terça-feira, 27 de outubro de 2026
Urgente
JUSTIÇA MARCA AUDIÊNCIA PARA HOMOLOGAR ACORDO DO PREFEITO ORLANDO CRISPIM INVESTIGADO POR CRIMES AMBIENTAIS EM MANOEL EMÍDIO Anitta quebra o feitiço de Ossanha e reescreve o poder feminino em Mandinga SUPER TUFÃO CHAMPI ATINGE 296 KM/H E SE TORNA O CICLONE MAIS FORTE DE 2026 CORTES// LULA E FLÁVIO BOLSONARO TRANSFORMAM O DEBATE DA BAND NO PRIMEIRO DUELO DIRETO DA REELEIÇÃO El Niño quebra escala histórica da OMM e redesenha o mapa de riscos do Brasil até 2027 China e Coreia do Norte abrem ponte de 3 km após 12 anos de espera na fronteira Lula chega a 51% dos votos válidos e Flávio fica em 49% em nova pesquisa Vox Brasil Nove aprovados em concurso de Uruçuí acionam Justiça contra contratações temporárias da Prefeitura A TRAIÇÃO SILENCIOSA E A REDE DE BANDIDAGEM NO CORAÇÃO DO RIO DE JANEIRO FRANÇA EM CHAMAS NA PLACE DE LA RÉPUBLIQUE 550 MIL NAS RUAS EM 17 DE OUTUBRO
Globoplay ao vivo
Tecnologia

O ROADSTER QUE VOLTOU DE 1955 E ACORDOU O FUTURO

5 min de leitura Verificado

Foto · @obrowbrow | REVISTA The BrOW Brasil

O vídeo viral que mistura manobra impossível, ELON MUSK, DeLorean e o nascimento da inteligência artificial em uma só sequência de 45 segundos

Existe um tipo de imagem que não pede permissão para entrar na cabeça. Ela simplesmente ocupa o espaço e recusa sair. Foi o que aconteceu quando o criador visual JUAN BERGMAN publicou um vídeo de 45 segundos que parece ter sido editado por alguém que entendeu, de uma vez só, o espírito do tempo. A sequência começa com um veículo preso no topo de uma rampa vertical quase absurda, iluminada apenas pelas luzes da própria estrutura, em plena noite. A sensação é de que a gravidade foi suspensa por decisão estética. Em seguida aparece ELON MUSK no palco, vestindo uma camiseta preta com a palavra ROADSTER estampada no peito, microfone na mão, expressão de quem sabe exatamente o que está prestes a entregar. Depois a tela corta para anúncios oficiais da TESLA, o horário 19:55 do livestream, a imagem do novo ROADSTER com design angular e agressivo, e, sem aviso, as cenas clássicas de DE VOLTA PARA O FUTURO: o DeLorean envolto em fumaça, os circuitos de tempo acesos em vermelho e verde, a data de destino marcada em 1955. O vídeo fecha com o close de um jovem de olhos arregalados e mão na boca, a expressão exata de quem acabou de assistir a uma ruptura.

O que JUAN BERGMAN fez não foi apenas uma edição. Foi uma síntese. Em outubro de 2026 a TESLA revelou o novo ROADSTER com uma demonstração que parecia saída de um filme de ficção científica dos anos 80 atualizado por engenharia de ponta. O carro sobe rampa, gruda de cabeça para baixo graças a um sistema de sucção capaz de gerar força suficiente para desafiar a gravidade, usa thrusters de gás frio para saltos e para executar o que a própria empresa chamou de kickflip. A apresentação aconteceu com uma carga deliberada de referências a DE VOLTA PARA O FUTURO. O horário escolhido para o livestream foi 19:55. O cartaz oficial carregava a frase “Where we’re going…”. A mensagem era clara: o carro do futuro finalmente chegou e não precisa mais de estradas do jeito antigo. O vídeo de BERGMAN pegou exatamente esse material bruto e o costurou com as imagens mais icônicas do DeLorean, criando um curto-circuito emocional entre o que a TESLA mostrou na vida real e o que a cultura pop prometeu há quatro décadas.

Mas o detalhe que eleva a peça de simples homenagem para algo mais inquietante está em uma resposta ao post original. Alguém colocou a captura de uma busca no Google: “what happened in 1955 with ai”. A resposta automática do próprio sistema de inteligência artificial informa que foi em 1955 que o termo “Artificial Intelligence” foi cunhado pela primeira vez, marcando o nascimento formal da disciplina. De repente a data que o DeLorean escolhe para viajar no tempo deixa de ser apenas nostalgia cinematográfica e vira coincidência histórica carregada de sentido. O carro que a TESLA apresenta em 2026, com autonomia avançada, sistemas de sucção e propulsores, é um produto direto daquela conversa iniciada setenta e um anos antes. O vídeo de BERGMAN, ao colocar as duas coisas lado a lado, força o espectador a perceber que a ficção científica e a engenharia real finalmente ocuparam o mesmo quadro.

Há uma camada psicológica funcionando em silêncio. As pessoas não param de rolar a tela porque o vídeo é bonito. Elas param porque ele resolve, por alguns segundos, uma tensão que a cultura carrega há décadas: a promessa de que o futuro seria espetacular e a suspeita de que ele nunca chegaria com a mesma intensidade dos filmes. Quando o ROADSTER sobe a rampa de verdade e o DeLorean aparece logo em seguida, o cérebro experimenta um alívio estranho. A fantasia não foi traída. Ela foi atualizada. E o fechamento com o rosto chocado do jovem funciona como espelho. O espectador se reconhece naquela expressão. É a cara de quem entendeu, ainda que por um instante, que o mundo mudou de categoria.

O alcance do post, com mais de um milhão de visualizações em pouco tempo, não é acidente de algoritmo. É sintoma. Em uma época em que a atenção está fragmentada e a capacidade de se impressionar parece cada vez mais rara, um vídeo de 45 segundos conseguiu reunir três obsessões contemporâneas em uma única respiração: a mitologia do carro elétrico extremo, a nostalgia da ficção científica clássica e a consciência de que a inteligência artificial deixou de ser conceito distante para se tornar infraestrutura invisível do presente. JUAN BERGMAN não inventou nenhum desses elementos. Ele apenas os colocou na ordem certa. E a ordem certa, neste caso, foi suficiente para transformar uma edição de vídeo em um pequeno evento cultural.

O que permanece depois que a tela escurece é uma pergunta simples e persistente. Se o carro que sobe rampa de cabeça para baixo e salta com thrusters já existe, e se a data que o DeLorean escolheu para voltar no tempo é exatamente a mesma em que a inteligência artificial recebeu seu nome, então em que ponto da linha do tempo nós realmente estamos? O vídeo não responde. Ele apenas deixa a pergunta acesa, como os circuitos de tempo do DeLorean, piscando em vermelho e verde na memória de quem assistiu.

RB

Redação The Brow Brasil

Redação The Brow Brasil, jornalismo, investigação e cultura.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *