No álbum EQUILIBRIVM, a faixa com Marina Sena usa o clássico de Vinicius de Moraes e Baden Powell para mostrar a transição da sedução condicionada para a autonomia, sem negar o passado da cantora.
Rio de Janeiro (RJ) A música “Mandinga”, parceria de Anitta com Marina Sena no álbum EQUILIBRIVM, lançado em 16 de abril de 2026, começa sob um feitiço e termina com ele quebrado. Anitta explicou que a faixa usa o sample de “Canto de Ossanha” para abrir como se as cantoras estivessem enfeitiçadas, numa letra de sedução e conquista que remete à Anitta de antes: beijo na boca, jogo de atração, o corpo como moeda de troca.
No clipe, a ideia é que as mulheres estavam presas nesse canto de sedução imposto por um mundo governado por homens, condicionadas a se envolver do jeito que o patriarcado ensinou. A representação visual passa pela natureza. No meio da música, o feitiço de Ossanha se rompe. Entra Marina Sena com um canto mais forte, e a letra vira afirmação de independência: “Eu não vou em mandinga de ninguém, foi mamãe que ensinou a vigiar. Não vou morar nas asas de ninguém, nem me apequenar pra te agradar.” Anitta foi direta: não é crítica ao que ela cantava antes. É processo de transição entre um estilo e o que vem. “Continuo amando e me orgulhando de todo tipo de música que eu já fiz. Mas é como se fosse um processo de transição.” A faixa fecha com “Canto de Ossanha não me pega” e imagens de caminho próprio: dançar, caminhar na beira, parar só onde o mar espera.
No conjunto do EQUILIBRIVM, gravado em grande parte no estúdio da casa de Anitta no Rio, a dualidade é o eixo. A artista, praticante de candomblé, coloca o sagrado e o profano, a meditação e a festa, o corpo e a fé no mesmo disco. “Mandinga” é o ponto em que o encantamento cede lugar à vigilância aprendida e ao poder retomado, sem apagar a Anitta que veio antes.

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