quinta-feira, 27 de agosto de 2026
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Brasil

PP CONFIRMA ACORDO COM LULA, CANCELA CONVENÇÃO E TIRA TEREZA CRISTINA DA CHAPA DE FLÁVIO BOLSONARO

4 min de leitura Verificado

Foto · @obrowbrow | The BrOW Brasil

Partido de Ciro Nogueira formaliza neutralidade na disputa presidencial após pacto fechado em dezembro na Granja do Torto, enquanto Republicanos se prepara para anunciar decisão semelhante antes da convenção de 4 de agosto. Um acordo que vinha sendo tratado nos bastidores como especulação política se transformou em fato documentado nesta sexta-feira (31/7). O Partido Progressistas confirmou oficialmente, em nota publicada em seu site, que NÃO CONVOCARÁ CONVENÇÃO NACIONAL e que manterá neutralidade na eleição presidencial de 2026. Na prática, a decisão tira do tabuleiro a senadora Tereza Cristina, cotada até a véspera para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro, e fecha de vez a porta para uma coligação formal entre PP e PL rumo ao Planalto.

O que diferencia essa confirmação de tudo o que havia sido dito até aqui é a origem do acordo. Segundo a Agência Brasil, em 23 de dezembro de 2025 o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, esteve reunido com o presidente Lula na Granja do Torto e fez um pedido direto: que o petista não interferisse na disputa ao Senado pelo Piauí, estado onde o próprio Nogueira concorre à reeleição. Em troca, o PP se comprometeu a não fechar coligação com o PL na corrida presidencial. O que antes era reconstruído por analistas como leitura de bastidor agora aparece confirmado, com data, local e termos da negociação.

A nota oficial do partido reforça o tom definitivo da decisão. “O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina”, informou a legenda. Antes da confirmação, Flávio Bolsonaro havia dito publicamente que Tereza Cristina aceitara o convite para compor a chapa. O veto do partido encerrou a possibilidade em menos de 24 horas. O desfecho do PP funciona como prenúncio do que se desenha agora dentro do Republicanos, partido do governador paulista Tarcísio de Freitas. A legenda também deve anunciar neutralidade, três dias antes de sua própria convenção nacional, marcada para terça-feira (4/8). Segundo apuração da Folha de S.Paulo, a maioria dos diretórios estaduais já consultados defende a mesma posição adotada pelo PP, restando a Flávio, nesse cenário, apenas o PL como aliado formal na disputa presidencial. A exceção é São Paulo, onde Tarcísio defende a coligação com o PL, mas essa posição é minoritária dentro do próprio partido.

O impacto mais concreto dessa sequência de decisões aparece no tempo de propaganda eleitoral gratuita, item decisivo em qualquer campanha presidencial brasileira. Sem PP e sem Republicanos na coligação, Flávio concorreria com cerca de 4 minutos e 18 segundos por bloco no horário eleitoral, bem abaixo do que teria caso reunisse as duas legendas, cenário em que superaria até o tempo do próprio Lula.

O calendário eleitoral não deixa muita margem para reviravoltas. O PL já havia oficializado a candidatura de Flávio Bolsonaro em convenção realizada no Pacaembu, em São Paulo, no dia 25 de julho, ainda sem vice definida. O registro formal no Tribunal Superior Eleitoral está previsto para 2 de agosto, o que restringe drasticamente o tempo para qualquer nova articulação.O que fica evidente, ao juntar as duas pontas, é que a neutralidade do PP não foi uma decisão isolada de conjuntura eleitoral. Foi o cumprimento de um pacto fechado meses antes, em uma reunião reservada, por um senador que tinha motivos concretos, e mensuráveis em pesquisas de intenção de voto, para manter distância do nome de Flávio Bolsonaro em seu próprio estado.

A

assessoriabrowbrow

Redação The Brow Brasil — jornalismo, investigação e cultura.

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