A cantora questionou por que a candidatura de ANTHONY GAROTINHO só entrou em xeque depois da apuração indicar segundo turno. Sem os 274.411 votos dele, DOUGLAS RUAS pode passar de 50% e deixar EDUARDO PAES fora da disputa. Rio de Janeiro (RJ) – ANITTA entrou no impasse do governo fluminense nesta segunda-feira (5), em comentário numa publicação do TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL e num vídeo em que cobra explicação da Corte. Apoiadora de EDUARDO PAES e com mais de 61 milhões de seguidores, escreveu: “Isso não soa como manobra política? Somos todos um bando de palhaços???”. A pergunta dela é objetiva. Por que o indeferimento de ANTHONY GAROTINHO não foi fechado antes da eleição e só avançou depois que a apuração apontou segundo turno no Rio.

O primeiro turno de 4 de outubro fechou com 100% das urnas e segundo turno marcado para 25 de outubro. DOUGLAS RUAS (PL) teve 4.271.199 votos, 49,27% dos válidos. PAES (PSD) teve 3.706.984, 42,76%. GAROTINHO (Republicanos) somou 274.411 votos, 3,17%, computados como anulados sub judice. Com esses votos na base, ninguém chegou a 50%. Sem eles, a conta estimada leva RUAS a cerca de 50,8% a 50,9% e elege no primeiro turno. A distância entre as duas eleições é uma decisão do TSE. O registro de GAROTINHO já tinha sido barrado pelo TRE-RJ pela Lei da Ficha Limpa, por condenação de improbidade ligada a desvios na Secretaria de Saúde no governo de ROSINHA GAROTINHO, entre 2005 e 2006. Mesmo assim o nome foi à urna, sub judice. Nos dias anteriores ao voto, a Corte produziu sinais opostos. Um ministro mandou tratar os votos como nulos. Outro manteve a contagem até o colegiado. Na sexta (2), o relator FLORIANO DE AZEVEDO MARQUES determinou a exclusão. No domingo, com o placar já indicando segundo turno, o presidente KASSIO NUNES MARQUES mandou reincluir os votos até julgamento colegiado.

Na segunda, GAROTINHO protocolou a desistência do recurso e a qualificou como livre, expressa, consciente e irretratável. Em coletiva, disse que não lhe restava outra opção jurídica e soltou a frase que atravessou o dia. “Agora, O POVO QUE ARQUE COM AS CONSEQUÊNCIAS do que fez”, afirmou, mirando os votos dados a RUAS e a PAES, e tratou o resultado como consagração dos corruptos. FLORIANO não homologou na hora. Deu até dois dias para a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestar. Se a desistência for aceita e os 274.411 votos saírem da totalização, RUAS pode ser declarado eleito sem uma seção a mais. PAES reagiu em vídeo nas redes, repercutido também pelo perfil Poptime. Falou em armação, manobra podre, jogo ensaiado e tapetão. Classificou GAROTINHO como candidato laranja, cujo efeito seria tumultuar a eleição e beneficiar RUAS, e tratou o episódio como agressão à democracia. Cobrou de RUAS o que teria sido negociado e lembrou que WLADIMIR GAROTINHO, filho do ex-governador, foi eleito deputado federal pelo PL. Há o avesso, também público. Antes da urna, com pesquisas colocando PAES na frente, a campanha do PSD foi à Justiça contra GAROTINHO e pediu pressa ao TSE. Em cenário sem o ex-governador, PAES aparecia com caminho de vitória no primeiro turno. Depois do resultado, a anulação que a campanha perseguia passou a servir a RUAS.
Na manhã de 6 de outubro, o placar oficial ainda aponta segundo turno e não há decisão final. RUAS demonstra confiança na Justiça. ANITTA segue sem a resposta que cobrou. Enquanto a homologação não sair, o dia 25 continua de pé. Se sair, o Rio terá um governador proclamado por retotalização, não por uma urna a mais.

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