Grandes Advogados, juízes e gestores acompanham nesta quinta e sexta, 8 e 9 de outubro, na Universidade Positivo, o debate sobre automação de benefícios, judicialização e esgotamento de quem opera o sistema.

Curitiba (PR) O XX Congresso Brasileiro de Direito Previdenciário começou nesta quinta-feira, 8, no Teatro Positivo, com a seguridade sob duas pressões que já não cabem em painel separado: a judicialização da concessão de benefícios e a entrada da inteligência artificial na análise de pedidos e de decisões. O encontro, do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), segue nesta sexta no Viasoft Experience, no mesmo complexo da Universidade Positivo, na Cidade Industrial. O eixo é “O futuro da seguridade social: diálogo entre tecnologia, direito e saúde mental”.
A abertura, às 9h, ficou com Gisele Kravchychyn, presidente do IBDP, na palestra sobre resiliência em tempos de transformação. “Vivemos um período de transformações profundas na Previdência, e a saúde mental passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante nesse debate. Precisamos olhar não apenas para os impactos desses transtornos na concessão de benefícios e na proteção dos segurados, mas também para os profissionais que atuam diariamente no sistema de Justiça”, afirmou. José Antonio Savaris e Alberto Luiz Hanemann Bastos entram em seguida na judicialização. A pauta inclui ônus da prova, vulnerabilidade informacional do segurado, o Tema 1.124 do Superior Tribunal de Justiça e o papel do Judiciário diante de problemas estruturais na concessão e na análise de benefícios. Marcelo Barroso Lima Brito de Campos discute advocacia, tecnologia e inteligência artificial. À tarde, Taís Schilling Ferraz trata do risco de padronização das decisões judiciais diante da IA. A grade também prevê limites da automação, Big Data na análise de benefícios rurais, indeferimentos automatizados, biometria, proteção de dados e a Lei Geral de Proteção de Dados. Maria Helena Pinheiro Renck e Melina Fachin conduzem o bloco sobre a centralidade da pessoa humana em tempos de automação e vulnerabilidade social. O dia ainda reserva a premiação do Concurso Nacional de Teses Previdenciárias de 2026, o painel de Melissa Folmann sobre saúde mental e proteção social e o encerramento com Marcos Mendanha, sobre burnout na advocacia. Entram na lista oficial riscos psicossociais, incapacidade por transtorno psiquiátrico, assédio, carga emocional e os reflexos da atualização da NR-1.

A plateia não se restringe ao Paraná. A advogada Mauricéia Almeida está entre os inscritos e levou o filho, que já auxilia no escritório. “Sempre me preocupei com a formação e nestes dias estou em Curitiba participando do congresso, um evento que reúne advogados e professores da área. Além de manter a preocupação com a entrega de um serviço de excelência, e acreditando que para isso é necessário muito treino e capacitação, agora já estou levando meu filho comigo”, disse.
- A edição completa 20 congressos. Rafaela Cosme, vice-presidente do IBDP, descreveu o marco como consolidação de um espaço que acompanhou as mudanças da Previdência. Também estão na programação Fábio Zambitte, Adriane Bramante, Jane Berwanger, Diego Cherulli e Carlos Alberto Pereira de Castro. Nesta sexta o formato muda. No Viasoft Experience, a programação se divide em oficinas, estudos de caso, laboratórios e microssimpósios, com dois eixos anunciados pela OAB do Paraná: atendimento ao cliente na advocacia previdenciária e atividade especial. Um laboratório fica restrito a planejamento e cálculo, com leitura do Cadastro Nacional de Informações Sociais, no Regime Geral e nos regimes próprios. O Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba apoia o encontro. A diretora da Previdência do IPMC, Mariella Vicco Pereira, participa às 17h40 de microssimpósio sobre capacitação de gestores e entrega de serviços aos beneficiários dos regimes próprios, ao lado de Ricardo Luiz Amorim de Melo. Na véspera, o IBDP em Movimento ocupou o Parque Barigui das 7h às 10h, com percursos opcionais de 5 km e 10 km, caminhada e aferição de pressão. O que o congresso coloca em disputa, até o encerramento desta sexta, é o lugar da decisão humana quando o pedido de benefício já pode ser lido por algoritmo e quando o operador do sistema também adoece. A resposta anunciada pelo IBDP não é a substituição do profissional. É o limite: até onde a automação analisa, indefere e padroniza, e o que continua dependendo de quem sustenta o caso, o cálculo e a prova.
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