Márcio Canella (União Brasil), ex-prefeito de Belford Roxo, foi detido nesta quinta-feira (15) na oitava fase da Operação Unha e Carne, mesmo depois de receber 197.178 votos e ficar em segundo lugar entre os deputados estaduais do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. Rio de Janeiro (RJ) A Polícia Federal prendeu o deputado estadual eleito Márcio Canella na manhã desta quinta-feira (15), durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A corporação aponta o político como articulador político de uma organização criminosa armada suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana como estrutura para lavagem de dinheiro.
Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. A investigação apura lavagem de dinheiro, corrupção, formação de cartel no setor de combustíveis e infiltração em órgãos públicos. As prisões foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Além de Canella, foram presos o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil e ex-presidente do Detran-RJ, e os inspetores da Polícia Civil Pablo Jukia Félix Ferreira (conhecido como Pablo Russo), José Carlos Alves de Souza Júnior, Christiano Gaspar Fernandes e Giovanni Gaspar Fernandes. A PF cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão em municípios como Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo. A Justiça determinou o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas ligadas ao grupo, das quais 96 são postos de combustíveis. Canella foi detido em um condomínio na Barra da Tijuca. Em julho, durante a sexta fase da mesma operação, ele já havia sido preso em flagrante com um fuzil de calibre restrito encontrado em seu carro. Na época, afirmou que a arma não lhe pertencia. Nas eleições de 4 de outubro, Canella ficou em segundo lugar na disputa por deputado estadual no Rio de Janeiro, com 197.178 votos, atrás apenas de Índia Armelau (PL), que recebeu 248.504. Ele é ex-prefeito de Belford Roxo, eleito em 2024, e renunciou no início de 2026 com a intenção inicial de disputar o Senado. Antes disso, já havia exercido mandatos como deputado estadual na Alerj, além de vereador, vice-prefeito e secretário municipal no município da Baixada Fluminense.

A PF descreve Canella como “patrono político” e “articulador de alto escalão” do grupo, com atuação na ligação entre agentes públicos, empresários e operadores da rede de postos. Documentos apreendidos em fases anteriores registram anotações de repasses financeiros identificados com a sigla “Canela” e movimentações atribuídas ao político. A defesa afirmou não ter tido acesso à decisão judicial até o momento da prisão. Imagens que circulam nas redes sociais mostram Canella ao lado de figuras da família Bolsonaro, incluindo Flávio Bolsonaro, que havia declarado apoio integral à sua pré-candidatura ao Senado. A montagem reforça as alianças políticas do deputado eleito em um momento em que a votação expressiva contrasta com as suspeitas de ligação com o esquema investigado. A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, que mira organizações criminosas e redes de lavagem no estado.

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