terça-feira, 27 de outubro de 2026
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Justiça

Vorcaro está preso por desafiar os grandes bancos, não pelas fraudes, diz presidente do PCO

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Foto · @obrowbrow | REVISTA The BrOW Brasil

Rui Costa Pimenta afirma que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, virou alvo após desafiar o domínio dos grandes bancos sobre o mercado financeiro. Para o presidente do Partido da Causa Operária, mesmo diante das fraudes atribuídas ao empresário, a prisão teria outra motivação: o choque com os interesses do oligopólio financeiro.

“Por mais que Daniel Vorcaro tenha cometido todo tipo de fraude, ele não está preso por causa dessas fraudes. Ele está preso porque desafiou o controle dos grandes bancos sobre o mercado financeiro. Daniel Vorcaro, por incrível que pareça, é uma vítima dos bancos”, afirmou Pimenta.

A trajetória de Daniel Vorcaro ajuda a dimensionar o tamanho do caso. Aos 42 anos, o empresário mineiro assumiu o antigo Banco Máxima, rebatizou a instituição como Banco Master e adotou uma estratégia agressiva para ampliar sua presença no mercado: CDBs com remuneração que chegou a 130% e 140% do CDI. A oferta de retornos elevados atraiu investidores institucionais, fundos de pensão e regimes próprios de previdência. Entre as cifras que passaram a integrar as apurações estão cerca de R$ 970 milhões da Rioprevidência, além de recursos de instituições como Oncoclínicas e Cedae. O crescimento, porém, terminou em uma ruptura. Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master e de outras instituições do conglomerado. O episódio acionou o mecanismo de proteção do Fundo Garantidor de Créditos e se transformou em uma das maiores operações de ressarcimento da história do sistema. No centro da investigação está uma suspeita ainda mais grave: segundo a Polícia Federal, o grupo teria emitido e negociado títulos e carteiras de crédito sem lastro, em operações que também envolveram o Banco de Brasília. O caso levou o Ministério Público Federal a apontar que o BRB movimentou aproximadamente R$ 16,7 bilhões com o Master entre 2024 e 2025, sendo cerca de R$ 12,2 bilhões relacionados a papéis considerados irregulares nas apurações. A queda do banco foi acompanhada pela queda do próprio banqueiro. Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em um jato particular. Posteriormente, voltou a ser preso por determinação do ministro André Mendonça, do STF, em 4 de março de 2026. Segundo a decisão, a medida cautelar foi fundamentada, entre outros pontos, em risco de interferência nas investigações.

É nesse ponto que o caso ganha uma segunda narrativa. Enquanto as autoridades investigam possíveis fraudes bilionárias, Vorcaro sustenta uma versão completamente diferente sobre a própria queda. Em depoimento à Polícia Federal, afirmou ter sido alvo de uma ofensiva de grandes bancos e de setores do Banco Central. Segundo ele, o Master operava dentro das regras então vigentes do FGC e a mudança desse ambiente regulatório teria ocorrido sob pressão de concorrentes. A versão do banqueiro também passa pela tentativa de venda do Master ao BRB, operação que chegou a ser apresentada como alternativa para o futuro da instituição, mas acabou vetada pelo Banco Central. O próprio Vorcaro já havia levado suas críticas à concentração bancária ao Palácio do Planalto: em 2024, reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar do tema. De um lado, as investigações descrevem um possível esquema de fraude financeira em escala bilionária. Do outro, Vorcaro apresenta sua trajetória como o resultado de uma disputa pelo espaço ocupado no sistema bancário.

Entre essas duas versões está a pergunta que mantém o caso no centro do debate: o Banco Master caiu exclusivamente pelo peso das irregularidades investigadas ou também se tornou o campo de uma disputa maior pelo controle do mercado financeiro? Pimenta já havia dito, em entrevistas ao Brasil 247, que Vorcaro fez uma investida ilegal no terreno dos grandes bancos e que a perseguição relatada pelo próprio empresário “era verdade”. Na mesma linha, o dirigente aponta o Banco Central como instrumento do oligopólio ao barrar a saída via BRB. A CVM, em setembro de 2026, multou Vorcaro em R$ 20 milhões e o Master em R$ 12,5 milhões por fraude em fundo imobiliário, com laudos que inflaram ativos. As multas do processo somam cerca de R$ 201 milhões. O caso permanece sob sigilo parcial no STF. Vorcaro e o pai têm depoimento marcado para 30 de setembro no inquérito sobre o grupo chamado de A Turma. A investigação e a defesa seguem em curso.

RB

Redação The Brow Brasil

Redação The Brow Brasil, jornalismo, investigação e cultura.

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