A liderança cobra o asfalto no Sul do Piauí. O governador assume a obra no segundo mandato, com ganho para quem produz e viaja, e sem dizer se a pista virá com pedágio. Landri Sales (PI) Adriana Sá apresentou a proposta de pavimentação que liga Landri Sales a Sebastião Leal. O governador e candidato à reeleição Rafael Fonteles (PT) sentenciou o projeto nesta sexta-feira (11): a obra fica para depois das eleições, em um eventual segundo mandato. O anúncio veio em encontro com a população e lideranças. Fonteles falou da Transcerrados e da recuperação das PIs 247 e 210 e tratou a nova ligação como compromisso a cumprir se permanecer no governo.
“Se Deus permitir que eu continue à frente do governo, nós vamos fazer aquela rodovia ligando Landri Sales a Sebastião Leal. Se recuperei todas as rodovias, fiz a Transcerrados, recuperei as rodovias 247 e 210, por que não vou fazer mais essa? Vou fazer, sim. Pode dizer para o povo”, afirmou.

A cobrança já estava no plano que a advogada Adriana Saraiva de Sá levou às urnas municipais de 2024. A proposta previa asfalto passando pelo Assentamento São Benedito e pelos povoados Veredas I e Veredas II, para colocar o município na rota do agronegócio e melhorar o escoamento de grãos. Dois anos depois, o governador transforma o pedido em sentença de campanha. O aprimoramento da malha no Sul do Estado tem benefício direto. Os dois municípios ficam a cerca de 37 quilômetros em linha reta e a pouco mais de 40 pela rota usada hoje, em grande parte vicinal. Pista pavimentada encurta o caminho entre as sedes, tira o produtor do barro na safra, barateia o frete e reduz o isolamento de quem busca escola, posto e comércio no município vizinho.
A urgência ficou ainda mais clara em agosto, quando quatro funcionários da prefeitura morreram após o capotamento de um caminhão F-1000 em estrada vicinal no povoado Veredas. Asfaltar esse corredor é resposta a uma via que já cobrou vida.Falta o que o palanque não disse. Não há extensão oficial, valor nem cronograma. Também não ficou claro se a ligação virá livre ou acompanhada de pedágio. No Piauí, trechos novos e recuperados convivem com parceria e concessão. Quem espera o asfalto para ganhar tempo e renda precisa saber, cedo, se o pedágio não vai comer o ganho da pista. A crítica é leve e cabe. Prometer depois da urna aquece voto e adia planilha. Adriana Sá não é prefeita. Em 2024, ficou em segundo, com 1.364 votos (31,21%), contra 3.007 (68,79%) do prefeito reeleito Delismon Soares (MDB). Mesmo fora do Executivo local, segue como figura de peso: filha do ex-prefeito Alcino Sá, que cumpriu cinco mandatos e preside o PT no município, irmã de Aurélio Sá e interlocutora do governo nas comunidades, com o “Fala Landri Sales” e a Assistência Técnica do Senar. O Estado já autorizou, neste ano, a restauração de 18 quilômetros da PI-219 até Marcos Parente, orçada em R$ 6,4 milhões, além de asfalto urbano e poços. Em Sebastião Leal, recuperou trecho da PI-247 até Uruçuí.
Na mesma agenda, Fonteles pediu que as lideranças multipliquem a votação de 2022 casa a casa. “Se conseguirmos, através das pernas e da voz das lideranças, chegar a cada uma das casas de Landri Sales, na zona urbana e na zona rural, levando a nossa mensagem, não tenho dúvidas de que essa maioria vai aumentar”, declarou. A narrativa que interessa ao Sul do Piauí é esta. Adriana Sá colocou a estrada no papel. Fonteles sentenciou a estrada para depois do voto. O povo só ganha se o asfalto sair do discurso, cruzar as Veredas e não chegar com pedágio escondido na letra miúda.

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