Na manhã de 9 de outubro de 2026 duas trombas marinhas formadas diante do porto de Marsala avançaram sobre a costa oeste da Sicília, tornaram-se tornado terrestre e deixaram pelo menos 11 feridos, cinco casas destruídas e o plesso Alcide De Gasperi inabitável, em evento descrito por especialistas como quase sem precedentes na memória viva da ilha. Marsala (Sicília) O mar ainda carregava o calor residual de um verão intenso quando, por volta das 10 horas locais, o contraste com ar mais frio vindo do Atlântico Norte gerou a instabilidade que elevou duas colunas de água e ar a poucos metros da costa. O sistema tocou terra e percorreu quilômetros entre as contradas Terrenove, Bambina, Strasatti e Pastorella antes de alcançar Petrosino, erguendo poeira do solo seco que tingiu o vórtice de vermelho e produziu ventos estimados acima de 200 a 250 quilômetros por hora. Especialistas classificam preliminarmente o fenômeno como F2, possivelmente F2-F3 na escala Fujita, intensidade raramente registrada no Mediterrâneo e comparada por autoridades a um tornado americano, o mais violento das últimas décadas na região. A prefeita de Marsala, Andreana Patti, ao analisar imagens aéreas fornecidas pela Aeronáutica, definiu o resultado como uma cena de guerra.

No plesso Alcide De Gasperi, em contrada Terrenove, 273 alunos estavam em aula quando o impacto estilhaçou janelas, arrancou esquadrias e afetou parte do teto; todos foram evacuados, mas a estrutura ficou inabitável e pelo menos seis crianças registraram cortes e escoriações leves. O balanço provisório aponta cerca de 11 feridos atendidos nos hospitais de Marsala e Mazara del Vallo, entre eles um homem de 70 anos com politrauma e múltiplas fraturas, estabilizado e transferido ao centro de trauma de Palermo, sua esposa com fratura nasal e outros adultos com lesões menores. Veículos foram capotados ou deslocados, um carro arremessado em barranco, postes de energia e árvores derrubados, trânsito rodoviário e ferroviário interrompido, estufas, vinhedos e estruturas rurais danificadas, além do muro do estádio de Petrosino destruído. A Proteção Civil, bombeiros e serviços de saúde mobilizaram-se de imediato; a prefeita solicitou estado de emergência à Região da Sicília e o governo regional anunciou liberação de recursos emergenciais, enquanto escolas e parques permaneceram fechados no dia seguinte sob alerta de novas tempestades.
O evento expõe com clareza como a energia acumulada no mar após meses de calor extremo encontra ar frio e produz rotações que o território siciliano raramente enfrenta, transformando em minutos uma manhã de rotina escolar e agrícola em cenário de destruição material sem registro de mortes. A memória local, habituada a temporais e trombas, agora registra um padrão de intensidade que força reavaliação de preparação e resposta, enquanto o mau tempo persiste e as imagens do vórtice avermelhado continuam circulando como testemunho visual de um desequilíbrio termodinâmico que a ilha sente de forma cada vez mais direta.

Deixe um comentário