A deputada estadual acompanhou o governador Rafael Fonteles na vistoria de pouco menos de dois quilômetros de pavimentação entre o povoado Muquém e a sede do município, no interior do Piauí. Por trás da agenda local, um problema que define o país: a estrada de terra ainda é regra em quase toda a malha brasileira.
No Brasil, asfaltar é, antes de tudo, encurtar uma distância antiga. Cada quilômetro entregue no sertão é uma resposta a séculos de isolamento. Há um número que explica o Brasil melhor do que muitos discursos. DE CADA DEZ QUILÔMETROS DE ESTRADA NO PAÍS, MAIS DE OITO SÃO DE TERRA. É sobre esse fundo, vasto e silencioso, que se recortou a agenda desta sexta em Geminiano. O trecho é curto, pouco menos de dois quilômetros entre o povoado Muquém e a sede do município. A questão que ele toca é enorme. Nesta sexta-feira, a deputada estadual Simone Pereira acompanhou o governador Rafael Fonteles na visita técnica às obras de pavimentação asfáltica do município, no sertão piauiense. A intervenção, de 1,96 quilômetro, foi executada pelo Governo do Estado por meio da Secretaria dos Transportes e liga a zona rural à sede, encurtando o caminho de quem vive entre o campo e a cidade.

Para entender por que tanta autoridade se reúne em torno de um trecho tão curto, é preciso olhar o mapa. Segundo levantamentos do DNIT e da CNT, pouco mais de um décimo da malha rodoviária brasileira é pavimentada. O restante, mais de 80% da rede, é de chão batido, e a quase totalidade das estradas municipais e rurais nunca recebeu asfalto. A maior parte da circulação de pessoas e mercadorias no interior do país ainda acontece sobre a terra. Essa geografia tem preço. Estradas ruins encarecem o transporte, atrasam o escoamento da produção e isolam comunidades inteiras. A Confederação da Agricultura e Pecuária calcula que recuperar as estradas rurais do país a um padrão de qualidade representaria ganhos bilionários por ano à economia. No sertão, a estrada de terra não é apenas desconforto. Por muito tempo, foi uma espécie de destino.

É contra esse destino que o Piauí vem trabalhando, quilômetro a quilômetro. Nos últimos anos, o Governo do Estado transformou a pavimentação do interior em política contínua, ligando municípios pequenos por meio do Departamento de Estradas de Rodagem. Só no sul do estado, um eixo de mais de duzentos quilômetros passou a conectar quatro municípios, com investimento de quase R$ 60 milhões. Em outra frente, foram recuperados quarenta quilômetros entre Flores do Piauí e Ribeira do Piauí, com mais de R$ 12 milhões, e anunciadas novas extensões. O trecho de Geminiano é uma costura a mais nessa malha que vai sendo refeita. A conta de quem mora na região é feita de outro jeito. Mede-se em ônibus escolar que não atola mais na chuva, em ambulância que chega mais rápido, em produtor que leva a safra à cidade sem perder parte dela no buraco do caminho. Vista de longe, a obra é pequena no traçado. Vista de dentro, é acesso. E acesso, no interior brasileiro, costuma ser a fronteira entre produzir e desistir, entre ficar e partir.

Foi essa fronteira que a deputada estadual Simone Pereira foi acompanhar de perto. Estar na vistoria, ao lado do governador, é mais do que um gesto protocolar. É assumir publicamente o acompanhamento de uma obra que beneficia diretamente a população de Geminiano e reforçar a sintonia entre o Legislativo e o Executivo em torno da pauta que talvez mais defina o futuro do interior, a infraestrutura. A presença da parlamentar coloca seu nome ao lado da entrega e do compromisso de seguir atenta ao que o sertão pede. Também participaram da agenda o prefeito Jailson Campos, os deputados Júlio César e Georgiano Neto e o senador Marcelo Castro, além de prefeitos, vereadores e lideranças políticas da região, que acompanharam a vistoria e as ações desenvolvidas pelo Governo do Estado no município. O que se viu em Geminiano se repete, com outros nomes, em dezenas de pontos do mapa piauiense e brasileiro. Cada trecho asfaltado costura um povoado à rede, aproxima a zona rural da urbana e devolve às pessoas um tempo que antes se perdia na estrada. É um país tentando, devagar, vencer a própria distância. E essa distância, no Brasil, sempre foi mais do que quilômetros. Foi também a medida de quem chega e de quem fica para trás. Geminiano ganha uma estrada. O país segue travando, no silêncio do interior, a sua mais antiga disputa contra o chão batido. O que pouco menos de dois quilômetros significam, sozinhos, é pouco. O que eles significam multiplicados por milhares, ao longo de anos, é outra história, e talvez seja a única que, no fim, fique.

No interior, o asfalto é mais do que material sobre o chão. É a garantia de que o transporte escolar chega mesmo na chuva, de que o doente alcança o atendimento, de que o produtor leva a colheita sem perder parte dela no caminho. Cada quilômetro pavimentado é um pedaço de rotina que deixa de ser difícil. A presença de Simone Pereira na agenda reforça a proximidade da deputada com as demandas da região. Estar na vistoria, ao lado do governador, é assumir de forma pública o compromisso com a obra e com a população que ela atende. Também participaram da agenda o prefeito Jailson Campos, os deputados Júlio César e Georgiano Neto e o senador Marcelo Castro, além de prefeitos, vereadores e lideranças políticas da região, que acompanharam a vistoria e as ações desenvolvidas pelo Governo do Estado em Geminiano. Geminiano ganha uma estrada. E uma estrada, no sertão, costuma ser sempre mais do que uma estrada: é o caminho até a cidade ficando um pouco mais curto para todo mundo.

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