Em convenção histórica transmitida pela Globo News, fundador do MBL lança candidatura com discurso de mais de uma hora, atacando Lula e o herdeiro político de Jair Bolsonaro com igual intensidade. O que aconteceu ontem em São Paulo não foi apenas um lançamento de candidatura. Foi uma declaração de que A DIREITA BRASILEIRA ENTROU EM GUERRA CONSIGO MESMA. Um palco na zona leste de São Paulo. Uma convenção com ingressos pagos. Uma transmissão ao vivo da Globo News. E um discurso de mais de uma hora que sacudiu o tabuleiro eleitoral de 2026.
O partido Missão lançou oficialmente, no sábado (1º/8), a candidatura de Renan Santos à Presidência da República, com evento no Komplexo Tempo, em São Paulo. O candidato é o fundador do Movimento Brasil Livre. E deixou claro desde os primeiros minutos que não veio para ser gentil com ninguém.
“A FRASE QUE DIVIDIU O PAÍS “
No centro do discurso, uma declaração simples e calculada. Renan criticou o que chamou de “esmolas”, como o Vale Gás e o Bolsa Família, e prometeu que as pessoas vão comprar tudo com o próprio dinheiro: “VOCÊS VÃO COMPRAR SEU CELULAR. VOCÊS VÃO COMPRAR A SUA CASA. VOCÊS VÃO COMPRAR SEU CARRO.” A lógica é clara. Renan quer ocupar um espaço que nenhum candidato da direita convencional conseguiu preencher: o de quem diz que autonomia econômica vale mais do que benefício estatal. É um discurso que ressoa com quem já tem renda suficiente para comprar essas coisas. A questão é o que ele diz para quem ainda não tem.
O BRASIL TEM 33 MILHÕES DE PESSOAS EM SITUAÇÃO DE INSEGURANÇA ALIMENTAR. Para esse eleitorado, a frase soa diferente.
O ATAQUE A FLÁVIO BOLSONARO

Durante o evento, Renan chamou Flávio Bolsonaro de “FARSANTE, FRACO E CORROMPIDO” e utilizou o termo pejorativo “mongoloide” para se referir ao senador. Não foi um deslize. Foi uma escolha. Renan afirmou que “Flávio foi colocado na eleição por Lula e está sendo preparado para perder” uma acusação sem provas documentadas, mas que ecoa uma narrativa estratégica: a de que o PL estaria mais interessado em manter o controle da oposição do que em vencer o governo.
O contexto importa. A ÚLTIMA PESQUISA ATLAS/BLOOMBERG MOSTRA LULA LIDERANDO COM 49,2%, SEGUIDO POR FLÁVIO BOLSONARO COM 42,9%, ENQUANTO RENAN SANTOS APARECE EM TERCEIRO, COM 7,8%. Para crescer, ele precisa canibalizar votos da direita. E para fazer isso, precisa destruir a credibilidade do adversário que está na frente dele.
A PROMESSA QUE NINGUÉM ESPERAVA

A declaração sobre gás e celular não foi a mais polêmica da noite. Renan prometeu que “NINGUÉM VAI ROUBAR NADA QUE É TEU, PORQUE NÓS VAMOS MATAR QUEM ROUBAR.” No evento, também estavam à venda brinquedos de pelúcia com a frase “prendeu, matou”. A PENA DE MORTE É PROIBIDA NO BRASIL E NÃO PODE SER ALTERADA NEM POR EMENDA CONSTITUCIONAL. Isso não é um detalhe. É uma promessa inconstitucional vendida literalmente como souvenir.
O QUE ELE REJEITA SER ?

Renan disse que a candidatura não era de terceira via, uma “oposição da oposição”. Ele também rejeitou o rótulo de antipetista e afirmou que o PT e a família Bolsonaro têm que ir para “A LATA DE LIXO DA HISTÓRIA”. A estratégia de identidade é sofisticada: ele não quer ser definido pelo que se opõe, mas pelo que representa. O problema é que, até agora, o que mais apareceu no discurso foi exatamente a oposição a outros.

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