No discurso de 2025 na ONU, recirculado agora em 2026, a premiê italiana condena o massacre de civis palestinianos, mantém a culpa inicial do Hamas e marca a virada de Roma, que saiu do apoio quase automático a Israel para medidas pontuais, suspensão de acordo de defesa e sanções seletivas.
Roma (Itália) – A declaração de GIORGIA MELONI que volta a circular neste setembro de 2026 não é um vazamento nem um corte fabricado. É o trecho central do discurso que a premiê italiana fez em 24 de setembro de 2025, na 80.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, e que o perfil @GeopolPt recolocou em circulação com o vídeo original. Naquela tribuna, MELONI reconheceu o direito de ISRAEL a reagir ao ataque do HAMAS em 7 de outubro de 2023, descreveu a ferocidade daquela ofensiva contra civis e, em seguida, cravou o ponto que mudou o tom de Roma: a resposta israelita, disse ela, ultrapassou o princípio da proporcionalidade. A frase que agora ecoa de novo foi direta. Israel cruzou a linha. A guerra em larga escala passou a envolver a população civil palestiniana além da medida. Ao cruzar essa linha, o Estado judeu violou normas humanitárias e provocou o que a premiê chamou de massacre de civis. Uma escolha que a ITÁLIA já classificava como inaceitável e que, anunciou, levaria o país a votar a favor de algumas das sanções propostas pela Comissão Europeia.
O mesmo discurso recusou o atalho de jogar toda a culpa sobre Telavive. MELONI repetiu que foi o HAMAS quem desencadeou o conflito, que o grupo poderia encerrar parte do sofrimento libertando imediatamente todos os reféns e que quem começou a guerra não pode ser premiado. Sobre o Estado palestiniano, manteve a linha histórica italiana da solução de dois Estados, assinou a Declaração de Nova York e afirmou que ISRAEL não tem o direito de impedir o nascimento de um Estado palestiniano nem de usar novos assentamentos na Cisjordânia para bloquear esse caminho. O reconhecimento, porém, ficou amarrado a duas condições: a libertação de todos os reféns israelitas e a exclusão do HAMAS de qualquer papel no governo da Palestina. Pediu ainda que ISRAEL saísse da “armadilha” da guerra, em nome da história do povo judeu, da democracia israelita e dos civis presos no fogo cruzado.
O que dá peso ao vídeo recirculado em 2026 não é só a frase da ONU. É o que a ITÁLIA fez depois. O governo Meloni entrou no pós-7 de outubro como um dos aliados europeus mais próximos de ISRAEL. A pressão das ruas, o desgaste humanitário em GAZA, incidentes com militares italianos da UNIFIL no Líbano e o constrangimento diplomático com o ministro Itamar Ben-Gvir empurraram Roma para um recuo seletivo. Em abril de 2026, a premiê anunciou a suspensão da renovação automática do memorando de cooperação em defesa com ISRAEL, depois de disparos de aviso israelitas contra um comboio italiano no Líbano. Mais tarde, o governo passou a defender sanções individuais europeias contra colonos violentos na Cisjordânia e pediu medidas contra BEN-GVIR após o tratamento dado a ativistas de uma flotilha, entre eles cidadãos italianos. Ao mesmo tempo, Roma continuou a barrar sanções mais largas, como a suspensão do Acordo de Associação União Europeia-Israel, com o argumento de que esse tipo de corte atingiria a população israelita e não apenas o núcleo político-militar responsável pelas decisões de guerra.
A matéria que volta agora à superfície, portanto, não é só o recorte de um discurso de 2025. É o retrato de uma virada incompleta. MELONI passou a falar de massacre de civis, linha vermelha e sanções. A ITÁLIA suspendeu um acordo de defesa, convocou embaixador, criticou ministros e apoiou punições pontuais. Não rompeu relações, não reconheceu de imediato a Palestina e não aderiu ao pacote mais duro em discussão na Europa. O vídeo que circula outra vez deixa o leitor diante desse intervalo: a frase já foi dita, a política já se moveu, e o conflito em GAZA segue a testar até onde Roma pretende ir além da tribuna da ONU.

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