domingo, 25 de outubro de 2026
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A maquiagem de Floriano: Enquanto Antônio Reis ostenta “finanças em dia”, caos na assistência a PCDs expõe abandono de mais de 200 trabalhadores

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Foto · @obrowbrow | REVISTA The BrOW Brasil

Famílias ficam sem comida e sem remédio por falha em contrato da prefeitura; cuidadores cruzam os braços e exigem que o município assuma os pagamentos atrasados.

A maquiagem de Floriano: Enquanto Antônio Reis ostenta finanças em dia, caos na assistência a PCDs expõe abandono de mais de 200 trabalhadores

Famílias ficam sem comida e sem remédio por falha em contrato da prefeitura; cuidadores cruzam os braços e exigem que o município assuma os pagamentos atrasados. A celebração dos 129 anos de Floriano foi ofuscada por uma crise silenciosa e cruel que escancara as falhas na gestão municipal. Enquanto o prefeito Antônio Reis Neto (PSD) utiliza a vitrine do aniversário da cidade e o marketing político para ostentar o pagamento em dia dos servidores efetivos, mais de 200 cuidadores terceirizados amargam o abandono. Sem receber salários e com as despensas vazias, esses profissionais, fundamentais para a assistência de Pessoas com Deficiência (PCDs), tornaram-se as vítimas colaterais de um imbróglio jurídico e administrativo protagonizado pelo próprio Executivo.

O estopim da crise ?

O epicentro do caos foi uma decisão recente do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI), que determinou a suspensão cautelar de um contrato de 8 milhões de reais firmado entre a Prefeitura de Floriano e o Instituto de Eficiência em Gestão (IEG), a empresa responsável por gerenciar esses serviços. A paralisação atendeu a uma representação do Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI). O órgão fiscalizador apontou uma série de suspeitas de irregularidades no processo conduzido pela prefeitura, incluindo a ausência de estudo técnico prévio adequado, problemas no processo de seleção da entidade e falta de justificativas consistentes para os valores milionários contratados. No entanto, em vez de a corda arrebentar no colo dos gestores responsáveis pelas falhas no edital, o bloqueio do repasse atingiu em cheio quem está na ponta operando o sistema educacional e social: o trabalhador. Efeito dominó e o impacto humanitário O resultado dessa ineficiência administrativa é desastroso. De um lado, mães e pais de família que atuam como cuidadores relatam o desespero da geladeira vazia. Sem dinheiro para a compra de comida ou medicamentos, e com contas vencendo dia após dia, a categoria se viu obrigada a cruzar os braços. Afinal, como destaca a própria nota de indignação dos servidores, ninguém trabalha de graça. Do outro lado, o elo mais vulnerável da sociedade sofre calado. Centenas de alunos e cidadãos com deficiência (PCDs) encontram-se desamparados, sem o acompanhamento profissional necessário para sua rotina, desenvolvimento e segurança, evidenciando um apagão na assistência social do município.

O xeque-mate no Executivo

Indignados com a omissão, os profissionais terceirizados publicaram um manifesto estabelecendo três exigências inegociáveis para a gestão de Antônio Reis: Solução Financeira Imediata: A prefeitura deve assumir a folha de pagamento da categoria e repassar os salários enquanto resolve sua batalha judicial e administrativa com a empresa. Responsabilização Correta: Que os ônus dos erros no contrato milionário recaiam sobre o Instituto e a própria prefeitura que o contratou, blindando o servidor que já prestou o serviço. Garantia de Atendimento: A retomada urgente da assistência aos PCDs, que não podem ficar reféns da burocracia. O contraste gerado nos últimos dias em Floriano serve de alerta. Uma cidade não se desenvolve apenas com propaganda ou festas no calendário oficial. O termômetro de uma gestão mede-se pela forma como ela trata os seus cidadãos mais frágeis. Para mais de 200 famílias, a festa de Floriano foi sinônimo de fome, provando que a conta da irresponsabilidade com o dinheiro público não pode, e não deve, ser paga pelas costas do trabalhador.

    RB

    Redação The Brow Brasil

    Redação The Brow Brasil, jornalismo, investigação e cultura.

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