
Fotógrafo francês Florian Riou registra descargas elétricas raras sobre o vilarejo de Montemaggiore, perto de Calvi, a partir de tempestades a centenas de quilômetros de distância, e as imagens dominam redes em outubro de 2026.

Córsega (França) Na noite de 16 de setembro de 2026, o céu sobre o vilarejo de Montemaggiore, na região de Balagne, perto de Calvi, recebeu estruturas vermelhas que pareciam tentáculos gigantes suspensos acima dos telhados e da igreja. Não eram raios comuns, nem montagem, nem fenômeno artificial. Eram RED SPRITES, ou farfadets, descargas elétricas transitórias da alta atmosfera que ocorrem entre 50 e 90 quilômetros de altitude, acima de tempestades intensas.
O fotógrafo FLORIAN RIOU capturou a sequência a partir de um ponto de vista calculado, alinhando o vilarejo com tempestades que se formavam na região de Barcelona e Catalunha, a 500 a 700 quilômetros de distância. A perspectiva fez as formações vermelhas parecerem próximas das casas, quando na realidade surgiam no limite da mesosfera, duravam milissegundos e se apagavam antes que o olho humano pudesse registrá-las sem equipamento.
O planejamento foi preciso. Riou acompanhou modelos de previsão para a costa espanhola, escolheu o azimute que colocaria Montemaggiore no primeiro plano e esperou o céu limpo sobre a Córsega. Às 23 horas, os primeiros raios positivos intensos apareceram sobre a Catalunha. Minutos depois, um evento de grande escala inundou o sensor da câmera de vermelho vivo. As fotos circularam inicialmente em canais locais e redes do fotógrafo, incluindo Instagram e Facebook. Em outubro de 2026, especialmente a partir do dia 12, as imagens viralizaram em portais internacionais, de Les Numériques e Numerama a sites de ciência e meteorologia. Coberturas locais como a de Corse Matin já haviam detalhado o episódio no início de outubro, confirmando a data, o local e a distância das tempestades.

RED SPRITES formam-se quando raios positivos poderosos, acima de 50 mil ampères, criam campos elétricos que ionizam o nitrogênio na alta atmosfera. O resultado é a cor vermelha característica e as ramificações que lembram medusas ou árvores invertidas. O fenômeno é conhecido desde observações de pilotos e o primeiro registro científico documentado em 1989. Ainda assim, permanece raro de capturar: exige distância de 200 a 800 quilômetros, ausência de nuvens no caminho e pouca poluição luminosa. Riou já havia registrado sprites semelhantes a partir da Córsega sobre tempestades próximas à Itália e, em junho de 2026, no Parque Nacional dos Badlands, nos Estados Unidos, a 650 quilômetros do raio gerador.

As imagens de Montemaggiore mostram o vilarejo iluminado no primeiro plano, com a torre da igreja e as casas de pedra sob o espetáculo. A escala das estruturas vermelhas, que se estendem por dezenas de quilômetros na vertical, contrasta com o tamanho humano do povoado. Não houve invasão alienígena, nem edição digital. Houve física atmosférica registrada por quem estudou a previsão, o azimute e a distância. O episódio de 16 de setembro de 2026 entrou para o conjunto de capturas que tornam visível, por frações de segundo, um processo que ocorre acima das nuvens e quase sempre permanece invisível. FLORIAN RIOU publicou as fotos, descreveu o planejamento e deixou o registro de um fenômeno que, mesmo raro, se repete sobre tempestades fortes no Mediterrâneo e em outras regiões do planeta.

Deixe um comentário