A fala saiu em live no caminho da Globo, no Rio, na véspera do debate que não aconteceu. A mulher trans a que o presidenciável do Missão se refere é SOPHIA BARCLAY, a Trans de Direita, candidata a deputada federal por São Paulo pelo PL, número 2275. Ela já se retratou da história de 2023 e agora diz que vai à Justiça.
São Paulo (SP) – Na noite de 1º de outubro de 2026, dentro de um carro a caminho da TV Globo no Rio de Janeiro, RENAN SANTOS, candidato à Presidência pelo partido Missão, acompanhado de Arthur do Val e Amanda Vettorazzo, antecipou a carta que pretendia jogar se FLÁVIO BOLSONARO levasse ao estúdio uma denúncia antiga de violência sexual feita por uma ex-namorada do próprio Renan. O debate foi cancelado. A frase ficou. “Eu recebi uma falsa acusação, e você, que fez suruba com uma trans. Se eu for jogar esse jogo, eu diria que hoje essa trans é candidata com fundo partidário pelo PL, e perguntaria se isso foi um pagamento para ela ficar em silêncio.” Renan sustenta que a acusação contra ele foi retirada e arquivada. A insinuação contra Flávio não veio com prova nova. Veio com um nome que a campanha inteira já conhecia.

Esse nome é SOPHIA BARCLAY GOMES CLAUDINO, a influenciadora que se apresenta como Trans de Direita e anti-Erika Hilton. Não é deputada. É candidata, registro deferido, urna 2275, natural de Guarulhos, ocupação declarada de cantora e compositora, sem bens informados à Justiça Eleitoral. Em meados de 2023, no Real Podcast, ela contou que esteve numa festa na casa de Neymar e que Flávio teria mantido relação sexual com uma amiga dela, também mulher trans, e tentado se aproximar dela mesma. O detalhe importa. No relato original, a parceira apontada era a amiga, não Sophia. A fala de Renan cola as duas figuras numa só e transforma o episódio em suruba com a candidata.
Flávio negou, disse que não a conhecia e, em 17 de agosto de 2023, registrou boletim de ocorrência na Secretaria de Polícia do Senado. A advogada Luciana Pires protocolou queixa-crime por calúnia e difamação na 3ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo, com pedido de condenação. A juíza Cecilia Pinheiro da Fonseca recebeu a denúncia. O processo não foi a julgamento de mérito. Em 25 de julho de 2024, audiência de conciliação, Sophia assinou retratação: as falas sobre Flávio ter tentado se relacionar com ela ou com eventual amiga eram inverídicas e não ocorreram, e ela confirmava nunca ter tido contato com o senador. Pediu desculpas. O processo foi extinto. Depois, em público, ela disse que tinha inventado o episódio para ganhar repercussão e tentar uma vaga em A Fazenda.

Três anos depois os dois estão no mesmo partido. Sophia deixou o Novo no início de 2026 porque, segundo ela, o apoio a Flávio era inegociável, e em 6 de abril foi apresentada pelo PL ao lado de Valdemar Costa Neto. Prestações de contas atualizadas em 2 de outubro apontam R$ 612.812,81 recebidos pela campanha, dos quais R$ 600 mil saíram da direção nacional do PL e R$ 12.812,81 do diretório paulista. Painéis do TSE variam conforme a data da consulta, e há recorte com R$ 450 mil só de fundo especial. Despesas contratadas até aquela atualização ficavam em cerca de R$ 191 mil, com saldo ainda em caixa. Parte relevante foi para serviços advocatícios. Repasse de fundo a candidata da própria legenda é rotina. A tese de que o dinheiro compraria silêncio é leitura de Renan, não fato demonstrado.
Em 3 de outubro, Sophia reagiu no X. Disse que estava entrando com ação para que “esse sujeito” prove, na Justiça, cada afirmação feita sobre ela, e ironizou Renan com Alexandre de Moraes e as festas atribuídas a Vorcaro. As reportagens não fecham se o alvo formal é o presidenciável do Missão ou quem republicou a fala. O que está documentado cabe em três linhas. Ela é a candidata trans do PL-SP ligada a essa história. A versão de 2023 foi retratada por ela como falsa. O financiamento existe e é público. A suruba e o pagamento para silêncio continuam sendo acusação de palanque, não sentença.

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