quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Política

DA BANCADA DO TELEJORNAL PARA A CÂMARA DOS DEPUTADOS: RACHEL SHEHERAZADE OFICIALIZA PRÉ-CANDIDATURA EM SÃO PAULO

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Foto · @obrowbrow | The BrOW Brasil

Jornalista que marcou época no SBT Brasil e passou pela Record anuncia entrada na política institucional pelo PSD, após mais de um ano de conversas com partidos de espectros opostos Ela recusou legendas de todos os lados do tabuleiro político para dizer sim a um partido que, segundo ela mesma, não cabe em rótulos. A pergunta que fica é: quanto tempo esse discurso de independência resiste à lógica de um Congresso dividido em blocos?

Por quase duas décadas, Rachel Sheherazade foi a voz que entrava na casa dos brasileiros para explicar o noticiário. Agora, ela quer ser a pauta. Na noite de segunda-feira, 20 de julho, a jornalista paraibana gravou um vídeo para as redes sociais e fez o anúncio que vinha sendo especulado há meses: está OFICIALMENTE PRÉ-CANDIDATA A DEPUTADA FEDERAL PELO ESTADO DE SÃO PAULO, disputando uma vaga na Câmara nas eleições de 2026. A legenda escolhida foi o PSD, partido que ela classificou como moderado, um adjetivo que, no meio político atual, carrega mais peso estratégico do que parece à primeira vista.

Nascida em João Pessoa em 5 de setembro de 1973, Rachel Sheherazade Barbosa é formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba. Começou como repórter, passou por afiliadas de Record e Globo na Paraíba e chamou atenção nacional em 2011, quando, ainda no interior, criticou publicamente a elitização do carnaval brasileiro. O comentário chegou aos ouvidos de Silvio Santos e abriu as portas do SBT, onde ela se tornaria uma das apresentadoras mais conhecidas do telejornalismo brasileiro, à frente do SBT Brasil ao lado de Carlos Nascimento.

A saída do SBT, em 2020, veio por e-mail, um detalhe que ela própria fez questão de tornar público na época. Seguiram-se contratos com o portal Metrópoles e, depois, com a Record, onde comandou atrações como Acumuladores e A Grande Conquista. Também foi participante do reality A Fazenda 15, em 2023, de onde SAIU EXPULSA APÓS UMA BRIGA com outra competidora. Em dezembro de 2024, anunciou sua saída da Record. É esse currículo de mais de vinte anos em frente às câmeras, e a audiência fiel que ele construiu, que agora migra para o terreno da disputa eleitoral.

Aqui está o ponto que qualquer analista político vai destacar primeiro: Sheherazade afirma ter recebido sondagens de siglas de diferentes espectros ideológicos antes de fechar com o PSD, processo que, segundo ela, DUROU CERCA DE UM ANO. A escolha não é neutra. Em um cenário político brasileiro cada vez mais polarizado entre dois campos bem demarcados, posicionar-se como moderada é, ao mesmo tempo, uma aposta de posicionamento de marca pessoal e um risco: candidatos que tentam ocupar o centro frequentemente enfrentam dificuldade para mobilizar a militância inflamada que domina as redes sociais na época eleitoral. Ela mesma antecipou essa tensão no anúncio, dizendo que seu pensamento nunca coube e jamais caberá em caixas e que não pretende guiar sua atuação parlamentar por uma cartilha ideológica fechada. Nas críticas que fez ao Congresso atual, que descreveu como distante da população e mais alinhado a interesses econômicos do que sociais, ela sinaliza qual vai ser o principal ativo da sua campanha: A IMAGEM DE QUEM FALA DE FORA DO SISTEMA, mesmo entrando formalmente nele.

As bandeiras anunciadas até agora são amplas, moderação, diálogo, civilidade e justiça social, o tipo de plataforma que ainda precisa ganhar contornos mais específicos à medida que a campanha avança. Isso é normal nesta fase: pré-candidaturas costumam abrir com princípios gerais e só detalham propostas concretas conforme o calendário eleitoral se aproxima da definição oficial das chapas, prevista para agosto de 2026. O caso de Sheherazade não é isolado. A migração de apresentadores e comunicadores de peso para a política institucional é um fenômeno que se repete a cada ciclo eleitoral brasileiro, e reflete algo estrutural: em um sistema onde reconhecimento de nome pesa tanto quanto estrutura de partido, quem já entrou todos os dias na casa do eleitor larga na frente. A diferença é que a bagagem trazida por jornalistas costuma vir acompanhada de um capital extra, o de quem já teve, por ofício, que cobrar posições de outros políticos. Resta saber se esse capital sobrevive ao teste de ser, agora, quem tem que responder às perguntas.

A confirmação da candidatura ainda depende da convenção partidária do PSD e do registro oficial junto à Justiça Eleitoral. Até lá, Rachel Sheherazade troca o estúdio pela rua, e o Brasil descobre se a jornalista que interpretava a política consegue, agora, ser interpretada por ela.

A

assessoriabrowbrow

Redação The Brow Brasil — jornalismo, investigação e cultura.

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