um show de R$ 1 MILHÃO em município com saúde pública colapsada é necropolítica. Ela opera a escolha de quem merece investimento e quem pode ser deixado morrer. A festa é para todos. Mas o atendimento médico adequado não é. A escola equipada não é. O saneamento básico não é. A escolha de onde investir o recurso público é sempre uma decisão sobre quem importa e quem não importa.

A dimensão sociológica do fenômeno articula classe, território, capital simbólico e estrutura institucional. Pierre Bourdieu demonstrou que o capital simbólico é forma de dominação tão eficaz quanto o capital econômico. O prefeito que contrata o artista consagrado acumula capital simbólico. Ele se distingue dos demais gestores. Projeta imagem de eficiência e poder. O artista, por sua vez, legitima o prefeito ao aceitar o convite e ao posar ao seu lado no palco. A fotografia do prefeito com o artista circula nas redes sociais e nos materiais de campanha. Ela funciona como prova de prestígio. E prestígio, em contextos de escassez, é recurso político decisivo.

Jessé Souza demonstrou que a desigualdade brasileira não é apenas econômica. Ela é também simbólica e afetiva. As classes populares são sistematicamente desqualificadas como incapazes, preguiçosas, ignorantes. A festa municipal milionária oferece compensação simbólica a essa desqualificação. Durante alguns dias, o município pobre é reconhecido nacionalmente. Aparece na mídia. Recebe artistas que normalmente só se apresentam em capitais. A população experimenta, ainda que fugazmente, o sentimento de importância. Mas essa compensação simbólica não altera a estrutura material da desigualdade. Ao contrário. Ela a reproduz ao drenar recursos que poderiam ser investidos em políticas estruturantes.

Florestan Fernandes argumentou que o capitalismo brasileiro se constitui pela combinação entre modernização econômica e manutenção de estruturas arcaicas de poder. A festa municipal milionária financiada por emendas parlamentares é expressão perfeita dessa combinação. O dinheiro circula por mecanismos formais, contratos, licitações, pregões. Mas a lógica que organiza sua distribuição é a do clientelismo, do favor, da lealdade pessoal. O arcaico e o moderno não se opõem. Eles se articulam. E essa articulação sustenta a reprodução da desigualdade.

Lélia Gonzalez e Carlos Hasenbalg demonstraram que a desigualdade brasileira tem cor e tem território. Os municípios mais afetados pelos esquemas de desvio estão concentrados no Nordeste, região historicamente marginalizada na distribuição de recursos federais. A festa junina, manifestação cultural de matriz afro indígena europeia, é capturada por uma lógica de mercado que a esvazia de sentido político. O que deveria ser celebração de identidade coletiva vira negócio. E negócio, no capitalismo periférico, é sempre extração de renda à custa do trabalho alheio.

As vozes dos operadores do sistema são eloquentes. O forrozeiro paraibano Flávio José, em entrevista à imprensa baiana, declarou que a limitação de cachês beneficia os artistas de forró raiz, cujos valores oscilam entre R$ 100 MIL E R$ 400 MIL. Afirmou que a medida tende a reacender o propósito das festas juninas, que é a sanfona e o forró. A frase revela a disputa em curso. De um lado, artistas consolidados nacionalmente que cobram cachês milionários. De outro, artistas regionais que veem na limitação uma oportunidade de retomar espaço. A questão não é apenas econômica. É também estética e identitária. O forró eletrônico, vertente comercial do gênero, dominou o mercado de festas municipais nas últimas décadas. O forró de raiz, ligado à tradição nordestina, foi progressivamente marginalizado. A limitação de cachês pode alterar essa correlação de forças. Mas não sem conflito.

Promotores e procuradores que atuam nos casos reforçam que a realização de grandes eventos não representa, por si só, qualquer irregularidade. O alerta é para que a população acompanhe a transparência dos gastos públicos e cobre fiscalização sobre contratos milionários ligados ao entretenimento. A promotora Rita Tourinho, do Ministério Público da Bahia, afirmou que a cartilha produzida pelos órgãos de controle ajuda a explicar que não foi estabelecido um valor máximo proibitivo, mas sim um critério de exceção. Pontuou que a medida é importante para a economicidade do município, para que a festividade aconteça sem perder seu brilho, mas sabendo que há limites de recursos públicos.

O procurador geral de Justiça do Ministério Público da Paraíba, Leonardo Quintans, destacou que o Ministério Público reconhece a importância cultural e econômica das festas juninas para os paraibanos. Afirmou que não se trata de tentar inviabilizar essas manifestações populares, mas que é preciso aplicar critérios para os gastos. O presidente do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba, conselheiro Fábio Nogueira, lembrou que a questão é enfrentada há muito pelo TCE, que a esse respeito editou sua primeira Resolução em 2009. Segundo ele, a Nota Técnica visa à uniformização de parâmetros úteis à análise preventiva, à avaliação de riscos e ao exame da capacidade fiscal de cada ente público responsável por essas contratações. Comentou que não parece razoável a quem quer que seja que um município em dificuldade financeira realize gastos excessivos com festividades.

As investigações seguem em andamento. Novos desdobramentos são esperados nos próximos meses conforme o avanço das auditorias e da análise de documentos apreendidos. A Controladoria Geral da União intensificou a fiscalização sobre emendas destinadas a eventos culturais. O Tribunal de Contas da União incluiu o tema na agenda de auditorias para o segundo semestre de 2026. Ministérios Públicos estaduais abriram dezenas de procedimentos preparatórios para verificar gastos desarrazoados em municípios de todo o país. A Polícia Federal, por sua vez, aprofunda as investigações sobre a triangulação de pagamentos e o envolvimento de parlamentares federais.

O deputado Félix Mendonça Júnior, do PDT da Bahia, foi alvo em janeiro de 2026 de mais uma fase da Operação Overclean. Agentes da Polícia Federal cumpriram nove mandados de busca e apreensão para apuração de desvios no uso de emendas parlamentares, corrupção e lavagem de dinheiro. O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$ 24 MILHÕES em contas bancárias de pessoas físicas e empresas investigadas. Segundo a PF, os investigados poderão responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. Não é a primeira vez que o deputado é alvo da operação. Em junho de 2025, o ministro Nunes Marques havia autorizado a quebra do sigilo telefônico do parlamentar. Félix Mendonça é de Itabuna e deputado federal desde 2011. Declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 3 MILHÕES em 2022. Afirmou, em nota, que recebeu com surpresa a ação da PF.

A festa continua. Mas o preço está sendo cobrado. E não é apenas financeiro. É político, institucional, simbólico. A captura privada de um patrimônio cultural coletivo corrói a própria possibilidade de celebração comunitária. Quando a festa vira negócio, ela deixa de ser festa. Vira mercadoria. E mercadoria, no capitalismo, sempre tem dono. O problema não é a festa em si. É o modo como ela está sendo financiada, organizada e instrumentalizada. A questão que permanece é se ainda há tempo de recuperar o sentido público da celebração. Ou se a lógica do mercado já capturou de forma irreversível aquilo que deveria pertencer a todos.

A

assessoriabrowbrow

Redação The Brow Brasil — jornalismo, investigação e cultura.

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