
Rozeno deixou Jerumenha para viver de música. Voltou e colocou os filhos no palco. Aos 44 anos, radicado em Bertolínia, ele divide Rozeno & Banda com Ingrid Lourrara, que entrou aos 9 anos, e com Pedro Neto, que completou o trio familiar Bertolínia (PI) Antes do nome artístico, existe o nome civil.

Rozeno de Sousa Pereira nasceu em Jerumenha, no Piauí, e hoje tem 44 anos. O que o público reconhece como Rozeno & Banda é o ponto de chegada de uma escolha feita cedo demais para ter garantia e tarde demais para ser tratada como brincadeira. A música apareceu ainda na juventude, quando o ofício no interior costuma ser visto como risco, não como profissão. Mesmo assim, ele tratou a paixão como destino. O começo não veio acompanhado de estrutura. Veio com dificuldade, improviso e a cobrança silenciosa de quem insiste num caminho sem mapa. Houve um momento em que permanecer no mesmo lugar pareceu insuficiente. Rozeno saiu do estado para tentar a carreira longe de casa. A partida tinha um sentido prático: transformar vocação em sobrevivência. Quem deixa o Piauí por música raramente parte por capricho. Parte porque o sonho pede outro palco, outra rede, outra chance.
A experiência fora não entregou o desfecho esperado. Isso importa tanto quanto a coragem de ir. O que ele trouxe de volta não foi o sucesso imediato, e sim o aprendizado de quem testou o próprio limite e descobriu que o desejo de continuar tinha ficado maior do que o fracasso do plano original. O retorno foi ao Piauí. A vida se acomodou em Bertolínia. Não como parêntese, mas como endereço. É dali que Rozeno constrói a trajetória até hoje, organiza o trabalho e parte para se apresentar em diferentes lugares. A cidade virou base. A estrada, rotina.

A biografia ganha outra camada quando deixa de ser só a história de um homem e passa a ser a história de uma casa. Ingrid Lourrara, a filha mais velha, entrou para a banda aos 9 anos. A idade cabe numa frase. O significado não. Uma criança no palco ao lado do pai muda o peso de cada viagem, de cada apresentação, de cada decisão de persistir. Por muitos anos, o projeto foi apenas os dois. Pai e filha na mesma estrada, no mesmo risco e no mesmo ofício. Essa fase alongada explica o caráter do grupo melhor do que qualquer definição pronta. Antes de ser trio, Rozeno & Banda foi convivência reduzida ao essencial: um adulto determinado e uma menina que cresceu dentro da música.

Pedro Neto chegou depois. O filho mais novo integrou a banda e fechou o desenho atual. Não apagou o que existia. Amplificou. O que era dupla familiar virou um núcleo de três. Hoje, a formação é clara e precisa ser dita sem atalho. Rozeno & Banda é Rozeno, Ingrid Lourrara e Pedro Neto. O pai e os dois filhos. Nem um projeto solitário, nem um grupo só da nova geração.
Um trabalho em que a família ocupou o palco sem abandonar o nome que o artista construiu. Há uma diferença entre cantar sobre a própria vida e colocar a própria vida no palco. No caso deles, as duas coisas se misturam. A música continua sendo o ofício. A marca passou a ser a presença conjunta. Quem assiste não encontra apenas um repertório. Encontra um arranjo afetivo que sobreviveu a deslocamento, espera e recomeço. A profundidade dessa história está no intervalo entre as decisões. Sair. Não encontrar o que esperava. Voltar. Permanecer em Bertolínia. Chamar a filha. Seguir só com ela por anos. Abrir espaço para o filho. Continuar. Cada etapa parece simples quando isolada. Juntas, formam o retrato de alguém que recusou o encerramento precoce do sonho. Jerumenha explica a origem. Bertolínia explica a permanência. A estrada explica o ofício. Ingrid e Pedro Neto explicam por que o projeto deixou de caber numa biografia individual. Rozeno & Banda segue assim: entre apresentações, viagens e canções, com o pai e os dois filhos escrevendo no interior do Piauí uma história que começou como desejo de um só e hoje se sustenta como trabalho de família.
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