O senador derrotado no segundo turno publicou versão inicial se autoproclamando o verdadeiro presidente eleito do Brasil, mas alterou o texto para “líder” depois de intervenção de agentes do Departamento de Estado, segundo fontes da diplomacia americana e relatos da GloboNews.

Miami (EUA) O senador FLÁVIO BOLSONARO desembarcou na manhã de quarta-feira, 28 de outubro, no aeroporto executivo de Opa-Locka, na Flórida, acompanhado da família, após deixar o Brasil via Argentina e escala no Equador em jato particular. Horas depois, circulou uma carta em que ele se dirigia ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o “verdadeiro PRESIDENTE ELEITO do Brasil”, alegando, sem apresentar provas, que a vitória de LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA por margem de 4,4 milhões de votos no segundo turno do dia 25 resultava de fraude eleitoral, citando a prorrogação da votação até as 19 horas e o acréscimo de votos do petista entre os turnos. No texto, Flávio agradecia a DONALD TRUMP e a JAVIER MILEI pelo acolhimento, afirmava que não fugia, mas saía de um “regime de exceção” para liderar a oposição a partir dos Estados Unidos, e prometia mobilização por meios pacíficos. A primeira versão do documento, divulgada por aliados como PAULO FIGUEIREDO, continha a expressão “eu sou o presidente eleito” e referia-se a “criminosos que roubaram a eleição” como parte de uma organização criminosa. Cerca de 40 minutos depois, uma segunda versão foi postada nas redes, substituindo a autoproclamação por “líder do Brasil” e ajustando trechos para “eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação”. Agentes ligados ao DEPARTAMENTO DE ESTADO do governo Trump entraram em contato com Flávio e seus interlocutores no mesmo dia, alertando que manter o termo “PRESIDENTE ELEITO” poderia sugerir reconhecimento norte-americano e comprometer as relações diplomáticas com o governo brasileiro, o que não atendia aos interesses dos EUA. A informação foi confirmada sob reserva por três fontes da diplomacia americana à colunista MARIANA SANCHES, do UOL, e repercutida por VALDO CRUZ, da GLOBONEWS, além de outras coberturas.

Trump, questionado sobre a declaração de Flávio, afirmou que não comentaria o caso, que havia autorizado a entrada no país por questões de segurança, mas que não se envolveria, classificando a eleição brasileira como “muito estranha”. O Departamento de Estado já havia concedido vistos humanitários à família antes da chegada. Flávio, que deixou o Brasil sob ordem de recolhimento de passaporte do ministro ALEXANDRE DE MORAES e em meio a contestações judiciais do resultado, apresentou a mudança de texto como ajuste, enquanto aliados sustentaram que a permanência no exterior permite atuação política sem risco de prisão. A alteração evita que os EUA sejam colocados na posição de abrigar alguém tratado como presidente eleito de outro país, forçando ruptura com o governo que assumirá em Brasília. A carta final mantém as alegações de fraude e o anúncio de que Flávio liderará a oposição a partir de Miami, com estratégias de mobilização a serem detalhadas nos próximos dias.

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