Sindicatos GSEE e ADEDY convocam paralisação de 24 horas nesta segunda-feira, 28 de setembro, com comboios parados, metro restrito e milhares nas ruas de Atenas contra o novo pacote laboral e o recuo de proteções no setor público. Atenas (Grécia) A GRÉCIA entrou nesta segunda-feira, 28 DE SETEMBRO DE 2026, em greve geral de 24 horas convocada pelas duas maiores centrais sindicais do país, a GSEE no setor privado e a ADEDY no serviço público, contra o projeto de lei laboral do governo da NOVA DEMOCRACIA que abre caminho para jornadas de até 13 HORAS, mais flexibilidade para o empregador e menos lastro coletivo para o trabalhador. Comboios e linhas suburbanas pararam por completo. Metro e elétrico em ATENAS circularam só das 9h às 17h. Autocarros e tróleis operaram com cortes. Os aeroportos ficaram de pé porque um tribunal declarou ilegal a adesão dos controladores aéreos à greve, o que tirou dos céus o efeito de paralisia total que os sindicatos queriam. Nas ruas, a Praça Klafthmonos concentrou o protesto das 11h e milhares ocuparam avenidas e espaços verdes da capital, cena que circulou em vídeo ao longo do dia e mostrou o tamanho da insatisfação acumulada.O núcleo da disputa é o rearranjo do tempo de trabalho. O governo de Kyriakos Mitsotakis apresenta a proposta como modernização do mercado, teto semanal de 48 horas com hora extra limitada e proteção contra demissão de quem recusar o alongamento do turno. Os sindicatos respondem que a regra dissolve o dia de oito horas na prática, entrega o ritmo da vida ao interesse de poucos empregadores e chega num país onde o poder de compra ainda figura entre os mais baixos da União Europeia. A GSEE e a ADEDY pedem a retirada do pacote, o retorno do 13.º e do 14.º salário no setor público, aumentos reais, contratos coletivos e semana de 35 horas. Hospitalares, professores, funcionários judiciais, taxistas e parte do transporte aderiram. Fábricas e portos sentiram o recuo da mão de obra.
A paralisação não foi um apagão absoluto do Estado, mas foi o suficiente para interromper o fluxo normal de quem precisa de comboio, metro cheio e serviço público no horário habitual.Em paralelo, a ADEDY mantém outra frente aberta na REVISÃO CONSTITUCIONAL em curso. O funcionalismo teme mudança no artigo que garante a permanência no cargo e alterações que abram espaço para privatizar fatias de saúde e educação. Já houve paragem de trabalho a 16 de setembro e está marcada jornada nacional de ação para 1.º de outubro, com greve possível mais à frente. O post que espalhou a imagem da praça cheia misturou as duas batalhas num único quadro de cortes, privatizações e despedimentos alinhados a Bruxelas.
Os fatos de hoje, porém, giram em torno da lei laboral. A revisão constitucional é o combustível seguinte, não o gatilho exclusivo desta segunda-feira. O governo insiste que a Grécia saiu da estagnação e precisa de regras mais ágeis. Os sindicatos dizem que flexibilidade sem renda e sem teto de jornada vira exaustão com nome técnico.O eco que fica não é o de um país parado de ponta a ponta. É o de um conflito clássico da Europa do Sul depois da crise da dívida: de um lado, um Executivo de direita que vende reforma como competitividade; do outro, centrais que ainda conseguem tirar milhares à rua e cortar o transporte terrestre quando o Parlamento avança no texto. Quem passou por ATENAS nesta segunda viu praça cheia, comboio morto e aeroporto funcionando. Quem lê o projeto vê a briga pelo relógio do trabalhador. A próxima escala anunciada pelos sindicatos é outubro. Até lá, a lei segue e a rua já mostrou que não aceita o 13 HORAS como detalhe administrativo.

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