A cronologia de como o presidente do TSE passou de nome citado nas mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro a árbitro da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Brasília (DF) – Outubro de 2024 registrou o primeiro sinal. Segundo a Band, mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, tratam de um pagamento mensal ao advogado Kevin Marques, filho de Kassio Nunes Marques. A conversa surge depois de uma decisão do STF favorável à Destilaria Alcídia, em disputa bilionária de precatórios do setor sucroalcooleiro. Segundo a mesma reportagem, Kassio se declarou impedido nesse julgamento, voltou atrás, atribuiu a anotação a um erro e votou. Segundo o Poder360, o escritório de Kevin recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária, empresa que recebeu R$ 6,6 milhões do Master. Kevin diz que prestou serviço tributário à Consult e nega ter trabalhado para o banco. Os diálogos falam em R$ 500 mil mensais.
Segundo o Estado de Minas, que cita a coluna que o revelou, um HD enviado pela PF em julho ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master, guarda um contrato de honorários de até R$ 427 milhões. Ele foi firmado com o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, do qual é sócia a advogada Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do TRF-1. Segundo o Brasil 247, o escritório receberia 5% dos honorários líquidos de êxito em 12 processos do setor sucroalcooleiro contra a União, estimados em R$ 8,5 bilhões. Segundo a Gazeta do Povo, Newton Ramos foi juiz auxiliar de Kassio entre 2018 e 2020. Nas mensagens, segundo a CNN Brasil, assessores de Vorcaro chamam o casal de “Turma do KN”, sigla que a PF associa ao ministro. Segundo o Estado de Minas, Camilla comemorou em mensagem a Vorcaro o voto de Kassio no julgamento da Segunda Turma que reconheceu o débito, por 3 a 2. O escritório diz que o contrato era formal e que não recebeu os honorários, segundo o Poder360. A Gazeta do Povo registra que o ministro Gilmar Mendes citou o contrato ao cobrar investigação sobre o Master.

Segundo o Brasil de Fato, o casal repassava ao banqueiro pedidos atribuídos a Kassio, como tarifa promocional no hotel Fasano, e o atualizava sobre o caso dos precatórios. Segundo o Metrópoles, Vorcaro autorizou lançar a despesa de hotel na sua conta. Segundo o Correio da Manhã, um agente de viagens perguntou a Vorcaro quem pagaria uma viagem internacional de 10 dias para cinco pessoas, atribuída ao ministro. Segundo o Times Brasil, um voo de Brasília a Maceió foi confirmado pelo gabinete de Kassio, com despesas pagas por Camilla Ramos, que atuava para o Master no STJ. Fevereiro de 2025 registrou o Carnaval e a festa. Segundo o Metrópoles, Vorcaro autorizou a reserva de uma mansão no Joá, no Rio, para “KN” e Newton Ramos, por cerca de R$ 1,45 milhão. O pacote incluía camarote, helicóptero e uma feijoada para 40 pessoas. A reportagem diz que não há documento sobre quem pagou. Em 28 de fevereiro, segundo o UOL, em reportagem de Daniela Lima reproduzida pelo Blog do Dina, funcionários de Vorcaro registraram que cederam um quarto do triplex a um “ministro com 5 meninas”. A festa teve R$ 62,3 mil em despesas. Em 7 de março, uma intermediária cobrou R$ 10 mil e escreveu que uma garota “ficou com o kassio”. Investigadores da PF e do STF veem possível referência ao ministro. 9 de outubro registrou o “gol de mão”. Com o segundo turno em curso, Kassio interrompeu três julgamentos virtuais que tinham 5 a 1 pela remoção de conteúdos contra Lula. Segundo o Diário do Centro do Mundo, ele usou pedidos de destaque. Um integrante do TSE chamou a manobra de “gol de mão”. Segundo a CNN Brasil, Kassio diz a interlocutores que decide com imparcialidade.
11 a 13 de outubro: segundo o Metrópoles e o Conjur, Kassio suspendeu o canal “Exército do Lula”, a pedido da campanha de Flávio. Horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Cueva, mandou restabelecê-lo, e a área técnica do TSE não achou conteúdo irregular. Na terça, Kassio derrubou o trecho da decisão de Cueva e manteve o canal suspenso. Segundo a Gazeta do Povo, ele condicionou a volta ao registro formal do canal, mas a suspensão foi mantida com condições, tirando o canal do ar, enquanto um mesmo canal do Flávio continua em pleno funcionamento. 12 a 14 de outubro: segundo o Poder360, os deputados Rui Falcão e Rogério Correia, do PT, pediram ao STF a investigação de Kassio. Segundo a CNN Brasil, ministros do TSE falam em atropelo e mal-estar. Em 14 de outubro, segundo o Metrópoles, o deputado André Janones pediu ao TSE a anulação das decisões. O pedido ainda não foi analisado. Em artigo de opinião no Brasil 247, o colunista Ricardo Mezavila escreve que, se Flávio vencer, as investigações sobre o presidente do TSE podem esfriar.

Ele nega tudo, mas o vai decidindo a eleição, enquanto um juiz concentra as decisões e a agenda da Corte Eleitoral, enquanto se enrola cada vez mais com o Vorcaro e o Master, e atua como um militante da campanha do Flávio Bolsonaro.

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