No hotel da Alameda Santos, o presidente trata o 25 de outubro como prova dos nove, cita milícia, crime organizado e o Banco Master, e sai da noite atrás de Flávio Bolsonaro nas urnas.
São Paulo (SP) – Pouco antes das 22h deste domingo (4), LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA falou pela primeira vez depois que o TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL cravou o segundo turno. O pronunciamento foi no RENAISSANCE, na ALAMEDA SANTOS, 2233, no CERQUEIRA CÉSAR, a um quarteirão da AVENIDA PAULISTA, onde a campanha acompanhava a apuração desde as 16h com a coordenação nacional e dirigentes partidários. Pela manhã o petista tinha votado na ESCOLA ESTADUAL JOÃO FIRMINO CORREIA DE ARAÚJO, em SÃO BERNARDO DO CAMPO, passou em casa, em PINHEIROS, e chegou ao hotel no início da noite, com FLÁVIO BOLSONARO já à frente. O tom não foi de comemoração. Foi de recuo admitido e de ataque. Lula disse que o resultado foi inesperado e que estava convencido de que venceria já na primeira votação. “Acabamos de ter uma lição da democracia com a votação do povo brasileiro. O resultado, às vezes, é um pouco inesperado. Eu confesso que eu esperava ganhar no primeiro turno. Mas a gente tem o segundo turno, e isso será a prova dos nove.” Lembrou que já tinha chegado à segunda votação contra JOSÉ SERRA, em 2002, e contra GERALDO ALCKMIN, em 2006. Chamou o dia 25 de outubro de hora da verdadeira fotografia do Brasil e avisou que, a partir de segunda, começava uma campanha só entre dois. “O povo gosta que eu dispute o segundo turno. Eu sou muito bom no mata-mata, no tête-à-tête. O jogo vai começar. Estamos na prorrogação.” A segunda-feira (5) ficou para descanso. A retomada, na terça (6), com a frase de que, a partir dali, os bolsonaristas que se preparem.
O eixo do ataque foi a trajetória do senador do PL. “Não é biografia do pai, não é biografia do filho e não sabemos se haverá biografia de outros parentes. É uma BIOGRAFIA TENEBROSA, com ligações tenebrosas, com suspeitas gravíssimas, com relação com os milicianos, com relação com o crime organizado, com relação com os assassinatos no Rio de Janeiro.” Na versão mais longa da mesma fala, emendou o BANCO MASTER e disse que tudo isso vai ficar claro. Descreveu o caso como a maior corrupção do país e a maior orgia envolvendo políticos e autoridades. As acusações foram feitas no palco, sem apresentação de prova. FLÁVIO BOLSONARO é investigado pela POLÍCIA FEDERAL por suspeita de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes tributários nas tratativas com DANIEL VORCARO, ex-controlador do Master, ligadas ao financiamento do filme Dark Horse, e nega irregularidades. A linha da milícia remete ao período em que o senador era deputado estadual no RIO DE JANEIRO. Lula contrapôs a própria chapa: ALCKMIN com 16 anos à frente do Estado mais rico do país e ele com 12 anos do que chamou de política de inclusão social.

O placar era o contrário do que as pesquisas de véspera sugeriam. Com 99,92% das urnas, o UOL registrou 47,05% dos votos válidos para FLÁVIO BOLSONARO, 56,1 milhões, e 45,14% para LULA, 53,8 milhões. Perto do fim da apuração, o petista somava 53.678.051 votos e 45,1%, abaixo dos 48,43% e dos 57.259.504 votos do primeiro turno de 2022, contra JAIR BOLSONARO. A vantagem do senador ficou entre 2,4 milhões e 2,8 milhões de votos, conforme o corte da contagem. Nenhum passou de 50%. A abstenção chegou a 21,08%, 33,4 milhões de ausentes, a maior já vista num primeiro turno, e Lula disse que os 20 e poucos dias até o dia 25 serviriam para um apelo a quem não votou. DATAFOLHA, QUAEST e ATLAS/BLOOMBERG tinham deixado o petista à frente ou em empate técnico na véspera. A urna inverteu o quadro. No palco estavam JANJA, ALCKMIN, FERNANDO HADDAD, MARINA SILVA, SIMONE TEBET e ministros, entre eles GUILHERME BOULOS, ALEXANDRE PADILHA, DARIO DURIGAN, MÁRCIO ELIAS ROSA, MIRIAM BELCHIOR e SIDÔNIO PALMEIRA. ALCKMIN disse que LULA não tem como ídolo o coronel USTRA e que só o presidente pode promover justiça social e salvar a democracia. O saldo paulista pesava. HADDAD perdeu o governo para TARCÍSIO DE FREITAS, reeleito no primeiro turno com 62,65%. Lula chamou isso de derrota do povo de São Paulo e listou as derrotas de HADDAD desde 2016. MARINA SILVA e SIMONE TEBET não foram ao Senado. Os paulistas elegeram GUILHERME DERRITE (PP) e ANDRÉ DO PRADO (PL). O presidente disse que era preciso pensar em como as duas ficaram de fora, e fechou o lamento com uma frase seca: isso é democracia.
Em BRASÍLIA, FLÁVIO BOLSONARO leu o mesmo número de outro lado. Disse que LULA já disputou sete eleições presidenciais, que o petista está preocupado com o poder e que ele está preocupado com o futuro do Brasil. Em outra fala da noite, tratou o resultado como o fim da era do PT. O segundo turno está marcado para 25 de outubro. No hotel da Paulista, a campanha que esperava chegar na frente saiu anunciando comparação de biografias, apelo aos 33,4 milhões de ausentes e uma prorrogação que o próprio candidato chamou de prova dos nove.

Deixe um comentário