Ex-secretário de Juventude troca de lado no tabuleiro político do sul do Piauí e explica, em entrevista exclusiva, os motivos da mudança A articulação que parecia discreta nos bastidores virou o assunto mais comentado da política municipal, e o motivo, segundo ele mesmo, é simples: buscar espaço onde a cidade pequena não deixava crescer.
Ele não é prefeito. Não é deputado. Mas em Bertolínia, no sul do Piauí, poucos nomes mexem tanto com os bastidores quanto o de Luan Rocha.

Jovem, articulador e com uma trajetória que se intensificou a partir de 2024, Luan construiu seu espaço como Secretário de Juventude do município, cargo que deixou para trás em meio a comentários sobre o apoio da família à gestão de Rodrigo Martins, atual prefeito, sucessor político de Geraldo Fonseca. Depois da secretaria, ele passou a atuar como assessor no gabinete da deputada estadual Simone Pereira. Foi o primeiro passo de um rompimento que ainda não tinha nome.
Agora tem.
LUAN ROCHA OFICIALIZOU SUA SAÍDA DA BASE DE SIMONE PEREIRA E PASSOU A INTEGRAR O NÚCLEO DA DEPUTADA ANA PAULA, que, segundo ele, faz parte da própria família: prima de seu pai, tratada por ele como tia. A movimentação tem um detalhe que dá ainda mais peso à história: a base de Ana Paula hoje apoia Luciano Fonseca em Bertolínia, o que reorganiza mais uma peça no tabuleiro político da região.
Por que ele saiu?
Perguntado diretamente sobre os motivos, Luan foi claro: buscava “espaços mais abrangentes para o desenvolvimento político”. Nos bastidores, ele reforça, ninguém precisa explicar o que faz, a utilidade fala por si. Para ele, atuar em política hoje exige mais do que vínculo contratual: exige relação de confiança, capacidade de ouvir e, quando necessário, de discordar sem se tornar “figura de puxa-saco político”. A CHAVE DA DECISÃO, segundo o próprio, foi a leitura de que política é volátil, cenários mudam rápido, e ficar preso a uma estrutura que já não representa crescimento é, na visão dele, um erro estratégico. Foi assim que decidiu apostar em Ana Paula, uma liderança que ele descreve com quase 30 anos de atuação na região.
Ambição declarada: o Estado, não o município
Aqui está talvez a revelação mais reveladora da conversa. Questionado sobre uma possível candidatura em Bertolínia, Luan foi direto:
NÃO PRETENDE DISPUTAR UM MANDATO MUNICIPAL. Sua aposta é estadual. Ele mesmo admite gostar de Teresina, de circular pelo Piauí, e enxerga sua “força maior” no âmbito estadual do que na Câmara de Vereadores de sua cidade natal. Mesmo assim, deixou a porta aberta: “se houver a possibilidade, estarei lá e entrarei na briga.”
É a fala de alguém que já testa o próprio nome fora dos limites da política municipal, mesmo sem confirmar candidatura.
E o racha entre Geraldo Fonseca e Rodrigo Martins?
Essa é a pergunta que mais circula nos grupos de WhatsApp da região: existe mesmo uma disputa nascendo entre o ex-prefeito e o atual prefeito de Bertolínia?

Luan, que viveu de dentro esse grupo político antes de sair, minimiza a tese do rompimento. Segundo ele, GERALDO FONSECA CONTINUA SENDO A PRINCIPAL LIDERANÇA DA REGIÃO, com influência que, na prática, ainda pesa nas decisões do município, mesmo com Rodrigo Martins exercendo o cargo. Ele acredita numa possível reeleição de Rodrigo, mas evita cravar um cenário de ruptura, preferindo “manter os pés no chão” diante das especulações. Ainda assim, ele mesmo lança uma provocação: nada impede que, no futuro, Rodrigo Martins, ou até Geraldo Fonseca, se aproxime da nova base que ele integra. Em política, lembra Luan, “é loucura limitar as ideias para um cenário futuro”.
O que essa mudança realmente significa
Trocas de base política não são novidade no interior do Piauí, mas esta carrega um componente que raramente aparece: O LAÇO FAMILIAR SENDO USADO COMO PONTE ENTRE DOIS NÚCLEOS RIVAIS. Luan não apenas mudou de lado, ele levou consigo uma conexão de sangue que legitima sua entrada no grupo de Ana Paula e, ao mesmo tempo, reorganiza silenciosamente o apoio a Luciano Fonseca em Bertolínia.
Fica a pergunta que o próprio Luan não respondeu por completo: será que essa movimentação é o primeiro sinal de uma reconfiguração maior na política do sul do Piauí, ou apenas mais um capítulo de uma disputa que, como ele mesmo disse, “só o tempo vai dizer”?

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