quinta-feira, 29 de outubro de 2026
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O APETITE QUE PODE ENTREGAR UMA CADEIRA DO SENADO A CIRO NOGUEIRA

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Foto · @obrowbrow | REVISTA The BrOW Brasil

Como as investidas de Georgiano Neto sobre bases aliadas ameaçam justamente quem ele deveria proteger: o próprio pai

No tabuleiro da eleição piauiense de 2026, poucos nomes concentram tantas contradições quanto o do deputado estadual GEORGIANO NETO (PSD). Filho do deputado federal Júlio César, pré-candidato ao Senado, ele deveria ser o principal cabo eleitoral da candidatura paterna. O que se vê na Assembleia Legislativa, porém, é o oposto: um parlamentar que, movido pelo próprio projeto de poder, vem colecionando desafetos dentro da base governista e, com isso, empurrando aliados para os braços do maior adversário da família, o senador CIRO NOGUEIRA. A conta é simples e cruel. São duas vagas em disputa. Pesquisas recentes colocam Marcelo Castro (MDB) na liderança, com Ciro Nogueira e Júlio César empatados ou quase empatados na briga pela segunda cadeira, todos competitivos. A candidatura de Júlio César cresce, mas depende de algo que não se compra com estrutura nem com marketing: A LEALDADE DOS DEPUTADOS DA BASE, que capilarizam votos no interior. E é exatamente aí que o filho vira problema.

O INCÔMODO PÚBLICO E NOMADO

O desconforto não é sussurro de bastidor. É público e tem nome. O deputado Fábio Novo (PT) declarou que Georgiano acumula rejeição entre os colegas por avançar sobre os colégios eleitorais alheios e afirmou que já foi vítima disso, perdendo base no interior. A frase que resume o clima foi dele: “TODOS OS DEPUTADOS ESTÃO ARMADOS, ESPERANDO O MOMENTO CERTO DE DAR A PAULADA”. E citou até correligionários do próprio PSD. O padrão se repete. Evaldo Gomes, outro governista, apontou como maior divergência da base justamente a falta de alinhamento do líder do PSD com os demais deputados. Relatos de membros do partido indicam que movimentações de Georgiano geraram desconforto ao reduzir o poder de aliados como a deputada Simone Pereira, com queixas de que ele teria minado lideranças e enfraquecido bases no interior. Some-se a concentração de indicações e cargos sob seu controle, e o retrato é de um político que trata companheiros de chapa como concorrentes a serem neutralizados. Georgiano já assumiu publicamente a pré-candidatura a deputado federal em 2026. A convenção do PSD homologou seu nome. É essa ambição, sobreposta à campanha do pai, que acende o CONFLITO DE INTERESSES. Quem precisa de palanque unido não pode ter, no comando da própria máquina, alguém disputando voto com os aliados que deveria somar.

O PARADOXO QUE BENEFICIA O ADVERSÁRIO

Aqui mora o paradoxo. Cada liderança que se sente atropelada por Georgiano é um voto que não vai para Júlio César e que tende a migrar para quem oferece abrigo. Do outro lado do tabuleiro está CIRO NOGUEIRA. O senador rega prefeituras com recursos e articula apoios municipais mesmo sob o peso de uma investigação grave. Foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, que apura suspeita de propina e vantagens indevidas ligadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro. Ciro é, ao mesmo tempo, o pré-candidato com maior índice de rejeição no estado: um adversário vulnerável que só se fortalece se a base adversária se dividir. E é a base adversária que Georgiano vem dividindo. Ao transformar cada aliado em rival, o deputado faz o serviço que Ciro não conseguiria fazer sozinho: FRAGILIZA A CHAPA GOVERNISTA POR DENTRO. Não por ideologia. Não por estratégia coletiva. Por cálculo pessoal.

A IRONIA DO DESFECHO

Se o roteiro seguir como está, o desfecho é quase irônico. O filho que deveria eleger o pai pode terminar como o mais eficiente, ainda que involuntário, CABO ELEITORAL DE CIRO NOGUEIRA. A lealdade dos prefeitos e dos deputados estaduais no interior não é abstrata: é o que decide eleições no Piauí. Quando essa lealdade é erodida de dentro, o preço é pago por quem está no topo da chapa. A pergunta que ficará para o eleitor piauiense não é sobre siglas, nem sobre quem tem mais estrutura ou mais dinheiro. É sobre prioridades. Quando o apetite de um sobrepõe o projeto de todos, QUEM É, DE FATO, SACRIFICADO?

A frase que ressoar ;

“QUEM TEM UM FILHO ASSIM, NEM PRECISA DE INIMIGOS POLÍTICOS.”

RB

Redação The Brow Brasil

Redação The Brow Brasil, jornalismo, investigação e cultura.

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