Rivais do partido de Lula deverão investir nas críticas das políticas de segurança pública na Bahia, no Ceará, no Piauí e no Rio Grande do Norte; governo baiano diz que redução da violência é ‘compromisso permanente’; demais Estados não se manifestaram
BRASÍLIA – A oposição nos Estados governados pelo PT no Nordeste já definiu os principais “telhados de vidro” que devem ser explorados na tentativa de impedir o partido de manter seu domínio no Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Bahia.

O principal deles será a segurança pública, uma área em que o PT sempre patinou. Os quatro Estados superaram a taxa média de homicídios dolosos do Brasil em 2024, que ficou em 16,64 mortes por 100 mil habitantes, segundo o Mapa da Segurança Pública 2025, elaborado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O Piauí registrou taxa de 17,3, enquanto a do Rio Grande do Norte foi de 18,46 e a da Bahia, de 28,32. O Ceará obteve a pior taxa do País, de 34,42 mortes por 100 mil habitantes.
Procurado, o governo da Bahia disse que “trata a redução da violência letal como compromisso permanente, com metas, monitoramento e prestação de contas” (veja a íntegra da resposta mais abaixo). Os demais Estados não responderam.

Duas das capitais, Fortaleza e Salvador, aparecem entre os cinco municípios com maiores números de homicídios dolosos em 2024. Além disso, Bahia (40,6) e Ceará (37,5) ocupam, respectivamente, a segunda e terceira colocação entre os Estados com mais mortes violentas por 100 mil habitantes, segundo os dados do Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 2025.
Mesmo antes do início formal da campanha os dados negativos já são explorados por oposicionistas nas redes sociais.
Principal adversário de Jerônimo Rodrigues (PT) ao governo da Bahia, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) ataca a política de segurança do petista. “Eu tenho rodado o interior da Bahia e ouvido relatos que tiram o sono. O medo chegou onde antes as portas ficavam abertas, as crianças brincavam na rua e as famílias viviam com tranquilidade. Isso não é exagero. É a vida real de muitas cidades baianas”, disse em vídeo postado nas redes sociais.
Na avaliação de aliados de ACM Neto, essa é a melhor oportunidade que o grupo tem contra o PT, que pode vencer a sexta eleição consecutiva para o governo do Estado. “Eles já estão há 20 anos no poder e todos os indicadores sociais pioraram”, disse o deputado federal Paulo Azi (União-BA). “É o campeão nacional de mortes violentas. Na Bahia morrem muito mais gente do que em São Paulo e no Rio de Janeiro, Estados muito maiores que a Bahia.”
Pesquisa Genial/Quaest divulgada no final de abril mostra empate técnico entre os dois. Neto aparece numericamente à frente, com 41% dos votos ante 37% de Jerônimo. A margem de erro é de três pontos porcentuais.
No Ceará, o discurso é parecido. Principal adversário do governador Elmano de Freitas (PT), o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) se alinhou ao bolsonarismo no Estado para tentar derrotar o petista. Uma das principais fragilidades que ele explora em seus discursos também é a crise na segurança pública cearense.
“As facções tomaram conta do Estado. O Ceará subiu para um dos primeiros Estados do Brasil no cometimento de crimes”, disse o pré-candidato durante ato de campanha no Ceará neste final de semana.
Pesquisa da Genial/Quaest também do final de abril mostra outro cenário de empate técnico, mas apenas quando o adversário é o ex-ministro da Educação Camilo Santana. Num eventual segundo turno, Camilo aparece com 44%, ante 39% de Ciro. Quando a simulação é com Elmano, o tucano tem 46%, ante 35% do petista.
Bahia e Ceará aparecem entre os Estados com piores indicadores de segurança pública. O tema também é explorado pela oposição ao governo Fátima Bezerra no Rio Grande do Norte.
“Estamos assistindo o pior governo do Rio Grande do Norte. A criminalidade, a marginalidade, o tráfico de drogas rola solto aqui no RN. Os cidadãos inseguros, as facções tocando o terror, incendiando ônibus, promovendo assaltos continuamente sem que o governo do Estado tenha uma ação eficiente e coloque a polícia nas ruas”, disse Álvaro Costa Dias (PL), candidato do bolsonarismo no Estado.
O deputado General Girão (PL-RN) vê desgaste natural “enorme” de Fátima Bezerra. “Os índices de educação são os piores possíveis do Brasil já há mais de três anos. Os índices da economia idem, o Estado está cheio de buracos nas estradas”, afirma.
Ele também cita o aumento do endividamento do Estado na gestão Bezerra. “O governo (do ex-presidente Jair) Bolsonaro pagou corretamente o fundo de participação dos Estados. Agora, nem com o pagamento de dívidas que ela (Fátima) tem, dívidas com a Previdência, que o governo federal resolveu ajudar ela pagando precatórios, nem com isso daí ela tá conseguindo acertar as dívidas, as contas do Estado. Por quê? Porque ela gasta mais do que arrecada”, afirma.
Desafios do PT no Rio Grande do Norte
No Rio Grande do Norte, o Partido dos Trabalhadores (PT) está enfrentando desafios sérios, especialmente após o rompimento do vice-governador com a atual governadora Fátima Bezerra. O ex-secretário da Fazenda, Cadu Xavier, está em busca de apoio para a sua candidatura, mas aparece em desvantagem nas pesquisas. Segundo um levantamento do Real Time Big Data, ele ocupa a terceira posição com apenas 11% das intenções de voto, atrás do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, que lidera com 42%.
A Importância da Segurança Pública

Marco Antônio Carvalho Teixeira, cientista político da Fundação Getúlio Vargas, aponta que a segurança pública será um tema central nas próximas eleições estaduais. O impacto não se restringe ao estado, mas também afeta a imagem do presidente Lula, dada a conexão com o governante a nível nacional. O cenário é desfavorável em três dos quatro estados para o PT, com o Piauí se destacando pela sua menor vulnerabilidade.
A Situação Favorável do Piauí
No Piauí, a situação do PT é mais tranquila, com o governador Rafael Fonteles liderando as pesquisas de intenção de voto. O seu foco na segurança pública, que inclui um novo esquema de investigação que já demonstrou resultados positivos, pode ser um diferencial em sua campanha. O programa “Protege Celular” é um exemplo de sucesso que reduziu os crimes relacionados a celulares furtados. Em contrapartida, a oposição tenta capitalizar criticando a administração atual. Embora o panorama seja positivo para o PT, desafios ainda persistem, especialmente pela divisão no campo oposicionista.

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