
Cerimônia na quadra de Duque de Caxias uniu a estreia da cantora no posto, o enredo de 2027 sobre ancestralidade e a final do samba-enredo; o samba assinado por ela não venceu.
Anitta foi coroada rainha de bateria da Acadêmicos do Grande Rio na noite de domingo (20), na quadra da escola, na Baixada Fluminense. A cantora, de 33 anos, assume o posto no Carnaval de 2027 no lugar de Virginia Fonseca, que desfilou em 2026 e anunciou a saída em agosto para reorganizar a rotina e ficar mais tempo com a família.

A coroa não veio da antecessora. Quem entregou o posto foi Eloína dos Leopardos, travesti pioneira apontada como a primeira rainha de bateria do Carnaval do Rio. Em 1976, aos 31 anos, Eloína foi colocada à frente dos ritmistas da Beija-Flor por Joãosinho Trinta no enredo “Sonhar com Rei Dá Leão”, quando a função ainda não existia no formato atual. Ela ficou três anos no cargo.

A escolha de Eloína partiu da própria Anitta, segundo o figurinista Walério Araújo. A assessoria de Virginia afirmou que a influenciadora estava disponível para a passagem tradicional, mas que houve exigência da nova rainha para que o ritual não ocorresse. A escola acatou. A equipe de Virginia disse que ela “respeitou a soberania da escola” e que a Grande Rio e a comunidade de Caxias “sempre serão as grandes estrelas”.A coroação aconteceu no mesmo dia da final do samba-enredo. O cenário misturou velas, folhas, representações de orixás e a estética da turnê Equilibrium II, álbum em que Anitta trabalha fé, candomblé e ancestralidade. Uma criança vestida com fantasia de copos plásticos, referência a um concurso escolar da infância da cantora foi “entregue” a Exu. Em seguida, Eloína coroou Anitta ao som de “Você Já Sabe” e de “Fala, Majeté! As Sete Chaves de Exu”, samba campeão da escola em 2022. A cantora mostrou samba no pé e se emocionou.
No discurso, ela disse que sempre sonhou com aquele lugar “como qualquer menina do subúrbio do Rio”, mas que só aceitaria se a comunidade quisesse. Afirmou que pergunta se a escola e a bateria ainda a querem e que sai com a mesma gratidão se um dia isso mudar: “Se vocês quiserem que eu fique, eu vou ficando o quanto vocês quiserem.” O enredo de 2027 é “Sankofa Tabon, Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”, do carnavalesco Antonio Gonzaga. Conta a história de africanos escravizados que, livres, voltaram à Costa do Ouro, atual Gana, primeira nação independente da África Subsaariana. Sankofa é o princípio de olhar o passado para construir o futuro.

Anitta disse que a conexão com o momento dela foi imediata e que nada na presença dela pode ser maior do que a escola, o desfile e a comunidade. Ela também entrou na disputa do samba, na parceria com Arlindinho, Igor Leal, Fred Camacho, Fabian Juarez e Diego Nicolau. A obra chegou à final, mas não venceu. A escola ficou com a composição de Derê e Cia. Anitta afirmou que desfila com o samba que ganhar: “Quero que ganhe o que for melhor para a Grande Rio.” O convite veio por David Brazil. Anitta chegou a ser sondada pela Mocidade, mas escolheu a Grande Rio pelo enredo. Mestre Fafá, da bateria Invocada, disse que conversa com ela “praticamente todo santo dia” e que ela chegou preocupada com a história da bateria. Na quadra passaram musas como Jaquelline Grohalski, Brunna Gonçalves, Mariana Goldfarb e Adriana Bombom. Anitta já havia vencido samba-enredo na Unidos da Tijuca para 2025, com “Logun-Edé: Santo Menino que Velho Respeita”. O desafio agora é conciliar agenda de shows com ensaios e o desfile na Sapucaí.

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