Partido de Ciro Nogueira formaliza neutralidade na disputa presidencial após pacto fechado em dezembro na Granja do Torto, enquanto Republicanos se prepara para anunciar decisão semelhante antes da convenção de 4 de agosto. Um acordo que vinha sendo tratado nos bastidores como especulação política se transformou em fato documentado nesta sexta-feira (31/7). O Partido Progressistas confirmou oficialmente, em nota publicada em seu site, que NÃO CONVOCARÁ CONVENÇÃO NACIONAL e que manterá neutralidade na eleição presidencial de 2026. Na prática, a decisão tira do tabuleiro a senadora Tereza Cristina, cotada até a véspera para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro, e fecha de vez a porta para uma coligação formal entre PP e PL rumo ao Planalto.

O que diferencia essa confirmação de tudo o que havia sido dito até aqui é a origem do acordo. Segundo a Agência Brasil, em 23 de dezembro de 2025 o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, esteve reunido com o presidente Lula na Granja do Torto e fez um pedido direto: que o petista não interferisse na disputa ao Senado pelo Piauí, estado onde o próprio Nogueira concorre à reeleição. Em troca, o PP se comprometeu a não fechar coligação com o PL na corrida presidencial. O que antes era reconstruído por analistas como leitura de bastidor agora aparece confirmado, com data, local e termos da negociação.

A nota oficial do partido reforça o tom definitivo da decisão. “O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina”, informou a legenda. Antes da confirmação, Flávio Bolsonaro havia dito publicamente que Tereza Cristina aceitara o convite para compor a chapa. O veto do partido encerrou a possibilidade em menos de 24 horas. O desfecho do PP funciona como prenúncio do que se desenha agora dentro do Republicanos, partido do governador paulista Tarcísio de Freitas. A legenda também deve anunciar neutralidade, três dias antes de sua própria convenção nacional, marcada para terça-feira (4/8). Segundo apuração da Folha de S.Paulo, a maioria dos diretórios estaduais já consultados defende a mesma posição adotada pelo PP, restando a Flávio, nesse cenário, apenas o PL como aliado formal na disputa presidencial. A exceção é São Paulo, onde Tarcísio defende a coligação com o PL, mas essa posição é minoritária dentro do próprio partido.
O impacto mais concreto dessa sequência de decisões aparece no tempo de propaganda eleitoral gratuita, item decisivo em qualquer campanha presidencial brasileira. Sem PP e sem Republicanos na coligação, Flávio concorreria com cerca de 4 minutos e 18 segundos por bloco no horário eleitoral, bem abaixo do que teria caso reunisse as duas legendas, cenário em que superaria até o tempo do próprio Lula.

O calendário eleitoral não deixa muita margem para reviravoltas. O PL já havia oficializado a candidatura de Flávio Bolsonaro em convenção realizada no Pacaembu, em São Paulo, no dia 25 de julho, ainda sem vice definida. O registro formal no Tribunal Superior Eleitoral está previsto para 2 de agosto, o que restringe drasticamente o tempo para qualquer nova articulação.O que fica evidente, ao juntar as duas pontas, é que a neutralidade do PP não foi uma decisão isolada de conjuntura eleitoral. Foi o cumprimento de um pacto fechado meses antes, em uma reunião reservada, por um senador que tinha motivos concretos, e mensuráveis em pesquisas de intenção de voto, para manter distância do nome de Flávio Bolsonaro em seu próprio estado.

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