O caso é de 2012, no período eleitoral, no Sul do Piauí. A vítima, casada com Gustavo Benvindo, chegou irreconhecível ao hospital. A filha voltou às redes, em vídeo de oito minutos, para dizer que foi feminicídio sem perícia, MOTIVADO POR CIÚMES, O relato foi compartilhado por Bruna Michele.

Bertolínia (PI) – Brígida de Brito morreu há 14 anos e o registro oficial ficou como acidente. A filha, que tinha 12 anos na época, afirma que a cena não foi investigada e que não houve perícia. Ela deixou quatro filhos menores. O mais novo, com pouco mais de um ano, cresceu sem conhecer a mãe. Segundo o desabafo, o corpo foi tão esmagado que ficou irreconhecível, arrebentado para montar uma cena falsa de acidente. O ponto indicado fica perto da serra, depois do campo de avião, na sequência do Zé Boêmio, após a placa em direção a Manoel Emídio, no caminho do interior da Porteira, antes da Via Agropecuária. Pessoas teriam visto o homem apontado como autor seguir na mesma direção em que Brígida subiu.

A família aponta Pedro Moura, (pedin) casado naquele período, como o suposto amante. Quando o corpo chegou ao Hospital Municipal Rita Martins, parentes viram ligações dele para o aparelho da vítima, um lanterninha. Em cidade pequena, populares ligam a separação da mulher de Pedro Moura ao episódio e dizem que ela ficou assustada com a situação. Keyliane Barbosa e João aparecem no relato como testemunhas próximas, que teriam relação entre si.
O fazendeiro Geraldo Brito é citado como quem teria visto o início da cena. Ele foi assassinado na própria fazenda, por outros motivos, e já não pode depor. Nada do que a família aponta resultou em condenação.
A autora diz que provas sumiram. A moto de Brígida desapareceu da delegacia com sangue no tanque. Roupas da vítima e restos de pele com material genético achados sob as unhas não teriam passado por exame “A VITIMA TERIA ARRANHADO ATÉ ENTÃO O SUPOSTO, NA TENTATIVA DE SOBREVIVÊNCIA . Nas acusações da família, Cleiane, irmã do suposto autor e enfermeira, e Deusa, mãe dele e auxiliar de enfermagem no dia, teriam sumido com as roupas. O carro ligado ao suspeito, com supostas manchas de sangue, também teria sido desaparecido. Testemunhos que poderiam sustentar o inquérito teriam se omitido ou mudado de versão. Uma das mulheres próximas da vítima chegaria a vê-la quando bebia, episódio que conhecidos leem como peso de consciência. A filha cobra os órgãos que arquivaram o caso, as amigas da mãe e as pessoas relacionadas. No vídeo, deseja que o apontado como autor viva o bastante para carregar a culpa. A Justiça não sentenciou ninguém. O pedido que volta às redes é por reabertura da apuração da morte de Brígida de Brito. QUE EM JÚRI ABERTO AO PÚBLICO, MERECE SER ESCLARECIDO DE UMA VEZ POR TODAS. AGORA, COM PROVAS E MUITAS TESTEMUNHAS.
A narrativa desta reportagem nasce do pedido da filha NAS REDES, não de uma sentença. O feminicídio não foi reconhecido pela Justiça, e a família atribui isso à falta de prova: a moto, as roupas, os veículos ligados aos citados e a perícia que, segundo ela, não houve. As relações apontadas são tratadas como fato conhecido por quem viveu o caso no município, não como condenação. Nomear as figuras mencionadas atende ao próprio relato de quem pede resposta. Omiti-las apagaria o eixo da denúncia. O veículo publica o caso por utilidade pública. Morte violenta de mulher jovem, mãe de quatro crianças, registrada como acidente e ainda sem autoria definida, integra a história criminal da cidade e volta à tona por iniciativa da familiar. A Constituição garante a livre manifestação do pensamento e o acesso à informação, e também assegura a presunção de inocência enquanto não houver trânsito em julgado. Não há, nesta publicação, interesse em difamar. Há interesse em registrar uma denúncia de apuração incompleta, com dúvida pública sobre o que ocorreu perto da serra em 2012. Fica aberto o espaço de resposta a todos os mencionados e aos órgãos que cuidaram do inquérito. A filha cobra clareza da Justiça e das pessoas envolvidas. Este texto cumpre o mesmo papel: tornar pública a versão da família, preservar o contraditório e deixar consignado que o crime, bárbaro na época, assustou a cidade e segue sem resposta judicial.

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