O senador e candidato à Presidência disse ser favorável à venda das empresas públicas, mas afirmou que a análise será caso a caso e que nem tudo pode ir para a iniciativa privada.Brasília (DF) – Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu uma rodada ampla de privatizações e cravou um número. “Não dá para ser tudo, mas vamos privatizar 95%”, afirmou ao falar de estatais. Em seguida, completou que, onde for possível privatizar, a equipe vai privatizar.A fala junta duas posições. O senador disse ser a favor das privatizações e sustentou que é preciso analisar empresa por empresa. Ao mesmo tempo, declarou que não dá para privatizar tudo, porque existiriam companhias estratégicas que devem ser mantidas sob controle público.
O recorte circula em vídeo de entrevista. Nele, Flávio não apresenta a lista das empresas que entrariam nos 95% nem nomeia quais ficariam de fora. A ressalva aparece só como critério: o que for considerado estratégico fica, o restante segue para venda.A mesma linha já tinha sido apresentada em fevereiro, no CEO Conference do BTG Pactual, para uma plateia de investidores. Na ocasião, o então pré-candidato disse que não dá para privatizar tudo, mas que, onde puder privatizar, vai privatizar. Também argumentou que estatais ficam expostas ao ciclo político, voltam a dar prejuízo com a troca de governo e que déficits bilionários apertam o Orçamento.
No mesmo discurso, citou os Correios e um empréstimo de R$ 20 bilhões para a estatal honrar compromissos. “Grande parte das nossas estatais precisam ser privatizadas, precisam ser modernizadas, precisam ser melhor geridas”, afirmou.A exceção que ele mesmo colocou foi a de terras raras, minerais usados em chips, baterias e inteligência artificial. Flávio lembrou que o Brasil teria a segunda maior reserva mundial e disse que o setor exige parceria público-privada, porque o país não teria tecnologia para explorar, refinar e transformar o minério. Deixou claro que não fala em criar uma estatal nova para isso.O percentual, portanto, não veio com planilha. A proposta pública de Flávio Bolsonaro segue sendo privatizar a maior parte das estatais, com a decisão tomada caso a caso e com blindagem para o que o grupo classificar como estratégico.

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