Estado anunciou mais de R$ 500 milhões contra a estiagem entre 2023 e 2025; agora os 224 municípios voltam à seca e a frota comprada pelas prefeituras não aparece. Os 224 municípios do Piauí entram no boletim de agosto do Monitor de Secas, da Semarh e da ANA, em alguma categoria de estiagem. É a primeira vez no ano em que o mapa não deixa nenhuma área do Estado de fora. A seca grave atinge 22 cidades do sudeste e do extremo sul, na divisa com Pernambuco e Bahia.
Em julho ainda havia só seca fraca e moderada, e o extremo norte ficava fora da classificação. Em agosto, segundo a meteorologista da Semarh Sônia Feitosa, o retrato já é outro. O boletim chega depois de uma rodada de dinheiro público que o governo apresentou como resposta à seca verde de 2025. Em maio daquele ano, o pacote emergencial anunciado foi de R$ 30 milhões: parcela única de R$ 400 para 12.420 famílias, Operação Carro-Pipa e sete mil cisternas, com 129 municípios no decreto.

A Sedec falou primeiro em R$ 6 milhões para contratar pipa e depois em R$ 8 milhões, 193 caminhões e 54 municípios atendidos. O auxílio-alimentação ficou na casa de R$ 5 milhões. No balanço maior, de 2023 a 2025, o Palácio somou mais de R$ 350 milhões em obras e ações e, com a Águas do Piauí, passou de R$ 500 milhões. A concessionária informou 84 pipas na área urbana e 63 no interior. O recurso de emergência, no entanto, não entra na prefeitura como frota pronta. Entra por decreto, cadastro na Comdec, S2iD e plano de trabalho. Sem isso, não há liberação federal. O governador Rafael Fonteles cobrou prefeitos que não alimentaram a plataforma quando o pacote de R$ 30 milhões foi apresentado. Não há balanço público, cidade a cidade, mostrando pipa comprada com o dinheiro da seca verde. O que o Estado publicou foi locação e operação temporária. A União manteve caminhão federal em parte da lista. Inventário municipal de veículo novo, helicóptero ou frota própria não consta nos anúncios oficiais.
Com o Piauí inteiro de novo no mapa, a pergunta que sobra é a mesma da última emergência: se o investimento anunciado foi de dezenas de milhões no socorro imediato e de centenas no discurso de obra, quem presta conta do que chegou à torneira e o que este boletim de agosto vai autorizar gastar outra vez.

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