No Rio Grande do Sul, Michelly da Cigana acusa a apresentadora de pacto, dívida e ritual contra Léo Dias. A denúncia só ganha peso quando se sabe de onde cada um veio. Porto Alegre (RS) A denúncia de Mãe Michelly da Cigana contra Cariúcha não começa no SBT. Começa em duas periferias diferentes, num meme de 2009, numa estátua de Belzebu no muro e num jornalista que passou a vida vendendo o que celebridade esconde. A religiosa acusa a apresentadora de INGRATIDÃO, FALSIDADE e de ter usado trabalhos espirituais para subir. Para entender o tamanho da briga, é preciso saber QUEM É CADA UM.

Michelly da Silva Bernardes nasceu em 4 de junho de 1978, em Alvorada, na Região Metropolitana. Cresceu com aperto de dinheiro e de casa. Aos nove anos, quase perdeu uma perna. A avó a levou a uma médium de quimbanda incorporada com Maria Padilha. A cura, segundo o relato que ela mesma publica, tirou o hospital do caminho e colocou a menina no terreiro. Aos 15, já trabalhava como médium de umbanda, quimbanda e povo cigano. Por volta de 2010, sob orientação da Cigana Madalena, passou a viver só de atendimento. Nasceu a Magia Cigana: primeiro uma sala com almofada no chão, depois complexo, loja, curso e agenda lotada. O país a descobriu quando uma estátua de Belzebu no portão da casa, em Alvorada, viralizou. Vieram clientes famosos, empresários e consultas por vídeo. Com o dinheiro da exposição, comprou sítio em Viamão, ergueu o que chama de Santuário Nacional de Belzebu e um cemitério espiritual para pombagiras, sem corpo humano, depois de sofrer intolerância em cemitério público. Em 2024, tentou a Câmara de Alvorada pelo PRTB. Não entrou na política pelo voto. Entrou na TV pelo recado. É ESTA MULHER QUE AGORA ENTREGA UMA CLIENTE.

Cariúcha é o nome de palco de Alessandra Mendes Firmiano, nascida em 18 de setembro de 1983, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. O apelido junta o pai carioca e a mãe gaúcha. Cresceu em casa evangélica, cantou no coral, saiu para o funk nas comunidades. Em 2009, desclassificada do concurso Garota da Laje, soltou no Profissão Repórter a frase que a internet nunca devolveu: “sou toda natural, bonita pra caramba”. O meme pagou o ingresso. Veio o funk, passagem pelo Pânico, briga pública, harmonia facial e, em 2023, A Fazenda 15. Ficou três semanas. Foi terceira eliminada. Brigou com Jenny Miranda, Rachel Sheherazade, Lucas Souza e Cezar Black. Saiu cancelada e, ao mesmo tempo, contratável. Em abril de 2024, o SBT a colocou no Fofocalizando. Em 2026, foi para o SuperPop, na RedeTV!.
No meio do caminho, Michelly diz que a conheceu “quando ela não era ninguém”, pagou publi para a roupa das fotos do reality e, com a peoa desestabilizada por postagem de Jojo Todynho, atendeu pedido da irmã e da equipe para “descancelá-la”. Depois teriam começado os trabalhos. A religiosa afirma que o espaço na TV nasceu também de acordo com Belzebu e de um pai de santo de candomblé no Rio. E que, para caber no SBT das filhas evangélicas de Silvio Santos, Cariúcha esconderia a matriz africana e frequentaria igreja como vitrine. ISSO É ACUSAÇÃO. NÃO É SENTENÇA. Léo Dias é o terceiro vértice. Leonardo Antônio Lima Dias nasceu em 7 de maio de 1975, no Rio de Janeiro. Formou-se em jornalismo na PUC-Rio em 1996. Passou por Extra, Contigo!, Amiga, O Dia, Yahoo, TV Fama na RedeTV! e, a partir de 2016, pelo Fofocalizando. Fundou o Portal LeoDias, a web TV própria e, em 2025, pediu demissão consensual do SBT. Foi para o Melhor da Tarde, na Band. Construiu carreira no furo, no constrangimento alheio e na própria exposição, inclusive de vício e clínica. Michelly afirma que Cariúcha encomendou trabalhos para tirá-lo da emissora, mesmo o abraçando no ar. Carol Lekker, ex-Miss Bumbum, ex-A Fazenda e substituta de Cariúcha no Fofocalizando, repetiu a tese em live ao sair do SBT por salário. Cariúcha já negou, em outras ocasiões, ter pedido a cabeça do colega. O ABRAÇO E O RITUAL NÃO FORAM PROVADOS NO MESMO PROCESSO.
Há conta em dinheiro na versão da mãe de santo. Ela diz ter financiado clipe de Cariúcha em Paris, R$ 15 mil, pago só depois de cobrança e ameaça de exposição. No Teleton, afirma ter sido convidada e depois ignorada na portaria, quando o carro com frase de Maria Padilha gerou confusão. Culpa jogada em outro. Michelly classifica o vínculo como contrato com Belzebu. Sem gratidão, diz, a energia de sucesso se esgota. Aponta a audiência do SuperPop como prova. O Ibope vira teología. A CÂMERA VIRA ALTAR. Carol Lekker entra só como estopim. Saiu do Fofocalizando reclamando de R$ 10 mil. Cariúcha saiu em defesa do SBT, falou em emissora que a tirou da pobreza, diária sem contrato no começo, apartamento conquistado. Carol devolveu ao vivo: ingrata, saída pelos fundos, macumba, mãe Michele. Foi esse fogo que fez Michelly gravar. A religiosa insiste que não está quebrando sigilo de cliente. Está entregando INGRATA. O veredicto possível, neste ponto, não é jurídico. É de origem. Michelly é a menina de Alvorada que transformou cura de infância em empresa de fé e estátua em marca. Cariúcha é a baixada que transformou humilhação em meme, meme em reality e reality em bancada. Léo Dias é o jornalista que transformou fofoca em grupo de mídia e agora vira alvo da mesma engrenagem que alimentou. Ninguém nessa história começou no camarim. TODOS COMEÇARAM NO APERTO. O que a mãe de santo coloca no ar é um acerto de contas espiritual tornado espetáculo. Cariúcha não respondeu, neste texto, ponto a ponto. Até que responda, o dossiê segue no campo da denúncia: pacto, dívida, ritual contra colega, fé escondida para caber na grade. No País em que terreiro, reality e emissora usam o mesmo corredor, a pergunta que fica não pede moral. Pede memória. Quem sobe sem pagar a quem abriu a porta. E QUANTO TEMPO A PORTA FICA ABERTA QUANDO A GRATIDÃO SOME.
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